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Cabo eleitoral de Sérgio Rodrigues, Zezé Perrella mostra confiança em pleito: 'Estou prevendo novos tempos para o Cruzeiro'

Ex-dirigente afirma que assumir a presidência é tarefa hercúlea e que muita coisa no clube precisa ser consertada: 'Não tiveram cuidado com as finanças'

postado em 01/10/2017 09:50 / atualizado em 01/10/2017 10:11

Jair Amaral/EM D.A Press
Zezé Perrella desistiu de voltar à presidência do Cruzeiro, mas não de participar da vida política do clube. Candidato à presidência do Conselho Deliberativo, ele é o maior cabo eleitoral da chapa Tríplice Coroa, encabeçada pelo advogado Sérgio Santos Rodrigues, na eleição que será realizada amanhã. “Conclamo o Conselho a votar com consciência, pensando no clube. E o melhor para o clube é a eleição da nossa chapa”, afirma ele em entrevista exclusiva ao Estado de Minas, em que explica os motivos de sua escolha.

Como o senhor apresentaria a chapa Tríplice Coroa para os conselheiros e a torcida?

É um pessoal absolutamente preparado, o Sérgio Santos Rodrigues, que é o cabeça da chapa, no que pese ser jovem, lembra a mim quando comecei, assumi o Cruzeiro com 36 anos (Sérgio tem 35). Tenho absoluta certeza de que é coisa para jovem mesmo, o clube precisa de dedicação integral. Os outros dois também têm esse perfil, o Giovanni Baroni, que é de origem italiana, e o Marco Antônio Miranda. Estou muito esperançoso, estou prevendo novos tempos para o Cruzeiro. Passei 20 anos dentro do Cruzeiro e não poderia ficar omisso a esse processo. A chapa tem o apoio das famílias Grosso, Furletti, Brandi, Masci e Perrella, ou seja, aquelas que comandaram o clube nos últimos 70 anos e foram fundamentais para o Cruzeiro ser a potência que é.

Em um primeiro momento seria candidato, mas a pedido dos filhos abri mão. Não tive tempo para ficar com eles e agora tenho netos. Quero curti-los. Não tem nada a ver com política, não passei por nenhuma turbulência como disseram, pois não fui nem sequer citado em qualquer delação. Desisti pela dedicação integral que teria de dar ao clube, que atravessa situação atípica, de muita dificuldade. Quando deixamos o Cruzeiro, a dívida era menos de R$ 80 milhões. Hoje, beira os R$ 500 milhões. Isso é preocupante. Não tiro o mérito da administração, que ganhou três títulos importantes. Mas a gente sabe a que custo. Não houve planejamento financeiro ou cuidado com as finanças do clube. Antes, só o Atlético-PR tinha dívida menor do que o Cruzeiro. Hoje, o Cruzeiro tem a quarta maior dívida do Brasil. Não estou acusando desonestidade, nada disso. Mas faltou cuidado. Sugeri ao Sérgio que, que quando ele assumir, pois temos certeza da vitória, faça auditoria das dívidas, inclusive das minhas, para que tudo fique muito claro. Qualquer um que assumir terá dificuldade.

Eu me propus a ajudá-lo em tudo que for possível. E me candidatei à presidência do Conselho até para ter mais legitimidade para auxiliá-lo no dia a dia. Temos experiência, tanto eu quanto meu irmão, Alvimar, vamos participar ativamente. Realmente, 2011 foi um ano complicado, estávamos sem estádio para jogar. E, mesmo assim, até o meio do ano, antes de sairmos da Libertadores, nosso time era considerado um dos melhores. E ainda me despedi com os 6 a 1 sobre o Atlético, o que para muitos vale mais que um título.

Alguns dizem que o Sérgio Santos Rodrigues não tem experiência para o cargo...

Eu também não tinha experiência em dirigir um clube de futebol. Clube de futebol é uma empresa e tem de ser tocado como tal. E o Sérgio tem nove anos que está no Cruzeiro, levado por mim, e ficou quase seis anos com a atual administração. Quando lancei a candidatura, o Sérgio, por coerência, entregou o cargo, afirmando que tinha compromisso moral comigo. O Dr. Gilvan acabou se aborrecendo por isso e passou a dizer que ele não tem experiência. O Sérgio fez cursos no Real Madrid, na Fundação Getulio Vargas, é muito inteligente, bem-articulado e será, sem dúvida nenhuma, um grande presidente.

Outra coisa é que quando eu procurei o Gilvan para compor uma chapa, ainda comigo como candidato, ele disse que não me apoiaria porque era hora de pensar em pessoas mais jovens, que eu já tinha dado minha contribuição e ele também. Para minha surpresa, ele escolheu um candidato de 76 anos. Nada contra a idade, tenho respeito grande pelo outro candidato, como cruzeirense, mas este é um desafio para pessoa jovem, que tem disposição de acordar de manhã cedo para viajar, representar o clube na CBF, na Conmebol, na Fifa. Não vejo o Wagner com condições de administrar o Cruzeiro.

Jair Amaral/EM D.A Press

Vocês chegaram a buscar um consenso?

O Gilvan disse que não apoiaria o Sérgio por considerar que ele não havia sido leal. Mas, na verdade, o Sérgio foi coerente. Eu o levei para o Cruzeiro e ele votaria em mim. O próprio Wagner, quando lançou a candidatura no Barro Preto, não foi bem aceito pelo Gilvan. Respeito o outro lado, mas não se compara o preparo do Sérgio Santos Rodrigues e outros membros da nossa chapa com os deles. Estou convicto de que o conselheiro saberá o que é melhor para o Cruzeiro na hora de votar. Não se pode votar porque joga baralho com o candidato. Só estou votando com o Sérgio porque entendo que ele é o melhor candidato. Tenho mais tempo de relacionamento com o Wagner do que com o Sérgio. Só que há pessoas que servem para ser seu amigo, mas não servem para se casar com sua filha e muito menos para dirigir seu clube. Temos de separar as coisas.

Estou muito esperançoso de que o Cruzeiro vá viver novos tempos, tem muita coisa para ser consertada. Eles não tiveram cuidado com as finanças. Eu me dispus até a pagar a auditoria nas contas do clube para que fique tudo claro. Não é verdade que ele pegou o clube em dificuldades. Pegou um clube absolutamente equilibrado, que nunca atrasou um dia de salário, que nunca deixou de pagar impostos. Agora, deixou de recolher R$ 150 milhões em impostos, que posteriormente foram colocados no Profut, que fui eu quem sugeriu a criação à presidenta Dilma.

Qual deve ser a principal medida do novo presidente? É fácil ser presidente do Cruzeiro?

É tarefa hercúlea, por isso digo que a pessoa deve ser jovem e disposta. Entrei cheio de ilusão, achando que seria fácil. No primeiro jogo, o Cruzeiro empatou com o Tupi e quase fui linchado. A partir daí ganhamos os títulos todos, mas tive de abrir mão de tudo, de vida pessoal, empresarial, para cuidar das coisas do Cruzeiro. E também queria registrar que, a meu pedido, o presidente do Conselho Deliberativo, João Carlos (Gontijo Amorim), solicitou por escrito a situação real do clube. Os balanços estão lá, mas o que é fiscalizado é se há irregularidade ou não. Não se leva em consideração se deu lucro ou prejuízo. E má gestão não é crime.

* Confira amanhã as entrevistas dos dois candidatos à presidência do Cruzeiro

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