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Enderson ressalta busca por 'novo caminho' no Cruzeiro e avalia elenco para a Série B

Técnico trabalha para montar grupo enxuto e com qualidade de jogo

postado em 06/06/2020 06:00 / atualizado em 06/06/2020 16:22

(Foto: Bruno Haddad/Cruzeiro)
O técnico Enderson Moreira ressaltou a necessidade de condutas importantes no Cruzeiro para alcançar o principal objetivo da temporada: o acesso da Série B para a A no Campeonato Brasileiro. Segundo ele, o presidente recém-empossado Sérgio Santos Rodrigues precisa tomar decisões radicais na busca por “novo caminho” no clube, que viu a dívida total superar R$ 800 milhões na gestão de Wagner Pires de Sá (2018-2019) e se tornar impagável pelos próximos anos.

“O grande desafio do Cruzeiro é a competição da Série B. O Cruzeiro passa por um momento de readequação em termos de investimento, de uma série de coisas. São condutas importantes que o clube precisa fazer, de uma maneira até muito radical, e o presidente tem consciência disso para que a gente possa buscar um novo caminho. O presidente fala muito na construção de um Cruzeiro novo, isso é muito positivo. Que a gente possa contribuir de todas as formas”.
 
 

Na manhã dessa sexta-feira, a diretoria surpreendeu ao comunicar a saída de dois jogadores experientes do grupo: Edilson, de 33 anos, Robinho, de 32. Ambos haviam aceitado no início do ano a repactuação de suas remunerações dentro do teto mensal de R$ 150 mil. A diferença seria paga em 20 parcelas a partir de abril de 2021. Enquanto o lateral-direito tinha vencimento original de R$ 500 mil, o meia recebia R$ 450 mil. Na quinta, a diretoria encaminhou a venda de 70% dos direitos econômicos do zagueiro Edu, de 19 anos, ao Athletico-PR, por R$ 2,5 milhões. O valor será utilizado para quitar compromissos em atraso.

Sem mencionar os atletas, Enderson afirmou que o Cruzeiro trabalhará para construir um elenco de qualidade e de folha salarial enxuta. “Queremos uma equipe competitiva, que representa a tradição do clube e mostre o que o torcedor espera ver em campo, com qualidade e com alguns ajustes em questões financeiras. Estamos trabalhando muito para isso, usando uma inteligência enorme para caminhar com muita qualidade, um grupo enxuto e uma folha bem mais baixa, mas mantendo a qualidade de jogo, que é importante”.

Para isso, o treinador conta com a parceria do diretor de futebol Ricardo Drubscky, com quem teve dobradinha de sucesso no América campeão da Série B de 2017.  “É uma pessoa importante na minha vida. Pensamos futebol de maneira parecida e temos um contato há muitos anos. O Ricardo foi meu treinador em uma equipe infantil (Venda Nova, de Belo Horizonte), temos liberdade para conversar sobre tudo. A parceria e a facilidade de comunicação faz com que avancemos muito no trabalho”.

(Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro)

Avaliação do elenco


Por causa da pandemia do novo coronavírus, o futebol está paralisado desde 15 de março, quando ocorreu a nona rodada da primeira fase do Campeonato Mineiro. À época, o time era comandado por Adilson Batista, demitido depois da derrota para o Coimbra, por 1 a 0, em um Independência sem a presença de torcedores. Três dias depois, a diretoria contratou Enderson Moreira, que estava no Ceará. Apesar do tempo considerável no clube, o técnico ainda não observou os atletas em situação de jogo.

“A gente não teve ainda a oportunidade de fazer as situações de confrontos, os pequenos jogos, os jogos médios e os grandes jogos. Isso está em uma segunda etapa. O que a gente tem percebido é a entrega dos atletas, a dedicação e o empenho deles em executar as tarefas da melhor forma possível. É um grupo muito focado naquilo que precisa desenvolver ao longo da temporada”.
 
 

Nas conversas com os jogadores, Enderson procura passar a experiência de quem conquistou por duas vezes o título da Série B - Goiás, em 2012, e América, em 2017. Se em razão do coronavírus não é possível avaliar a qualidade técnica de cada peça do grupo, a saída é trabalhar a parte psicológica.

“É mais um momento de conscientizá-los daquilo que vamos enfrentar e daquilo que é necessário para essa competição, para os jogos que teremos pela frente. Que a gente já possa mentalizar o trabalho em equipe e a forma competitiva em campo. É um contato para mentalizar o que teremos pela frente e trocar informações. Escutamos muitas coisas daquilo que aconteceu no passado e que possamos pegar um rumo diferente. Estou com expectativa muito boa no sentido dessa mobilização. Os atletas estão muito focados nas competições que teremos nessa temporada e empenhados em fazer o Cruzeiro voltar para a Série A”.

Na Série B, que não tem previsão de início, o Cruzeiro começará com seis pontos negativos, pois foi punido pela Fifa por não pagar dívida de mais de R$ 5 milhões com o Al Wahda, dos Emirados Árabes Unidos, pela contratação do volante Denílson, em julho de 2016. De acordo com o calendário da Confederação Brasileira de Futebol, a estreia será em casa, contra o Botafogo de Ribeirão Preto.

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