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Presidente do Cruzeiro rebate questionamentos sobre balanço e promete trabalhar por exclusão de opositores

Mandatário ainda esclareceu salários pagos a vice de futebol Itair Machado

postado em 25/04/2019 16:16 / atualizado em 26/04/2019 08:14

<i>(Foto: Juarez Rodrigues/EM/D. A Press)</i>
Um dia depois de cancelar a reunião do Conselho Deliberativo para avaliação do balanço patrimonial, o Cruzeiro divulgou o documento no jornal Diário do Comércio, de Belo Horizonte, nesta quinta-feira. As contas do clube ainda passarão por aprovação dos conselheiros, em novo encontro a ser agendado possivelmente para maio. O presidente Wagner Pires de Sá aproveitou para rebater questionamentos de integrantes do grupo de oposição a respeito de 15 pontos específicos das finanças celestes, conforme informou o Superesportes na quarta.

“As questões levantadas são até compreensíveis para algum conselheiro que não participou da gestão anterior, mas inaceitável para alguém que esteve dentro e ajudou a colocar o Cruzeiro em grave crise financeira”, afirmou o dirigente, em declaração ao site do clube. Um dos maiores questionadores da gestão de Pires de Sá é o ex-presidente Gilvan de Pinho Tavares, que, curiosamente, foi seu apoiador na eleição de outubro de 2017. O conselheiro Sérgio Santos Rodrigues, adversário derrotado por Wagner no pleito, também pediu esclarecimentos.

Na página 12 das “Notas Explicativas da Administração”, o Cruzeiro informou dívida circulante de R$ 7.340.004,00 e não circulante de R$ 30.123.443,00 com clubes nacionais. O item 5 do pedido de esclarecimento questiona o segundo valor. O clube, por sua vez, afirma que esse débito “é inexistente”.

Já no item 15, o grupo de conselheiros cita publicação do blog do jornalista Jorge Nicola, do portal Yahoo!, sobre o gasto de R$ 4,2 milhões com o vice-presidente de futebol Itair Machado em 2018. A média mensal gira em torno de R$ 350 mil, salário compatível com um jogador de alto nível no futebol brasileiro.

Wagner Pires de Sá revelou que Itair Machado recebe R$ 180 mil por mês e que houve “acréscimo considerável” devido às premiações pagas pelas conquistas do Campeonato Mineiro e da Copa do Brasil.

“No ano passado, um grande clube do futebol brasileiro fez contato comigo solicitando a liberação do Itair e, neste ano, outro grande clube também veio atrás dele. Ele hoje está entre os principais gestores do futebol nacional e a remuneração dele é de R$ 180 mil, compatível com o cargo. No ano passado, ele teve um acréscimo considerável, pois o Cruzeiro venceu a Copa do Brasil e o Campeonato Mineiro, o que rendeu a ele participação na premiação, algo absolutamente normal. Até agora, disputamos cinco competições e vencemos três. Isso é prova da competência dele à frente do futebol”.

Sobre a dívida geral do Cruzeiro, superior a R$ 500 milhões, o presidente ressaltou o parcelamento de R$ 170 milhões em 18 anos e que o restante está sendo equilibrado aos poucos.

“Este é um tema que trabalhamos com bastante atenção, nossa dívida tributária é de R$ 170 milhões e está parcelada em 18 anos. Os outros R$ 320 milhões estão equacionados, reduzimos o valor dos juros de quase 6% para 1,8% e assim estamos conseguindo equilibrar as contas. A dívida em dinheiro mesmo é de R$ 320 milhões”.

Auditoria independente

Responsável pela auditoria independente do balanço, a empresa Oliveira Mendes Auditoria e Assessoria apontou uma ressalva nos demonstrativos divulgados pelo Cruzeiro. Para o escritório, a inclusão do valor da venda de Arrascaeta nas movimentações financeiras de 2018 está “em desacordo com as normas brasileiras de contabilidade”.

Em janeiro de 2019, o Flamengo comprou Arrascaeta por 18 milhões de euros, sendo 13 milhões (R$ 55,2 milhões) pagos exclusivamente por 50% dos direitos econômicos pertencentes ao Cruzeiro e o restante ao Defensor Sporting, do Uruguai. O clube celeste, porém, alegou que já possuía documentos comprobatórios de que a transferência seria realizada desde dezembro de 2018.

