Cruzeiro

ENTREVISTA

Pupilo de Paulo Bento em 2016, ex-zagueiro do Cruzeiro vira sensação em Portugal e sonha com volta à Toca

Revelado pelo clube mineiro, Bruno Viana era homem de confiança de Paulo Bento na Toca da Raposa antes de ir para o Velho Mundo

postado em 07/11/2018 06:00 / atualizado em 06/11/2018 17:59

Divulgação/Braga
O zagueiro Bruno Viana, de 23 anos, revelado pelo Cruzeiro, tem sido um dos principais destaques do Braga, vice-líder do Campeonato Português. A importância do brasileiro no setor defensivo é realçada pelos números do clube na competição nacional: em nove jogos disputados, os “Guerreiros” estão invictos com 21 pontos graças a seis vitórias e três empates. 

Antes de se transferir para o futebol europeu em setembro de 2016, Bruno Viana foi titular do Cruzeiro no Campeonato Brasileiro daquele ano. Sua primeira chance foi com o ex-técnico Deivid, ainda no Campeonato Mineiro, mas sua consolidação entre os onze só ocorreu mais tarde, após a chegada do português Paulo Bento ao comando do time. À época, o comandante lusitano dizia que, dos defensores celestes, o único com perfil europeu era Viana.
Jair Amaral/EM/D.A Press

Curiosamente, Paulo Bento foi o responsável por levá-lo à Europa, quando dirigia o Olympiacos. No futebol grego, ele fez 23 partidas e um gol. Neste período, o jogador participou de um elenco multicultural, já que o clube contava com atletas de 22 nacionalidades. O zagueiro destacou a importância dessa experiência em sua adaptação no “Velho Continente”. 

“Foi uma experiência fantástica. Pude estar ali no Olympiacos aprendendo muito. Tive a felicidade também de encontrar o Sebá - que saiu da base do Cruzeiro - no elenco, além de três ou quatro portugueses e também parte da comissão técnica. Isso ajudou demais na adaptação, pela questão da língua. Na Grécia, o clube é uma potência gigantesca e, felizmente, joguei bastante pelo Olympiacos e foi uma primeira oportunidade fora do país que pavimentou o caminho para conseguir jogar bem hoje no Braga”.

Depois de um ano na Grécia, Viana foi cedido ao Braga. Em seguida, teve os direitos adquiridos por 3 milhões de euros.
Em entrevista ao Superesportes, Bruno Viana falou do seu momento em Portugal e disse que, mesmo distante, está sempre atento aos jogos do Cruzeiro no Brasil. No mês passado, ele festejou de longe o hexacampeonato da Copa do Brasil conquistado sobre o Corinthians.
Divulgação/Braga

No futuro, ele sonha em voltar a vestir a camisa azul. “Tenho um carinho enorme pelo Cruzeiro e fiquei feliz demais com as conquistas recentes. Ser campeão da Copa do Brasil em dois anos seguidos é um feito para poucos. Tenho que parabenizar a todo mundo por este grande trabalho que estão fazendo, ainda tenho amigos lá dentro e fiquei muito feliz por eles. O futuro a Deus pertence, mas gostaria de ter uma oportunidade, sim, novamente no clube que passei boa parte da minha vida. Atuando e conquistando um grande título se possível”.

No próximo sábado, 10, o Braga, de Bruno Viana, tem a oportunidade de assumir a liderança do Campeonato Português. O clube enfrenta o líder Porto, às 18h30 (de Brasília), no Estádio do Dragão, pela décima rodada da competição. Os dois clubes têm 21 pontos.

Light Press

Confira, na íntegra, a entrevista com Bruno Viana:

Você ganhou sua primeira chance como titular do Cruzeiro com o Deivid, mas foi só após a chegada de Paulo Bento que se consolidou entre os titulares. A confiança do português em você fez com que se transferisse, a pedido dele, para o Olympiacos. A saída de Bento para a China e posteriormente para a seleção da Coreia motivou sua transferência para o Braga?

O Braga demonstrou  interesse na minha contratação e fez a proposta por empréstimo ao Olympiakos, inicialmente. Eu enxerguei uma oportunidade bacana para a minha carreira, atuar em Portugal, em clube em ascensão que disputa competições europeias e têm força localmente. Felizmente, tudo saiu melhor do que o planejado, fui contratado em definitivo e estou vivendo um grande momento dentro de campo aqui no Braga.

Mesmo sendo português, o Braga conta com 13 jogadores brasileiros, coincidentemente, mesmo número de portugueses no time. No setor defensivo são seis atletas brasileiros. Ter esse alto número de compatriotas ajudou você na evolução dentro do Braga, já que é um dos titulares com maior número de jogos na temporada?

Primeiro, a língua ser a mesma para quase todos do elenco já ajuda demais na adaptação, de entender o que treinador pede, o que o juiz marca, entre outras coisas. Segundo, é legal ter companheiros brasileiros, com uma realidade semelhante à sua, que vivenciaram as mesmas coisas que você. Isso traz uma união ainda maior dentro do elenco e, com certeza, tem sido importante para a nossa boa campanha tanto nesta temporada quanto na anterior.
AFP / SAKIS SAVVIDES

E diferente desse contexto, quando atuou pelo Olympiacos, o clube grego contava com jogadores de 22 nacionalidades diferentes. Como foi superar as adversidades de uma equipe multicultural, com idiomas distintos, em seu primeiro clube fora do Brasil?

