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Eleições do Cruzeiro: Ronaldo Granata enumera pilares de plano de gestão, projeta alugar a Sede e fala de declarações polêmicas

Pleito no próximo dia 21 definirá quem presidirá o clube até 31 de dezembro

postado em 20/05/2020 06:00 / atualizado em 20/05/2020 02:50

(Foto: Superesportes)
O Conselho Deliberativo do Cruzeiro escolherá na próxima quinta-feira, dia 21, o presidente que assumirá as funções em mandato-tampão até 31 de dezembro. Depois de ouvir os quatro candidatos ao posto de mandatário do órgão, o Superesportes publica entrevistas com os dois postulantes ao cargo de chefe do executivo. Sérgio Santos Rodrigues participou nessa terça, e Ronaldo Granata respondeu aos questionamentos nesta quarta, véspera do pleito.

Assim como na última série de entrevistas, foram realizadas perguntas fixas, feitas aos dois candidatos, e outras específicas, para tratar da trajetória deles no Cruzeiro. Cada um teve até 40 minutos para responder os questionamentos. Em função da pandemia de coronavírus, as perguntas foram feitas por meio de vídeo-chamada.

Ex-segundo vice-presidente na gestão Wagner Pires de Sá, Granata se candidata pela primeira vez ao posto de mandatário. Empresário, ele revela os três pilares de seu plano de gestão, projeta alugar o prédio da Sede Administrativa do Cruzeiro para enxugar despesas e responde sobre declarações polêmicas que deu ao longo dos últimos anos. 

*Esta entrevista foi realizada antes de o Cruzeiro ser punido pela Fifa com a perda de seis pontos na Série B do Campeonato Brasileiro deste ano.

Gostaria, inicialmente, que o senhor se apresentasse rapidamente ao torcedor. Principais funções exercidas ao longo da carreira profissional e breve histórico no Cruzeiro.

Eu nasci dentro do Cruzeiro, passei a minha vida inteira dentro do clube, dentro do clube social. Fui muito jovem promovido ao cargo de conselheiro efetivo, jovem também cheguei ao cargo de conselheiro nato, onde a maioria das pessoas têm mais de 70 anos. Sou de uma família fundadora do clube, uma família italiana e tradicional do Barro Preto. A minha família está lá desde antes da fundação do Cruzeiro. O Cruzeiro foi fundado por uma classe de proletários e de pessoas humildes, pessoas simples. 

Profissionalmente, iniciei minha carreira trabalhando na padaria dos meus tios, no Barro Preto, em frente ao Cruzeiro. Aprendi a conhecer o ser humano e a lidar com o público. Trabalhei em todas as áreas da indústria, trabalhei na venda, no pós-venda e aprendi muito com os meus tios. A padaria foi fundada pelo meu avô Nicola Granata, que foi tesoureiro do Palestra Itália e um dos fundadores. Hoje, eu trabalho na construção civil aqui em Belo Horizonte e atuo no ramo da agricultura e pecuária.  

Um dos principais anseios do torcedor é a votação de um novo Estatuto pelo Conselho Deliberativo. Essa é uma de suas bandeiras? O senhor pode garantir que, caso eleito, se esforçará para que o Cruzeiro tenha um novo Estatuto até 31 de dezembro?

Eu queria aproveitar essa pergunta para ressaltar a importância e a responsabilidade de nós conselheiros elegermos o presidente do Conselho e uma chapa comprometida com essa mudança. Essa parte é uma parte legislativa do clube, é claro que, como nós vamos estar na parte executiva, nós vamos apoiar e dar força para essa nova mesa diretora do Conselho trabalhar nisso. 

O que eu peço e o que eu venho lutando é para que esse Estatuto seja muito bem discutido, seja muito bem elaborado e seja mais democrático. Nós precisamos de um Estatuto mais democrático. O Estatuto do Cruzeiro hoje, além de ultrapassado, é um Estatuto muito engessado. Eu falo como conselheiro, eu vou trabalhar na discussão deste Estatuto, na elaboração das normas e vou opinar, porque nós vamos precisar de um Estatuto moderno.

