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Tinga se despede do futebol, agradece Cruzeiro por títulos nacionais e diz que virou torcedor

Volante revelou que intimidade na Raposa superou ligação com o Internacional

postado em 30/04/2015 17:09 / atualizado em 30/04/2015 17:34

Rodrigo Clemente/EM/D.A Press.

Paulo César Tinga colocou um ponto final em sua carreira nesta quinta-feira. O ex-volante concedeu entrevista coletiva na Toca da Raposa II para comentar a decisão da aposentadoria. Aos 37 anos, ele pendura as chuteiras com a fama de ser um multicampeão, dentro e fora das quatro linhas.

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A passagem de Tinga pelo Cruzeiro durou três anos. Em Belo Horizonte, ele conseguiu ser bicampeão brasileiro, título que faltava em seu currículo, e disse ter criado grande identificação com o clube celeste. "Fui presenteado, tive o privilégio de ser escolhido para jogar no Cruzeiro".

Na carreira, que reuniu sete clubes e a Seleção Brasileira, Tinga ainda ostenta conquistas de Copa do Brasil, Libertadores e Mundial no período em que atuou no Rio Grande do Sul, por Grêmio e depois Internacional.

Veja os principais pontos da entrevista de Tinga:

Agradecimento ao Cruzeiro

"Agradecer aos torcedores, eles que fazem o Cruzeiro ser grande. Pessoal que não aparece, da grama, da portaria, futebol não é só quem vai a campo, sempre tive isso na minha vida, no futebol, as coisas mais importantes ocorrem de segunda a sábado. No domingo, dia do jogo, não tem tempo de fazer muita coisa."

Tempo na capital mineira

"Desde o primeiro dia que cheguei, já me envolvi com o Cruzeiro. Completei três anos de Cruzeiro e parece que tem 10 anos. Fui presenteado, tive o privilégio de ser escolhido para jogar no Cruzeiro."

Ligação com o clube

"Tenho mais intimidade com o Cruzeiro, todos ficam assustados quando falo isso, todos sabem que sou colorado, mas o que tive no Cruzeiro foi inesquecível, e realização de poder terminar num time grande. Eu tinha um sonho de me tornar jogador e dar uma casa para a minha mãe, a vida me deu mais que eu imaginava".

Vítima de racismo

"Isso fortaleceu a afinidade com o torcedor e o grupo de jogadores, aquilo deveria ser algo que muitos se abalassem, mas foi uma coisa que encarei de forma normal. Não se deve encarar normal aquilo, mas pelo apoio que tive aqui e pela base familiar, a coisa foi tratada deste jeito (normal). Qualquer assunto que se fala de racismo no esporte se lembra daquele caso, que desencadeou outros casos. Sou mais um ser humano que quer sempre o bem de todos em todas as áreas, mas não peguei isso para me promover. Dentro do futebol, mesmo pequeno, não fui craque, mas vivi coisas que muitos craques não viveram. Tenho uma pequena história dentro do futebol. Estou aí, sempre que for chamado para falar deste assunto, será sempre com a conotação de igualdade em todas as áreas e classes, temos muitas dificuldades no país, em ética, em pilares que tínhamos. Sou mais um brasileiro que quer o melhor para todo mundo e para meu filho. Sempre que eu puder falar e fazer, vou fazer meu melhor.

Futuro

"Eu quero tocar minha vida particular, minhas coisas, tenho agência de turismo, tenho outros negócios em Porto Alegre. Não deixando, lógico, de estudar, para agregar conhecimento. Estou fazendo curso de gestão à distância, com aulas presenciais, já teve uma no estádio do Palmeiras. Estou indo para a Alemanha ver a final da Copa da Alemanha e já fico para a final da Liga dos Campeões, mas nada comprometido ou focando. Tenho duas certezas que não quero, que é ser treinador nem empresário de futebol, isso eu sei que não quero. Não estou capacitado para isso. O resto é se preparar e se acontecer algo dentro do que imagino de ética, de trabalho de projeto, não tem por que não pensar, mas tenho outros negócios que têm corrido muito bem e tenho a família, que é minha maior riqueza. Encerrar a carreira me gera uma alegria que não é normal. Muitas vezes quando se para de jogar não tem alegria, e eu estou muito alegre. Por isso agradeço as pessoas do Cruzeiro que me ajudaram a decidir isso desta forma."

Decisão da aposentadoria

"Fui intenso sempre no Cruzeiro. Em termos de momento ruim, foi após a minha lesão, os 30 minutos da Toca até o hospital foi o momento mais difícil. Não tinha machucado gravemente até então e ali eu comecei a ver que podia ser a hora de parar. Mesmo já recuperado hoje, ali eu senti que era o momento, que eu ia me recuperar, que ia acabar o contrato e ia parar de jogar. Agradeço a Deus até nisso, porque ali (na lesão) foi a oportunidade que tive de olhar o futebol de fora para dentro, isso me preparou para que eu pudesse tomar essa decisão muito tranquilamente."

Amizades no Cruzeiro

"Não vai nem acontecer muito, porque estou falando com eles toda hora, os que estão fora a gente se fala constantemente, então realmente não consegui ver este desligamento. A ligação foi tão forte no grupo que temos uma amizade muito grande, não parece que separamos. Não cheguei a pensar como vai ser isso, sempre que tem folga a gente se encontra, estamos muito próximos. O que vivemos no Cruzeiro foi uma amizade muito forte que foi até levada para dentro de campo. Alguns falam para eu não parar, uns brincaram, mandaram eu parar por uns 10 anos e depois voltar (risos). Vai ser assim também em relação a funcionários, acho que vou ser uma cara bastante vista aqui dentro, vocês ainda vão me ver bastante aqui na Toca, pela ligação que tive no Cruzeiro. Participei de muita coisa do clube, na parte particular dos jogadores, momentos familiares, acabei tendo conhecimento de alguns até mais do que o normal. Às vezes a gente tem uma intimidade com o companheiro até maior do que com alguns familiares nossos."

Tinga e os treinadores na carreira


"Consegui jogar 18 anos só em times grandes. Isso com certeza teve parcela grande dos treinadores que peguei. Quero agradecer a todos os treinadores, são muitos nomes, vai levar tempo (risos). Roth, Tite, Felipão, Marcelo Oliveira, Abel, Falcão, são muitos. Sempre procurei aprender um pouco com cada um. Só me tornei o jogador que fui, de estar num grupo considerado o melhor do Brasil mesmo com uma idade avançada, pelo que aprendi taticamente com esses jogadores. O que a gente perde fisicamente com a idade, a gente tenta equilibrar com o aspecto tático. Então quero agradecer a todos. Também tirei lições como homem de todos eles. Fui alfabetizado no futebol, fui atento a tudo e isso me levou a lugares e países que eu não imaginava, aprendi idiomas que não imaginava, então sou muito grato ao futebol e a todos esses treinadores que me ajudaram a construir o que sou."

 

Ficha do ex-jogador:
Nome: Paulo César Tinga

Nascimento: Porto Alegre, 13 de janeiro de 1978
Clubes: Grêmio, Kawasaki Frontale (JAP), Botafogo, Sporting (POR), Internacional, Borussia (ALE) e Cruzeiro
Títulos: pentacampeão gaúcho, bicampeão da Copa do Brasil, bicampeão da Libertadores, campeão da Recopa Sul-Americana, campeão da Supercopa da Alemanha, campeão mineiro e bicampeão brasileiro.