Em tese, a receita deveria entrar no balanço patrimonial apenas no exercício de 2019 (publicado em 2020), porém o clube “puxou” o dinheiro de Arrascaeta para 2018 em função de o Profut exigir que entidades desportivas tenham prejuízo de no máximo 10% em relação à arrecadação total em um ano (conforme as contas do Cruzeiro, o gasto de R$ 400,5 milhões foi 7,3% maior que o faturamento de R$ 373,5 milhões).

Relembre os questionamentos feitos pela oposição à diretoria do Cruzeiro sobre o balanço patrimonial:

1. A qual ação refere-se o(s) depósito(s) judicial(is) adicionais em 2018 o qual fez com que o saldo dessa conta aumentasse de R$ 7,5 milhões para 13,5 milhões (aumento de R$ 6 milhões)?

2. A que se refere os adiantamentos feitos a fornecedores que somam R$ 1.144 mil?

3. A que se refere, quais os funcionários e há quanto tempo os funcionários possuem esses adiantamentos no montante de R$ 553 mil?

4. O Cruzeiro Esporte Clube está em atraso com algum imposto? Por que o Imposto de Renda retido na fonte foi de R$ 11,3 milhões em dezembro de 2017 e praticamente triplicou em dezembro de 2018 para R$ 32,3 milhões?

5. O Cruzeiro Esporte Clube possui contas a pagar a clubes nacionais a partir de 2020 no valor de R$ 30,1 milhões. A qual(is) clube(s) nacional(is) refere(m)-se este pagamento e qual o motivo da dívida?

6. Em 2017 não havia nenhum parcelamento com a Receita Federal (nota 16). A que se refere o valor de R$ 21,1 milhões que foram parcelados a partir de 2018? Desde quando o Cruzeiro Esporte Clube atrasou impostos dessa natureza, caso seja esta a motivação?
DRE

7. Qual foi o valor considerado como receita de venda dos direitos do atleta Giorgian De Arrascaeta em 2018?

8. Considerando que houve um aumento de receita de R$ 80 milhões, o que a administração considerou para aumentar os custos de atividades desportivas em outros R$ 80 milhões, considerando que a receita teve esse aumento principalmente em relação à venda dos direitos do atleta G. De Arrascaeta?

9. Por que os custos gerais e administrativos relacionados aos custos de atividades desportiva profissional teve um aumento de 44,7%, um aumento de R$ 12,2 milhões, considerando que o Cruzeiro teve apenas 3 viagens ao exterior a mais em relação a 2017?

10. O Cruzeiro Esporte Clube finalizou as atividades de atletismo. Mesmo com isso, os custos do clube social e esportes amadores aumentaram em R$ 7 milhões. Quais as motivações para este aumento de 48% nestes custos?

11. Sabendo que a estrutura administrativa do Cruzeiro já era grande em 2017, qual a justificativa para aumento de custos de pessoal operacional em 21% (ou R$ 2,6 milhões) – passando de R$ 12,5 milhões para R$ 15,1 milhões.

Fluxo de caixa

12. O demonstrativo de fluxo de caixa indica que os salários e ordenados aumentaram em R$ 9,6 milhões quando comparam-se os salários a pagar em dezembro de 2017 e dezembro de 2018. Esta informação está correta? Se não, qual os valores de salários a pagar ao final de 2017 e ao final de 2018?

13. O Cruzeiro Esporte Clube adquiriu R$ 79 milhões em novos jogadores ou renovação de contrato. Gostaríamos que listassem quais foram esses valores por jogador.

Outros

14. Conforme norma contábil (CPC 26, parágrafo 104), as entidades que apresentarem a DRE por função – como é o caso do Cruzeiro Esporte Clube – deve apresentar os custos por função. Com base nisso, pede-se adicionar esta nota explicativa, incluindo e apresentando a este conselho quais foram os custos com pagamento a agentes esportivos.

15. No dia 16 de abril de 2019, o veículo de imprensa Yahoo noticiou sob o título “Cruzeiro gastou R$ 4,2 milhões com Itair Machado em 2018”. Com isso, solicita-se:

a) Conforme reportagem, Itair Machado recebeu através de uma empresa. Quais são as empresas em que Itair Machado ou pessoas de primeiro grau são sócios e que houve pagamentos do Cruzeiro para estas empresas em 2018?

b) O valor indicado pela reportagem está correto? Se não, qual o valor correto?

c) Quais serviços prestados pela(s) empresa(s) citadas no item (a) e qual o valor cobrado por cada serviço?

d) Quais os valores totais (salários + premiações) recebidos pelo Sr. Itair Machado em 2018 como pessoa física?