Eu quero deixar bem claro que quem faz a readequação do Estatuto não é o presidente do clube, não é o presidente do Conselho, quem é responsável por isso somos nós conselheiros. O Conselho do Cruzeiro é soberano para fazer essa melhoria que passou da hora, nós estamos em um momento muito favorável para isso, porque já está tendo uma mudança de fora para dentro e, além dessa cobrança que vem da torcida, eu vejo um anseio muito grande do conselheiro do Cruzeiro em readequar o Estatuto, modernizar o Estatuto.

Há uma demanda antiga do torcedor por mais democracia no clube, voto para sócio-torcedor. No que depender do senhor, o sócio-torcedor também terá direito a voto no Cruzeiro?

Eu acho que essa responsabilidade é muito maior de quem ganhar a eleição para a presidência do Conselho com a mesa diretora do que da parte executiva do clube. Eu defendo a valorização do conselheiro e a abertura da torcida votar, até como uma forma de engajamento do torcedor, de participação da torcida e uma forma de democratização do clube. A hora que eu falo que o Cruzeiro precisa ser mais democrático é porque acho que a nossa instituição é muito grande para poucos terem o poder de decisão. 

Mas eu ressalto que o direito de voto do conselheiro que fez sua carreira política dentro do clube, o conselheiro que participou e seguiu as regras do clube, isso tem que ser preservado e o Conselho tem que ter uma sensibilidade grande. Eu volto a enfatizar: o Conselho do Cruzeiro é soberano para aprovar a mudança no Estatuto. Então, eu vejo uma balança muito grande aí para preservar  o direito do conselheiro e dar direito de voto ao torcedor. Nós estamos passando por auditorias internas, estamos sendo investigados por órgãos externos e acho que a com essa faxina feita pelo Conselho Gestor, o campo está totalmente propício para essa modernização e democratização do voto, preservando o voto daqueles que fizeram carreira política dentro do Cruzeiro. 

Caso vença a eleição, o senhor terá, tão logo assuma o clube, a dura missão de pagar, possivelmente já na primeira semana de trabalho, dívidas milionárias na Fifa. O senhor já sabe de onde vai tirar esse dinheiro? Se sim, de onde é? Pode garantir que o Cruzeiro não perderá pontos na Série B, em função de possíveis punições, caso o senhor seja eleito?

Nós já estamos conversando sobre essas dívidas e várias pessoas que acreditam na força da marca Cruzeiro com interesse de aportar recurso e acreditam na nossa instituição. Eu bato muito nessa tecla para a gente conseguir trazer grupos financeiros, instituições financeiras, grupos de investidores e pessoas físicas que acreditam no Cruzeiro. O primeiro passo a ser dado é a nossa eleição no dia 21. Temos uma chapa de excelência, com pessoas honradas e que vão gerar essa credibilidade para o mercado e na nossa volta para o patamar que o Cruzeiro nunca deveria ter saído. 

Todas as nossas tratativas com os parceiros estão bem adiantadas e todas têm interesse em aportar na marca Cruzeiro. Nós estamos com a segurança e com o respaldo de pessoas honestas e que estão interessadas em vir para o Cruzeiro. Todo mundo querendo aportar e investir na marca e para isso nós precisamos ganhar a eleição e concretizar o nosso planejamento para dar continuidade a tudo que foi acertado pelo Conselho Gestor. Nós contamos com pessoas que acreditam no poder do Cruzeiro, na força do gigante que está prestes a se recuperar e se levantar. 

O Conselho Gestor contratou há pouco um diretor de futebol e um técnico, que nem sequer estreou. Qual sua avaliação desses profissionais? O senhor irá mantê-los? E emendando, gostaria que você fizesse uma análise do atual elenco do time também, por favor. 

