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Em carta, Marco Antônio Lage se despede do Cruzeiro, mas diz que continuará contribuindo com 'soluções criativas'

Ex-vice-presidente executivo divulgou carta na tarde desta segunda-feira

postado em 05/11/2018 17:46 / atualizado em 05/11/2018 18:17

Alexandre Guzanshe/EM/D.A. Press
Ex-vice-presidente executivo do Cruzeiro, Marco Antônio Lage divulgou uma carta de despedida ao torcedor. Contratado no início da gestão do presidente Wagner Pires de Sá, em janeiro, ele se desligou do clube na última semana.

No documento divulgado nesta segunda-feira, o antigo dirigente disse que seguirá contribuindo com 'soluções criativas' para que o Cruzeiro supere a "mais grave crise financeira de sua história". "Prestes a fazer 100 anos, no dia 2 de janeiro de 2021, o clube precisa urgentemente ser saneado. E isso significa cortar na própria carne e mexer criativamente e responsavelmente até no seu patrimônio", sugere Lage. 

Jornalista de formação, Marco Antônio Lage se formou na PUC Minas e tem mestrado em Marketing Estratégico pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Em 1992, o profissional começou a carreira na Fiat como assessor de imprensa. Ganhou prestígio e cresceu na empresa, assumindo a comunicação corporativa e integrando o Comitê Diretivo da empresa. Já em 2015, ocupou a vice-presidência da Casa Fiat de Cultura, do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje) e da Associação Comercial de Minas. 

Segundo o Portal dos Jornalistas, Marco Antônio recebeu por duas vezes o prêmio Personalidade do Ano em Comunicação Empresarial pela Aberje, em 1998 e 2012, e outras duas vezes o Prêmio USP de Comunicação Corporativa, em 2004 e 2006. Ele também já recebeu a maior honraria mineira: a Medalha da Inconfidência, concedida a ele pelo então governador Antonio Anastasia, em 2012. Em julho de 2017, Marco Antônio deixou a Fiat e aceitou o convite para assumir a direção executiva co Cruzeiro em 2018.

O Cruzeiro não se pronunciou oficialmente sobre a saída do profissional. 

Leia a carta na íntegra

À Naçäo Azul 

Não somos donos do nosso destino. Por vezes, os mais audaciosos planos, os melhores  sonhos precisam ser interrompidos.
 
Estou diante deste momento e motivos pessoais exigem agora que eu deixe as funções de vice-presidente executivo do Cruzeiro Esporte Clube. O tempo foi curto, insuficiente para concluir a missão que propus há um ano: profissionalizar a gestão do clube, trazendo uma visão de administração mais moderna e digital, com foco em plataformas de novos negócios nacionais e internacionais que o Cruzeiro tanto precisa para hoje, amanhã e para os seus próximos 100 anos.

Mas ainda assim me sinto vencedor, não somente pelos títulos de 2018, mas por ter realizado alguns  negócios criativos e inovadores que podem e devem abrir caminhos. Um deles foi a criação da Unincor 5 Estrelas, a universidade do Cruzeiro. Se bem conduzido, certamente este projeto será um “case”, uma referência de marketing e negócios. Além de conectar a marca Cruzeiro ao tema educação (valor de reputação), é uma mina de ouro, uma alternativa inédita para atrair receita para o futebol. Como o Cruzeiro é sócio do negócio, a cada 5 mil cruzeirenses que se matricularem na Unincor o clube garantirá para seus cofres um montante anual nos mesmos valores de um patrocinador master, sem para isso ocupar espaço na camisa. 

Trazer a Fiat de volta ao Cruzeiro também foi outra negociação importante. Parcerias com marcas globais sempre atraem alianças mais fortes para o clube. E não menos importante foi estruturar o Instituto 5 Estrelas, uma maravilhosa iniciativa que vai incluir milhares de crianças em situação de vulnerabilidade social à cidadania, através do esporte, e ainda ajudar a imagem e a reputação do Cruzeiro resplandecer.

Deixo as funções executivas no clube, mas continuarei contribuindo com outras soluções criativas para que o Cruzeiro possa superar a mais grave crise financeira da sua história. 

Isto, aliás, não é um “privilégio” só do Cruzeiro Esporte Clube. A maioria dos clubes de Futebol no Brasil está nessa situação lamentável. O futebol brasileiro está sendo derrotado pelas dívidas.

O momento difícil realmente exige a participação de grandes cruzeirenses.

Prestes a fazer 100 anos, no dia 2 de janeiro de 2021, o Clube precisa urgentemente ser saneado. E isso significa cortar na própria carne e mexer criativamente e responsavelmente até no seu patrimônio. Para isso é preciso criar uma agenda consensual de longo prazo, sem política, sem rancor. Porque o principal desafio desta magnífica instituição, a curto prazo, ainda maior que a conquista de mais uma Copa Libertadores (que este ano nos foi tirada pela arbitragem) é iniciar seu segundo século de vida, que se inicia em 2 de janeiro de 2021, com saúde financeira e a memória em dia. Só assim poderá olhar para o futuro e projetar mais 100 anos de glórias. É apenas isso que a torcida quer. E é tudo que ela merece. 

À essa Nação Azul, a todos os funcionários do clube, aos colegas de diretoria, aos parceiros comerciais e patrocinadores, aos conselheiros, aos jornalistas, à comissão técnica e aos talentosos jogadores - que neste ano deu dois títulos também para este cruzeirense aqui -, o meu muito obrigado pelo respeito e convivência. 

Depois de conhecer o Cruzeiro mais por dentro, sou ainda mais cruzeirense. Amo ainda mais esse manto sagrado. Não esquecerei que o Cruzeirão Cabuloso é mais que uma religião, mais que uma grande paixão. É um estilo de vida. Onde eu estiver, as cinco estrelas estarão pulsando ao lado do meu coração, onde sempre estiveram desde os meus tempos de menino sonhador em Itabira.

E, quem sabe, um dia poderei voltar para ajudar a construir um legado do tamanho da importância deste clube e desta torcida gigantesca, à qual volto a me juntar.

Somos Cruzeiro e nada mais interessa! Até breve!

Marco Antônio Lage

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