Cruzeiro

UM MOMENTO NA HISTÓRIA

Geraldino: de alfaiate a campeão

postado em 01/05/2014 09:16 / atualizado em 09/12/2015 16:33

Eugênio Moreira /Estado de Minas

Arquivo/EM

O ano de 1963 foi especial na carreira do lateral-esquerdo Geraldino. Natural de Raposos (nasceu em 11 de janeiro de 1940) e revelado pelo Villa Nova, o jogador teve uma temporada marcante. Em janeiro, conquistou o Campeonato Brasileiro de Seleções por Minas Gerais. Em março, defendeu a Seleção Brasileira (formada basicamente por jogadores mineiros) no Sul-Americano na Bolívia – a equipe terminou em quarto lugar. Em abril, foi negociado pelo Cruzeiro com o Santos, clube pelo qual acabou sendo campeão da Copa Libertadores, em setembro, e do Mundial Interclubes, em novembro daquele ano.

Geraldo Antônio Martins era alfaiate em Raposos e defendeu o profissional do Villa Nova de 1957 a janeiro de 1961, em 91 partidas (cinco gols). Depois de rápida passagem pelo Siderúrgica, chegou ao Cruzeiro em junho. Amauri de Castro era o dono da posição, e Geraldino atuou como zagueiro e volante nos primeiros de seus 70 jogos com a camisa celeste – marcou um gol. Ele participou da campanha do último título do tricampeonato mineiro de 1959/1960/1961.

Em 28 de abril de 1963, o Estado de Minas anunciou a venda do jogador para o Santos. “A maior transação do futebol mineiro: Geraldino no Santos” e “Cruzeiro vendeu ao Santos o lateral Geraldino por trinta milhões” foram as manchetes do Esportes. “O futebol mineiro perdeu sua estrela maior, ganhando o Santos F.C, o mais completo lateral esquerdo do futebol brasileiro na atualidade”, anunciava o jornal.

TRANSFERÊNCIA
As negociações se estenderam por quase um mês. O interesse começou depois do desempenho no Sul-Americano na Bolívia. Além do Santos, outros clubes, como Vasco e Botafogo, cobiçaram o lateral. Em 17 de abril, um representante santista, Nicolau Mourão, esteve em Belo Horizonte e ofereceu Cr$ 25 milhões pelo jogador. Felício Brandi pediu Cr$ 30 milhões. Durante as negociações, Geraldino não deixou de expor sua vontade de se transferir. “Quero progredir em minha carreira. Já sou casado e preciso garantir o meu futuro o mais breve possível”, declarou ao EM.

Geraldino viajou para Santos na segunda-feira, dia 29, para exames médicos e acerto das bases salariais. O vice-presidente do Cruzeiro, Adil de Oliveira, acompanhou o jogador e trouxe o cheque. O lateral defendeu o Santos até 1968, atingindo 214 partidas e dois gols e conquistando também os títulos paulistas de 1964, 1965 e 1967. Geraldino atuou ainda pela Portuguesa em 1969 e 1970, e, após encerrar a carreira, optou por voltar a Santos, onde vive até hoje.

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