Fizemos uma reunião e discutimos amplamente sobre o futebol. Nossa decisão foi unanimidade para a manutenção da equipe de futebol, do treinador e do Drubscky. A nossa percepção conjunta, minha e dos dois vices Maurício Silva e Ailton Ricaldoni, é a manutenção da diretoria de futebol e do treinador. 

Sobre o elenco, achamos que o Cruzeiro para aspirar qualquer projeto e qualquer objetivo que a gente tenha, que hoje é a volta à Série A, nós precisamos de contratações pontuais e nós só começaremos essa busca por contratações pontuais quando tivermos uma reunião com o departamento de futebol. Nós precisamos de estar afinados nessa contratação com o departamento de futebol, a gente vai sempre andar em sintonia com o departamento de futebol até o final do mandato. 

Queria que o senhor listasse de três a cinco projetos que julga essenciais no Cruzeiro, seja relativo a base, profissional, Mineirão, sócio-torcedor. E projetos que o senhor entende que são viáveis de implementar neste mandato-tampão, até 31 de dezembro. 

Vou falar alguns pilares da nossa administração. O primeiro, que a nossa diretoria vai trabalhar, é a pacificação política do clube. O segundo é a reunião de credores. O terceiro é a reestruturação da parte organizacional do clube. Em seguida, nós vamos enxugar as despesas, terceirizar o máximo possível e trabalhar com um teto salarial dentro da nossa realidade atual, aprimoramento na base focada na revelação de atletas. 

A nossa chapa enxerga a base como a salvação, a redenção do Cruzeiro. Nós vamos investir e aperfeiçoar nossa base, focando em revelar atletas. O nosso principal foco será revelar atletas, com a integração entre a base e o profissional. Nós queremos que a base caminhe ao lado do profissional com a sintonia do técnico do profissional com a equipe de base e implantar a filosofia do profissional, do toque de bola, das características do Cruzeiro, do futebol ofensivo e do jeito que o Cruzeiro sempre jogou na nossa história. Nós queremos implantar essa filosofia na base e aproximar a base do profissional. 

Nós queremos, neste projeto de enxugar as despesas, alugar a nossa Sede Administrativa e passar as diretorias para as sedes sociais e Toca I e Toca II. Com isso, nós vamos ter um corte gigantesco das despesas e ainda teremos a receita do aluguel. No futebol profissional eu já falei, nós vamos contratar e vender atletas sempre no compasso e sincronia entre a diretoria executiva do clube e a diretoria do futebol e a comissão técnica. 

Você já tem pessoas para compor uma diretoria, caso eleito? Já chegou a conversar com pessoas sobre isso? 

Nós temos conversas, nós já estamos analisando profissionais que já trabalharam nas áreas específicas e já estamos procurando montar uma equipe de excelência, com pessoas sérias, comprometidas e alinhadas à nossa realidade salarial. O Cruzeiro tem que contratar pessoas para essas diretorias de acordo com o nosso planejamento financeiro. Nós não vamos fazer loucuras de contratar pessoas formadas em Harvard, na USP, no ITA, nós queremos pessoas que estão dentro da realidade que o Cruzeiro possa pagar.

Nós precisamos gerar recursos para abater dívidas e fazer caixa. O Cruzeiro hoje tem que ter uma reestruturação financeira muito bem feita. Por isso nossa chapa tem pessoas competentes e da área específica financeira. O Maurício Silva é gestor financeiro e empresário e, o Ailton Ricaldoni é um grande empresário, com nome no mercado. Nós fazemos parte de um time e nós vamos ter total capacidade para começar essa reestruturação. Eu procurei uma chapa de pessoas que tenham competência, são da área e geram credibilidade ao mercado.

