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Edilson diz que deu prazo e parcelou salários atrasados para seguir no Cruzeiro em 2020

Lateral compreendeu dificuldades financeiras enfrentadas pelo clube

postado em 15/01/2020 15:55 / atualizado em 15/01/2020 19:40

(Foto: Ramon Lisboa/EM D.A Press)
Um dos jogadores mais criticados da campanha desastrosa que culminou no rebaixamento do Cruzeiro à Série B do Campeonato Brasileiro, o lateral-direito Edilson seguirá no clube. Em entrevista coletiva nesta quarta-feira, ele revelou que, além de reduzir os vencimentos, aceitou parcelar salários atrasados e outras verbas trabalhistas que o clube não pagou nos últimos meses. 

“O que é contratual, que estava atrasado, parcelei para outros anos. É muito díficil, mesmo ganhando bem ou não, ficar muito tempo sem receber. Eu abri mão porque as pessoas que estão aqui hoje, os gestores do clube, estão mostrando seriedade. Novos diretores, gestores do clube. Eu tive que me adequar. Optei por ficar por isso”, disse.

A maioria do elenco do Cruzeiro ainda não recebeu vencimentos de novembro e dezembro. Também não foram quitados 13º salário, adicional de férias e parcelas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), direitos previstos na CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas).

Apesar do desejo de permanência, Edilson sabe que será alvo de críticas da maior parte da torcida, que não se mostrou muito satisfeita com a decisão do lateral-direito. Ele afirmou que está preparado para o julgamento dos cruzeirenses. 

“Eu sei que vão vir críticas, como também tem apoio de torcedores, tenho visto nas redes sociais. Mas eu acho que tenho que fazer meu melhor, tentar esquecer o que passou. Não posso mudar o que passou, o que aconteceu em 2019. Mas posso fazer diferente em 2020. Me dedicar, treinar, tentar ajudar meus companheiros, o Adilson, se adequar a situação do Cruzeiro atual e é isso que tenho feito. Meu pensamento é esse. Trabalhar em silêncio e minha resposta tem que ser dentro de campo, em ação, em ser um líder dentro de campo”, projetou.

Veja outros pontos da entrevista de Edilson na Toca II:


Negociação com o Grêmio

Toda negociação pode acontecer ou não. Foi assim que foi tratada minha volta ao Grêmio. Tive uma conversa, mas ambas as partes não se entenderam e eu não fui. Desde o início, não partiu de mim isso daí, e sim a diretoria antiga, que acabou falando com o pessoal do Grêmio sobre meu retorno, até sem eu saber. Pensamento agora é aqui. Desde que se encerrou a negociação, juntamente com meu empresário, família, o pensamento era de ficar aqui nessa reconstrução. Acho que esse que é meu pensamento em 2020, pensar no Cruzeiro e esquecer o que passou.

Temporada 2019 desastrosa

Em 2018, na minha chegada, nós conquistamos títulos juntos, foi um ano muito bom. Ano passado, no primeiro semestre, eu pude jogar alguns jogos, nosso time estava super bem, cotado como um dos melhores do país. Antes da parada da Copa tive lesões e, no momento mais difícil do Cruzeiro, não estava na melhor condição física em função das lesões. O meu objetivo sempre foi tentar ajudar, mesmo sem estar bem, e isso acabou me prejudicando muito nesse segundo semestre. Eu sempre tento não deixar meus companheiros na mão. Por isso que eu falei, várias vezes já aconteceu de eu viver momentos ruins. Toda vez que fui colocado à prova, dei a volta por cima. Foi assim quando saí do Botafogo, fui para o Corinthians e fui campeão do Brasileiro. Sem sombra de dúvidas, esse ano eu estou sendo colocado à prova. Assumo responsabilidade, junto com todos. O rebaixamento do Cruzeiro, de forma geral, teve envolvimento muito grande de muitas pessoas e assumo minha responsabilidade. Sei que nessa reconstrução vão vir críticas e estou preparado para elas. Sou bastante experiente.

Amizade com Thiago Neves prejudicou?

Eu acho que para o torcedor, sim. Quem vive o dia a dia não. Sou amigo do Thiago, do Fábio, dos meninos. De todo mundo. Evidencia mais porque, nas comemorações, o Thiago estava comigo. Nosso vestiário, nosso clima, sempre foi um dos melhores possível. Quem vive o dia a dia sabe disso. Todas as coisas ruins no passado, não podemos mudar. Agora, num futuro, de reconstrução, num momento delicado, isso sim a gente pode. Passado a gente não pode mudar mais.

Saídas de vários jogadores experientes

É muito particular de cada um e a gente nem pode falar nada desses jogadores que saíram. Mais importante é a gente lembrar o que eles fizeram. O clube está passando por uma situação complicada financeiramente, são vários meses atrasados e alguns jogadores tomaram rumos diferentes. É bem particular de cada um. É muito pensamento de jogador, de seus empresários, e cada um busca o melhor. O melhor para mim hoje é o Cruzeiro. É por isso que resolvi ficar.

Declaração de Vittorio Medioli, ex-CEO do Cruzeiro, sobre cachaceiros no futebol

Eu não vi a declaração dele. Eu acredito que, há anos atrás, o futebol era um pouco mais largado. Hoje em dia há uma preparação, acho que a maioria dos jogadores, além do clube em si, tem um acompanhamento com nutricionista. A coisa é muito profissional, se não, não tem resultado. Todo mundo tem sua vida social, seu momento, algumas coisas a gente não pode concordar. Eu acredito que o que o jogador de vôlei faz fora de campo seja parecido com o do futebol. Somos muito regrados. Falo por mim e pelos meus companheiros.

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