Foi uma experiência fantástica. Pude estar ali no Olympiacos aprendendo muito. Tive a felicidade também de encontrar o Sebá - que saiu da base do Cruzeiro - no elenco, além de três ou quatro portugueses e também parte da comissão técnica. Isso ajudou demais na adaptação, pela questão da língua. Na Grécia, o clube é uma potência gigantesca e, felizmente, joguei bastante pelo Olympiacos e foi uma primeira oportunidade fora do país que pavimentou o caminho para conseguir jogar bem hoje no Braga.

A Liga Portuguesa (8ª) caiu (duas) posições no ranking de Ligas da UEFA. Como os portugueses, especialmente o Braga, que tem disputado frequentemente a Liga Europa, têm se preparado para as competições europeias, contra grandes clubes da Espanha, Inglaterra, Itália?

Normalmente! Da mesma forma que enfrentamos os grandes clubes portugueses na competição local. São clubes fortes, com muito investimento e oferecem desafio enorme. A gente procura entrar ainda mais concentrado, pois qualquer erro pode ser fatal. Por outro lado, são jogos que todos estão observando, com transmissão da televisão, grande repercussão, com muita pressão, estádio cheio... É aquele jogo gostoso de atuar.

O Braga se consolidou no cenário europeu como uma equipe de “segundo escalão”, sempre participando, pelo menos, da Liga Europa. No que se refere ao trabalho, cobrança e cotidiano, o que você considera como diferente de uma equipe como esta em relação aos rivais nacionais, como Porto, Benfica e Sporting?

Este nosso início de temporada está sendo fantástico. Já são 14 jogos no ano e seguimos invictos, com nove vitórias. Graças a isso, estamos ali no topo neste início e sonhando com o título. Claro que os confrontos diretos contra Porto, Benfica e Sporting serão fundamentais para as nossas ambições. No primeiro duelo contra o Sporting, conseguimos vencer, passamos eles na tabela e nos colocamos como ameaça aos demais. Agora, temos o Porto fora de casa, um duelo que vale a liderança. Somar pontos contra este tipo de adversário pode ser a chave para uma temporada de sucesso.
AFP / MIGUEL RIOPA

Como você vê o duelo com o Porto? Apesar de sempre brigar nas cabeças nas últimas quatro temporadas, o clube ainda não teve um título nacional de expressão… A chance de surpreender Portugal seria no Campeonato Português desta “época”?

O time está muito coeso, muito organizado e acredito que temos que manter este bom início para pensarmos em título. Sabemos do investimento dos rivais, mas também temos confiança no trabalho que estamos realizando aqui no Braga. Vamos manter os pés no chão e ir pensando jogo a jogo, sem desmerecer ninguém, mas também sabendo do valor de cada um aqui no nosso elenco. 

Sobre o jogo contra o Porto, é um adversário direto, com as mesmas pretensões que a gente. Vamos lá na casa deles, respeitando o clube, mas para jogar nosso futebol e buscar os pontos. 

Você continua acompanhando o Cruzeiro? Como classifica o trabalho realizado no clube nos últimos anos? Apesar de muito tempo de contrato e com sonho de crescer em solo europeu, você pensa em voltar à Toca da Raposa II?

Tenho um carinho enorme pelo Cruzeiro e fiquei feliz demais com as conquistas recentes. Ser campeão da Copa do Brasil em dois anos seguidos é um feito para poucos. Tenho que parabenizar a todo mundo por este grande trabalho que estão fazendo, ainda tenho amigos lá dentro e fiquei muito feliz por eles. O futuro a Deus pertence, mas gostaria de ter uma oportunidade, sim, novamente no clube que passei boa parte da minha vida. Atuando e conquistando um grande título se possível.

Na última janela de transferências, foi aventada a possibilidade de uma transferência sua para o Milan. O Cruzeiro lucraria com isso. O que de fato aconteceu no mercado e como vê essa possibilidade de o Cruzeiro ganhar com a transferência?

Estava por empréstimo no Braga naquele período e eles optaram por exercer a opção de compra ao final da última temporada. Fiquei muito feliz com isso, pois estava (e estou) me sentindo muito bem e adaptado tanto no clube, quanto na cidade. Essa questão de outros times fiquei sabendo apenas pela imprensa, mas não chegou nada ao meu conhecimento e nem sei se tinha mesmo algo concreto. 

Sobre o Cruzeiro também lucrar uma possível  transferência, tem aquela questão do mecanismo de solidariedade da FIFA e o Cruzeiro vai sempre ter uma porcentagem de qualquer negociação na minha carreira. Acho uma forma legal e justa para os clubes que investiram na formação do atleta.

Bruno Viana pelo Cruzeiro

20 jogos (1751 minutos em campo)

Campeonato Brasileiro – 13
Copa do Brasil – 4
Campeonato Mineiro – 2
Primeira Liga – 1 

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