Em entrevista recente à Rádio 98FM, o senhor elogiou o trabalho de Vittorio Galinari na Sede Campestre e defendeu os conselheiros expulsos do clube. Essas foram declarações dadas por estratégia política ou o senhor realmente considera legítima a conduta deles, de serem remunerados pelo clube, mesmo com o Estatuto vetando a prática?

A defesa do conselheiro Vittorio não foi defesa. Eu falei que ele fez um bom trabalho para a Sede Campestre, vários sócios elogiam o trabalho que ele fez, mas depois que eu fiz essa defesa, eu recebi vários telefonemas de pessoas falando que teve um problema lá, que está tendo auditoria interna e ele está sendo investigado por causa de várias problemas que aconteceram. Isso não era do meu conhecimento. O meu intuito não era político, eu já sabia que ele estava pedindo votos para o candidato adversário, todos conselheiros sabem, ele ligou para vários conselheiros pedindo votos para meu adversário e não teve intuito político nenhum. 

O meu intuito foi de acalmar os ânimos porque várias vezes esse funcionário do clube reclamou de ameaças que ele sofreu via WhatsApp, retaliações. Entraram na Sede Campestre para agredir ele e outro funcionário, o Gaúcho. A hora que eu falei aquilo foi simplesmente para acalmar os ânimos, porque eu sei, como pai de família, como é ruim ser ameaçado, ele próprio deve estar com medo de sair na rua e sofrer retaliação. Não teve intuito político nenhum, não sou advogado de defesa de ninguém.

Se ele errou lá com o que está sendo investigado, se ele errou, como todo o cidadão que acredita nas leis desse país, ele tem que pagar, mas o intuito não foi trazer para o meu lado. Ele já se posicionou, eu respeito todo mundo que se posiciona. Acho que ele tem direito político de pedir voto para o candidato que ele quiser, só que eu queria que ele pedisse voto para o candidato que fosse melhor para o Cruzeiro e não pedir voto para alguém que possa prometer alguma coisa para ele. 

Então, foi uma declaração pacificadora só que após eu ter dito sobre o trabalho dele, eu comecei a receber uma enxurrada de telefonemas falando do outro lado. Eu conhecia o lado bom para os sócios, agora as declarações e investigações, isso aí eu fiquei a par logo após a entrevista. Eu tomei muita pancada de conselheiros, principalmente de conselheiros que frequentam a Sede Campestre, me bateram demais e falaram que eu não podia ter feito isso, mas foi nas melhores intenções de pacificar uma situação que eu achei que era perigosa até pelo que ele estava recebendo de ameaças e agressões verbais. 

O que você pensa sobre as expulsões dos conselheiros?

Eu sou muito claro quanto a esse tipo de situação. Primeiro, eu defendo que a nossa diretoria vai cumprir fielmente o Estatuto e o regimento interno. A diretoria executiva do clube tem o dever e a obrigação moral e ética de cumprir o que o legislativo determina. O Estatuto fala que o conselheiro não pode ser remunerado no clube. Eu acho até legítimo o Cruzeiro estar precisando de alguém que conheça a área, já trabalhou na área, pessoa honesta e que dê resultado para o clube, se for conselheiro ele vai ter que optar: se for remunerado, ele vai ter que abrir mão do cargo de conselheiro e passar ser funcionário do clube, isso é uma decisão unânime nossa. 

Quanto aos que foram expulsos, eu falei justamente isso: teve conselheiro ali que deveria ser expulso até do quadro social do clube, não só do conselho. Tinha conselheiro ali que não trabalhava, morava em outro estado, nunca bateu ponto no clube e recebia. Isso é uma afronta muito grande, acho que qualquer conselheiro, torcedor, qualquer ser humano independente de ser cruzeirense ou não, se revolta com uma situação dessa. Eu falo que isso é o mensalão, isso é uma irregularidade. Eu defendo que esse tipo de conselheiro, essa pessoa se vendeu, não pode ter a mesma penalidade que o conselheiro que trabalhou, suou a camisa e deu lucro para o time. 