Íntegra da posição do Cruzeiro, com respostas do presidente Wagner Pires de Sá

O Cruzeiro Esporte Clube publicou nesta quinta-feira o balanço patrimonial referente ao ano de 2018. A publicação ocorre seis dias antes do prazo regulamentar, que é o dia 30 de abril. Preocupado em manter a transparência nas contas do Clube, o presidente Wagner Pires de Sá determinou que o balanço, aprovado por auditoria externa, fosse enviado antecipadamente para os 514 conselheiros antes de tornar o documento público.

“Penso que a gestão do Clube deve ser conduzida de forma transparente. Por isso mesmo, pedi para que os conselheiros recebessem o documento antes e assim conseguimos publicar o balanço de forma antecipada”, diz o presidente.

No entanto, um fato tem o incomodado bastante. Segundo o presidente, há dentro do Conselho Deliberativo membros que insistem em espalhar boatos, criar factoides e levar para a imprensa o debate sobre assuntos internos do Clube. Com os constantes ataques à sua administração, Wagner Pires de Sá decidiu tomar algumas medidas visando preservar a imagem do Cruzeiro.

“Realmente essas coisas nos chateiam bastante. A chapa derrotada na última eleição pensa que a eleição ainda não acabou. Eu, pessoalmente, vou trabalhar para colher assinaturas pedindo a exclusão de conselheiros por conduta inadequada a um conselheiro do Cruzeiro”, promete o presidente.

Na última quarta-feira, o site superesportes.com publicou uma matéria, onde membros da oposição prometem protocolar um pedido de esclarecimento sobre o balanço do Cruzeiro levantando dúvidas de forma leviana. “As questões levantadas são até compreensíveis para algum conselheiro que não participou da gestão anterior, mas inaceitável para alguém que esteve dentro e ajudou a colocar o Cruzeiro em grave crise financeira”, alega o presidente.

Wagner Pires de Sá entende que os assuntos da gestão do Clube têm fórum próprio para serem discutidos. A partir do momento que são levados para a imprensa, antes mesmo de serem debatidos internamente é uma prova de que o intuito é tumultuar. “Esse grupo, que se diz liderado pelos gestores anteriores, deveria ter trabalhado melhor para não ter deixado o buraco que deixou”, afirma o presidente.

Na reportagem, o site informa que “teve acesso à carta que já circula entre conselheiros do clube desde a manhã desta quarta-feira”. “Mais uma mentira destes conselheiros, pois não há nenhuma carta circulando e tão pouco assinaturas. O que há de fato é uma mensagem que circula via WhatsApp com este conteúdo. Mas documento oficial até agora nada”, informa o presidente.

Algumas questões sobre as contas do Clube deixam claro o objetivo de tumultuar o ambiente. Umas delas fala sobre uma dívida inexistente de R$ 30,1 milhões com clube(s) nacional(is) e outra com a clara intenção de prejudicar o Cruzeiro lança dúvida sobre a remuneração de Itair Machado, executivo do futebol.

“No ano passado, um grande clube do futebol brasileiro fez contato comigo solicitando a liberação do Itair e, neste ano, outro grande clube também veio atrás dele. Ele hoje está entre os principais gestores do futebol nacional e a remuneração dele é de R$ 180 mil, compatível com o cargo. No ano passado, ele teve um acréscimo considerável, pois o Cruzeiro venceu a Copa do Brasil e o Campeonato Mineiro, o que rendeu a ele participação na premiação, algo absolutamente normal. Até agora, disputamos cinco competições e vencemos três. Isso é prova da competência dele à frente do futebol”, enfatiza o presidente Wagner.

Em relação à dívida apontada no balanço, o presidente está trabalhando em busca de soluções para equacioná-la. “Este é um tema que trabalhamos com bastante atenção, nossa dívida tributária é de R$ 170 milhões e está parcelada em 18 anos. Os outros R$ 320 milhões estão equacionados, reduzimos o valor dos juros de quase 6% para 1,8% e assim estamos conseguindo equilibrar as contas. A dívida em dinheiro mesmo é de R$ 320 milhões”, tranquiliza o presidente.

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