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Desafios que o novo técnico Rogério Ceni encontrará agora no Cruzeiro

Treinador terá a missão de recuperar um time que começou bem o ano e ficou irreconhecível

postado em 13/08/2019 09:07 / atualizado em 13/08/2019 10:12

<i>(Foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)</i>
Afetado por graves denúncias de corrupção, lavagem de dinheiro e falsificação de documentos envolvendo a atual diretoria e pela acentuada queda de rendimento em campo, o Cruzeiro começa a partir des terça-feira uma nova era sob o comando do ex-goleiro Rogério Ceni, de 46 anos. Ainda com pouca experiência à beira dos gramados, o treinador assume a equipe em momento de intensa pressão, com a incumbência de buscar os resultados positivos a curto prazo e a acalmar os ânimos do torcedor.

O cartão de visitas de Rogério Ceni no novo clube será apresentado contra o Santos, domingo, às 16h, no Mineirão, pela 15ª rodada do Campeonato Brasileiro. O recém-chegado técnico encontrará uma equipe recém-eliminada da Copa Libertadores, que aparece na zona de rebaixamento do Nacional, está sem confiança, mostrou dificuldades para criar jogadas e balançar as redes nos últimos jogos e vem falhando constantemente na defesa. Depois da Copa América, a equipe venceu apenas um dos 10 jogos (o clássico com o Atlético pela Copa do Brasil), não marcou gol em oito e foi vazada nove vezes.

Além da recuperação no Brasileiro, ele terá como árdua missão classificar a equipe à terceira decisão seguida da Copa do Brasil – os celestes perderam o jogo de ida por 1 a 0 para o Internacional, no Mineirão, e terão de vencer por um gol de vantagem no Sul, no mês que vem, para levar a decisão da vaga para os pênaltis.

Entre os dirigentes celestes, existe a confiança de que a vinda de Rogério poderá mexer emocionalmente com o grupo, que se desgastou muito com Mano Menezes em virtude dos resultados ruins em sequência. “Rogério está começando a carreira. A gente vê pela forma de seu ex-time jogar. Observamos que quando eles faziam gol todos os jogadores corriam para abraçá-lo. Ele tem uma vibração de jogador ainda. É o que a gente está buscando. A gente espera que ele possa nos ajudar. É o treinador que estamos apostando. Sempre tivemos o Mano como um líder, mas ele acabou saindo em virtude da falta de resultados, mas a gente vê o Rogério como grande líder e que vai poder nos ajudar”, destacou o diretor de futebol Marcelo Djian. Na negociação, ficou acertado que o Cruzeiro terá de pagar R$ 1 milhão de multa rescisória ao Fortaleza pela quebra do contrato.

O armador Robinho confia que a mudança de comando poderá surtir efeito imediato: “Se ele está vindo é porque ele confia no grupo. Tem que resgatar a nossa confiança. Esse é o principal trabalho dele. Tenho certeza de que ele vai fazer isso da melhor maneira possível e o mais rápido possível.”
<i>(Foto: Bruno Haddad/Cruzeiro)</i>

Depois de ter o seu primeiro trabalho como treinador interrompido no São Paulo com pouco mais de sete meses, a carreira de Rogério Ceni teve ascensão no  Fortaleza. Em um ano e sete meses no Nordeste, o treinador conquistou a Série B do Brasileiro no ano passado, o Campeonato Cearense e a Copa do Nordeste na atual temporada. Pelo tricolor, foram 60,6% de aproveitamento: 94 jogos, com 51 vitórias, 18 empates e 25 derrotas. Recentemente, o Atlético o cobiçou para o lugar de Levir Culpi, mas o treinador não aceitou a proposta por estar disputando a decisão estadual. Para o lugar do ex-goleiro, o Fortaleza já contratou Zé Ricardo.

SEM ANSIEDADE

Se os vários fatores negativos se tornam uma pressão a mais para Rogério, há sempre uma ponta de  esperança. A equipe acabou com a ansiedade e interrompeu jejum de oito jogos sem levar gol no empate por 2 a 2 com o Avaí, em Santa Catarina, sob o comando do técnico do time Sub-20, Ricardo Resende. Ele tem a favor também o fato de comandar um grupo que está junto há praticamente três anos e conta com entrosamento.

O novo treinador pode ter de buscar as soluções dentro do próprio grupo, já que o clube vive grave crise financeira (com direito a atraso nos salários) e dificilmente deve contratar alguma peça até o fim do ano. Rogério Ceni tem como alternativa dar espaço aos jogadores da base que já vinham tendo chances de ficar no banco, como o lateral-direito Weverton, o armador Maurício e o atacante Vinícius Popó.

OS PILARES PARA A REAÇÃO CELESTE

- Trabalhar o emocional do grupo, que se encontra abalado por causa dos resultados ruins recentes, da situação perigosa no Campeonato Brasileiro e da eliminação na Libertadores;

- Treinar novas situações táticas para que a equipe volte a criar jogadas e a marcar gols com frequência;

- Organizar melhor o sistema de marcação para reduzir as falhas defensivas que custaram pontos importantes nos últimos jogos;

- Ajudar na recuperação de atletas como Thiago Neves, Marquinhos Gabriel e Fred;

- Buscar soluções no próprio grupo para amenizar as perdas recentes, como a do zagueiro Murilo, dos volantes Lucas Romero e Lucas Silva e do atacante Raniel.

O QUE PODE AJUDAR O TREINADOR

- Equipe tem entrosamento consolidado e joga junta há praticamente três temporadas;

- Novo comandante conta com respaldo da diretoria e com tempo para colocar a equipe nos trilhos;

- Apesar da má fase, Raposa conta com jogadores respeitados em suas posições, como o goleiro Fábio, os zagueiros Dedé e Leo e o atacante Pedro Rocha;

- Vaga na terceira final consecutiva da Copa do Brasil é um fator de motivação. Mesmo com derrota no primeiro jogo com o Inter, virada ainda é algo dentro das possibilidades;

- A tradição do clube é um trunfo importante: o peso da camisa pode ser uma arma na luta para fugir da degola e na classificação na Copa do Brasil.

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