Nós temos que ter dois critérios de avaliação e dois critérios de punição: um é o que não trabalhou e o outro que suou a camisa e deixou resultado, gerou lucro para o clube. Eu defendo dois tipos de situações e dois tipos de penas. Não sou advogado de defesa ou de acusação, nós temos a comissão fiscalizadora, a Comissão de Ética. Inclusive tem um caso de um cargo de R$ 95 mil*, eu defendo a expulsão dessa pessoa que nunca pisou no Cruzeiro e de vários outros como essa situação, que nunca deram um real de lucro e tem que ser expulso do quadro social, mas antes disso tem que devolver o dinheiro que não é dele, é um dinheiro que está fazendo falta para o Cruzeiro e é a hora de mostrar que ele é realmente cruzeirense e gosta do clube.   

*De acordo com o ex-presidente Wagner Pires de Sá, o filho do também ex-presidente Zezé Perrella, Gustavo Perrella, prestou consultoria ao Cruzeiro e recebeu R$ 95 mil mensais, por três meses, pelos serviços prestados

O senhor participou daquela reportagem do Fantástico e afirmou que os conselheiros do Cruzeiro eram como “vaquinhas de presépio”, reforçando a omissão do Conselho Deliberativo durante grande período da gestão Wagner Pires de Sá. Como tem sido seu processo de articulação e busca por votos com aqueles que você mesmo chamou de “vaquinhas de presépio”? Sabemos que, hoje, o Conselho do Cruzeiro é fragmentado. Qual é sua base de apoio?

Sobre a utilização do termo ‘vaquinha de presépio’, uma equipe do canal SporTV me mostrou um recibo de pagamento de funcionário, desse funcionário que eu citei na pergunta anterior, que não morava no estado, eu acho que ele morava no Espírito Santo e não vinha a Belo Horizonte, não pisava nas dependências do clube, não trabalhava para o clube e eles me perguntaram o que eu achava de um funcionário ganhar aquele valor de salário mensal e não trabalhar. 

Eu falei que aquilo era compra de votos explícita, que aquilo era um mensalão e que aquele conselheiro não podia aprovar conta, não podia tomar decisões para o clube e não podia votar ou ser votado, porque ele ia votar tudo de acordo com quem pagasse o salário dele, no caso a atual diretoria. Nesse tipo de situação ele passa a ser um mensaleiro, um manipulado, uma vaquinha de presépio. Ele vai concordar com tudo, vai abaixar a cabeça para tudo que a diretoria pretende fazer. A frase foi mal interpretada, mas vários conselheiros entenderam a minha revolta como cruzeirense, a minha indignação. Vários conselheiros entenderam que eu não estava me referindo ao conselho inteiro, eu estava me referindo ao mensaleiro, àquele conselheiro que não pensa no Cruzeiro e só pensa no bolso dele. 

Como tem sido a sua articulação com o Conselho Deliberativo e demais conselheiros? Qual é o seu grupo de apoio para vencer a eleição no Cruzeiro? Você está otimista com essa vitória? 

Nós lançamos nossa campanha no momento certo. Nós defendíamos a aclamação de um candidato escolhido pelo Conselho Gestor, o nosso grupo de conselheiros achava que o nome indicado pelo Conselho Gestor acalmaria os ânimos dentro do Conselho, geraria uma base política muito bem-vinda ao clube e necessária neste momento. 

Quando o candidato adversário registrou a campanha para bater chapa com o Conselho Gestor e o Conselho Gestor retirou-se da disputa... Eles retiraram a campanha e eu concordo com a atitude deles, acho que a atitude deles foi nobre e acho que faltou um pouco de maturidade, de pensar mais no Cruzeiro do grupo político adversário e trabalhar mais as bases e melhorar as propostas, buscar mais parceiros. 

