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Quinta geração da escola de zagueiros do Cruzeiro nos últimos anos, Cacá se espelha em Dedé e Murilo para crescer no clube

Jogador de 18 anos tem treinado com o grupo profissional desde 1º de março

postado em 16/03/2018 06:30 / atualizado em 16/03/2018 10:43

Juarez Rodrigues/EM D.A Press
O concorrido sistema defensivo do Cruzeiro ganhou mais um integrante neste mês de março. Apesar da fraca campanha da equipe sub-20 na Copa Libertadores da categoria – três derrotas em três jogos –, o zagueiro Carlos de Menezes Júnior, o Cacá, destacou-se na competição e chamou a atenção do técnico Mano Menezes, que o convocou para fazer parte do grupo profissional no dia 1º. O jovem de 1,85m se juntou aos também pratas da casa Arthur e Murilo, e aos experientes Leo, Dedé, Manoel e Digão. O elenco, portanto, conta com sete atletas da posição.

Convocado pela comissão técnica para o jogo do último domingo contra o Patrocinense - que ficou empatado por 1 a 1, pela 11ª rodada do Campeonato Mineiro -, Cacá ainda se ambienta com as diferenças no ritmo de jogo entre base e profissional. “É tudo muito diferente da base. A pegada é outra. Tem que pensar muito rápido, os passes têm que ser firmes. É muito diferente da base”, conta o jogador de 18 anos, em entrevista ao Superesportes.

Gustavo Aleixo/Cruzeiro/Divulgação
A recepção do grupo foi feita de uma maneira muito peculiar: o ‘batismo’ no corredor polonês. O garoto, obviamente, levou a situação na brincadeira e comentou como foram as primeiras impressões da Toca da Raposa II. “Fui bem recebido pelo grupo, todos me abraçaram, mas tenho mais contato com os meninos que também vieram da base, o Arthur, o Vitinho, o Murilo, o Vitor Eudes... pouco a pouco eu vou me enturmando. Dos mais velhos, o Rafael Marques é um cara que me recebeu muito bem, me dá muita moral, conversa bastante comigo, me passa tranquilidade. Com o Mano ainda não tive um contato grande sozinho com ele, mas já vi que é um cara mais sério. Com o grupo é mais fácil enturmar, porque a galera zoa muito. Na roda de bobinho todo mundo brinca, zoa, então é mais fácil. No primeiro dia fui “batizado” no grupo, foi divertido. Não tive nem como correr, todo mundo passa por aquilo mesmo. Mas, daqui uns dias, vou poder fazer com outras pessoas que vão subir, aí vou poder descontar o meu (risos)”.

Nascido em 25 de abril de 1999, Cacá representa a quinta geração ininterrupta de zagueiros de base que foram integrados ao grupo principal do Cruzeiro. Na lista há Wallace (1994), Bruno Viana (1995), Fabrício Bruno (1996), Murilo (1997) e Arthur (também de 1999).

Wallace e Bruno Viana, inclusive, renderam quantias milionárias aos cofres celestes. O primeiro foi adquirido por um grupo de investidores pela quantia de 9,5 milhões de euros, da qual o Cruzeiro embolsou 60% (5,7 milhões), e colocado inicialmente no Sporting Braga-POR. Posteriormente, Wallace vestiu as camisas de Monaco-FRA e Lazio-ITA – que pagou 10 milhões de euros em seus direitos econômicos. O segundo trocou a Toca pelo Olympiacos, da Grécia, por 2 milhões de euros. O clube celeste ficou com 70% desse valor (1,4 milhão de euros). Depois de uma temporada na agremiação grega, Viana foi emprestado ao Braga-POR e adquirido em definitivo na última terça-feira por 3 milhões de euros.

Murilo também esteve no radar europeu. O Cagliari, da Itália, ofertou 4 milhões de euros, mas a proposta não agradou ao Cruzeiro. O Benfica, de Portugal, foi outro que manifestou interesse. Porém, o jogador de 20 anos segue no clube pelo qual contabiliza 39 partidas. Todos os nomes citados servem de exemplo para Cacá.

“Realmente, o Cruzeiro tem revelado bons zagueiros ultimamente. Acho que, pelo que estou mostrando paro o clube, tenho chances de estar neste grupo de bons zagueiros formados na Toca da Raposa. Agora eu preciso continuar trabalhando firme, focar nos meus objetivos e, se Deus quiser, fazer parte desse grupo aí”.


Referências

Dos zagueiros do grupo celeste, dois em especial são referências para Cacá. O primeiro é Dedé, que se recuperou de edema ósseo no joelho esquerdo e caminha para o terceiro jogo consecutivo a serviço do Cruzeiro após ter jogado pouquíssimas vezes entre 2015 e 2017. O segundo é Murilo, cria das categorias de base. No exterior, o nome citado é o do brasileiro Marquinhos, do Paris Saint-Germain e da Seleção Brasileira.

“Dentro do Cruzeiro eu tenho duas referências. Uma delas é o Dedé, que eu acompanho desde aquele time bicampeão brasileiro, ele jogou muito, foi campeão e chegou à Seleção, então é uma inspiração para mim. Outro é o Murilo, que é um exemplo para mim porque teve um caminho parecido com o meu, é jovem, subiu da base há pouco tempo e conseguiu conquistar seu espaço no profissional, assim como eu quero conquistar. Fora do Cruzeiro, gosto do Marquinhos do PSG, gosto muito do estilo de jogo dele”.

Trajetória e sonhos

Natural de Visconde do Rio Branco, a 292 quilômetros de Belo Horizonte, Cacá jogou em escolinhas de sua cidade e em um time de empresários no município vizinho de Ubá.

“Comecei com oito anos no time da minha cidade, Visconde do Rio Branco. Aí fui fazer teste num time de um empresário em Ubá e passei no teste. Lá, acabei não recebendo uma boa proposta, mas não abaixei a cabeça. Continuei batalhando, melhorando algumas coisas que eu tinha dificuldades, me aprimorando”.

Uma situação delicada quase abreviou o sonho do zagueiro em conseguir se tornar atleta profissional. Aprovado num teste na Ponte Preta, o jogador quebrou a perna direita e precisou parar por seis meses.

“No primeiro dia de treino, fraturei a perna direita. Pensei: “Como vou fazer agora? ” Fiquei seis meses me tratando e, depois de um ano mais ou menos, o Cruzeiro me chamou para fazer um teste no sub-15. Passei no teste e fui batalhando, subindo de categoria. No sub-20, tive um ano de muitas conquistas e também tive um desempenho individual muito bom. Agora, treinando entre os profissionais, vou mostrar mais serviço para poder um dia ter história neste time tão grande que é o Cruzeiro”.

Agora, Cacá se concentra em primeiramente conquistar seu espaço no Cruzeiro. Para ele, Seleção Brasileira e futebol europeu seria consequência de um bom trabalho na Raposa. “Primeiro é fazer minha história no Cruzeiro, que, além de ser meu clube do coração, é o que me acolheu, me formou, foi onde eu cresci. Claro que um dia também penso em chegar à Seleção Brasileira e jogar em grandes clubes da Europa, mas meu primeiro sonho é fazer história no Cruzeiro”.

Lucas Figueiredo/CBF/Divulgação

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