Cruzeiro
None

CRUZEIRO

Diretor do Cruzeiro, Drubscky critica campeonatos estaduais: 'Prejuízo na minha visão'

Dirigente considera 'desnível muito grande' no Campeonato Mineiro

postado em 09/06/2020 10:30 / atualizado em 09/06/2020 11:11

(Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro)
O diretor de futebol do Cruzeiro, Ricardo Drubscky, teceu críticas à realização dos campeonatos estaduais. Em entrevista ao canal Somos Gigantes, conduzido por torcedores celestes, o dirigente relembrou o período em que treinou equipes do interior de Minas Gerais e por vezes precisou fazer frente aos grandes clubes da capital, com folhas salariais até 60 vezes superiores. 

“Eu não tenho opinião formada sobre isso, se seria interessante. Tenho opinião formada sobre os estaduais. Para mim, os estaduais são inócuos (que não produzem o efeito esperado). Os estaduais não têm razão de ser”, avaliou.

“Fui treinador de uma porrada de time pequeno. E quando eu era treinador, também falava: não admito que um time que gasta R$ 200 mil por mês de salário, os que gastam muito, joguem com um time que gasta R$ 8, R$ 10, R$ 12 milhões por mês. E esse time que tem orçamento maior, folha maior, tem que ganhar do time que ganha 200. Isso não bate na minha cabeça. É um desnível muito grande”, complementou o dirigente.

A última equipe comandada por Drubscky foi o Tombense, em 2019, quando alcançou a quinta posição na primeira fase do Campeonato Mineiro e perdeu para o Boa Esporte nas quartas de final (empate por 1 a 1 e derrota nos pênaltis por 3 a 0). Na carreira como técnico, conquistou o Campeonato Paraibano pelo Botafogo, em 2002, e trabalhou em clubes como Tupi, Ipatinga, Mamoré, Valeriodoce, Villa Nova, Democrata de Governador Valadares, Anápolis-GO, Araçatuba-SP e Caxias-RS. 

Na opinião de Drubscky, que construiu parte da trajetória profissional em clubes de menor expressão, a presença de grandes agremiações em cidades do interior não é tão atrativa quanto antigamente. Assim, ele compartilha a opinião de que o Campeonato Mineiro é prejuízo para o Cruzeiro.

“Aquele momento de alimentar torcedor, levar time grande para o interior... Hoje, você vai em uma roça aqui em Minas e o cara está assistindo Liga dos Campeões na internet. Assistindo um Inglês, Espanhol, está assistindo aos melhores do mundo. É ilusão falar que o Cruzeiro vai a uma cidade ou outra e vai alegrar. Não existe isso mais. Campeonato Mineiro é prejuízo na minha visão”.

O Campeonato Mineiro de 2020 foi paralisado depois da nona rodada, em 15 de março, por causa da pandemia do novo coronavírus. Apesar de perder apenas para o Atlético no quesito orçamento, o Cruzeiro ocupa a quinta colocação, com 14 pontos - fora da zona de classificação às semifinais. A má campanha motivou a diretoria a trocar o comando, substituindo Adilson Batista por Enderson Moreira.

A falta de uma data certa para o retorno do futebol coloca em dúvida se a competição terá sequência este ano ou será empurrada para 2021. Apesar de a Federação Mineira de Futebol garantir o término do estadual em campo, algumas equipes do interior já encerraram contratos de atletas, casos de Villa Nova, Caldense, Patrocinense e URT

O grande objetivo da Raposa em 2020 é conquistar o acesso na Série B, competição que Drubscky acredita ser estendida até março de 2021. Nessa circunstância, o clube completaria cem anos de fundação, em 2 de janeiro, disputando a segunda divisão nacional. 

“Eu acho que pode surgir um calendário meio sintonizado, conectado ao calendário europeu. De repente a gente termina esse estadual do jeito que der para terminar. No sentido de todos os estados, um com mais datas do que outros para ser cumprido, a gente vai terminar. Depois começa o Brasileiro lá para agosto ou setembro, e aí não tem como espremer esses jogos até janeiro ou fevereiro. Vai ter que empurrar até março (de 2021). A gente tem um calendário meio sincronizado com o calendário europeu”.

Tags: estaduais Cruzeiro serieb interiormg futnacional Ricardo Drubscky