Nós teríamos aí um período muito bom, uns meses bons de calmaria, paz e harmonia dentro do clube. Quando o grupo político adversário histórico nosso, que a gente é adversário desses ex-presidentes que estão do outro lado lá há várias décadas, na hora que esse grupo político radicalizou, não aceitou conversa, não aceitou composição com o Conselho Gestor, nós não achamos uma maneira coerente, um modo republicano de agir. Nós entramos para ganhar e como eu nasci dentro do clube, eu conheço o conselho do Cruzeiro. A maioria dos conselheiros do clube me conhece desde que eu nasci, principalmente dos natos. Eu tenho o Maurício, que é uma pessoa que se relaciona muito bem na Campestre, é uma pessoa totalmente capacitada e que entra em todos os grupos políticos dentro do Cruzeiro, é uma pessoa muito respeitada.

Juntamos a isso o Ricaldoni, que é uma pessoa ligada ao Conselho Gestor e muito influente nos bastidores, naqueles grupos de conselheiros que são empresários e que têm pouco tempo para frequentar a sede social. Nós fizemos um fechamento desses conselheiros do Barro Preto, da Campestre e desses conselheiros que não frequentam as sedes sociais do clube, que é onde o Ricaldoni atua. 

Então, a nossa chapa foi estrategicamente pensada e com a qualidade de trabalho e uma capacidade de trabalho muito grande. Essa chapa não tem compromissos com apoiadores, sem loteamentos de cargos, sem influências de ex-dirigentes e ex-presidentes e nós não devemos valores a essas pessoas. Nós estamos chegando à presidência do Cruzeiro muito leves, sem dever favores a cacique político nenhum.

O senhor chamou seus pares de vaquinhas de presépio no passado, mas também não conhecemos quais foram seus atos para defender o clube durante a gestão de Wagner. Além de ter rompido no início do mandato, o que o senhor tentou fazer para impedir os mandos e desmandos da antiga administração? E por que foi tão resistente com a renúncia que poderia colocar fim ao mandato do Wagner no fim do ano passado?

Nós ganhamos a eleição em outubro e no dia da posse já tinha um rompimento muito claro, já tinha sido divulgado pela imprensa esse rompimento nosso. O que eu fiz efetivamente na gestão? Todo erro da administração eu questionava o presidente, a diretoria, e vários desses questionamentos foram feitos publicamente. Vou te dar um exemplo: eu fui para a imprensa mais de um ano atrás, exigir que ele afastasse dois funcionários e os demais funcionários envolvidos em escândalos divulgados pela imprensa. 

Eu falei para o presidente Wagner ‘afaste os investigados até que sejam apuradas as denúncias’. Eu fiz pedidos, cobranças e várias exigências internamente e via imprensa. Tudo o que estava no meu alcance, eu estava determinado em implantar uma questão, eu pregava muito a decência do trabalho da diretoria. Eu não acredito em bom negócio com gente ruim, com gente que não tem boas referências. 

Eu quero aproveitar essa última pergunta para me redimir de um erro, que o primeiro vice da chapa me chamou atenção, já que ele estava ao meu lado. Quando eu faço crítica à essa administração do Wagner, eu me refiro aos que foram investigados, afastados e que tiveram envolvimento comprovado nos erros e na má gestão.

Vou citar dois exemplos de pessoas que são pessoas íntegras e honradas e como elas têm várias outras dentro do grupo. O senhor Hermínio Lemos, ex-primeiro vice-presidente assim como eu, foi cerceado de vários direitos. Então, eu não posso jogar todo mundo na vala comum, porque a administração Wagner teve pessoas que trabalharam, se dedicaram e são comprometidas com essa instituição. Eu peço publicamente desculpas ao senhor Hermínio Lemos e ao Older Milhorato, que é um conselheiro nosso e também é uma pessoa que, com todas as informações que a gente tem dele, é uma pessoa correta e de caráter. Não posso julgar esses dois, assim como tinham mais pessoas honestas e pessoas direitas dentro da administração, eu não posso generalizar e falar que todos erraram. 

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