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Cruzeiro pode amenizar aperto financeiro com receitas de mecanismo de solidariedade

Transferências de ex-atletas da base celeste devem render lucros ao clube

postado em 12/07/2020 10:33 / atualizado em 12/07/2020 11:04

(Foto: Leandro Couri/EM/D.A. Press)

O Cruzeiro tem buscado diversas alternativas para amenizar o aperto financeiro que passa. Além da enorme dívida, na casa dos R$ 800 milhões, as receitas da Raposa caíram por conta do rebaixamento à Série B do Campeonato Brasileiro e o déficit se agravou com a paralisação do futebol. Entretanto, o mecanismo de solidariedade, que ajuda os clubes formadores, pode ser um aliado nesse momento de turbulência.

O mecanismo de solidariedade prevê que, a cada transferência, 5% do valor total da negociação seja distribuído às equipes que contribuíram na formação do atleta. A quantia é calculada de forma proporcional ao período em que o jogador passou no clube, dos 12 aos 23 anos.

Desta forma, o Cruzeiro está atento ao mercado da bola. Isso porque pode lucrar com duas transferências de ex-jogadores: o atacante Dudu, do Palmeiras, e o zagueiro Bruno Viana, do Braga, de Portugal. Ao todo, a Raposa embolsaria cerca de R$ 4,5 milhões.

Segundo o jornal português A Bola, Bruno Viana estaria na mira de quatro times europeus: Lazio e Milan, da Itália, e Wolverhampton e Watford, da Inglaterra. Vale ressaltar que, em 2019, o Braga recusou oferta de 7,5 milhões de euros (cerca de R$ 45,1 milhões na cotação atual) do Flamengo por 50% dos direitos econômicos do zagueiro. Os bracarenses pedem 20 milhões de euros (cerca de R$ 120,5 milhões) pelo jogador, valor próximo de sua multa rescisória. 

De acordo com números da Rede do Futebol, plataforma especializada nesse tipo de cálculo, o Cruzeiro teria direito a 2,8% do percentual total da transferência. A título de exemplificação, caso o Braga consiga metade do que quer por Bruno Viana, o clube celeste teria direito a cerca de R$ 1,7 milhão.

Caso a negociação se concretize, seria a segunda oportunidade em que o Cruzeiro lucraria com Bruno Viana. Em março de 2018, a Raposa embolsou cerca de 250 mil euros (R$1 milhão na cotação da época) referente ao 'mais-valia' dos direitos econômicos do jogador. Na ocasião, o Braga exerceu o direito de compra pelo zagueiro e pagou ao Olympiacos, da Grécia, 3 milhões de euros (cerca de R$ 12 milhões). 

A venda de Dudu também pode render benefícios financeiros ao Cruzeiro. De acordo com o Globoesporte, o Palmeiras deve negociar o atacante por empréstimo de um ano ao Al Duhail, do Catar, por 7 milhões de euros (cerca de R$ 42 milhões). Caso algumas metas estipuladas em contrato sejam alcançadas, o clube árabe terá de cumprir com a obrigação de compra e desembolsar mais 6 milhões de euros (cerca de R$ 36 milhões). 

A Raposa, por tanto, teria direito a 1,54% do total da transação - empréstimo mais futura venda -, equivalente a cerca de R$ 1,195 milhão, de acordo com levantamento do Rede do Futebol. Entretanto, a situação de Dudu com o clube do Catar ainda não está definida. A janela de transferências do país ficará aberta por mais um mês e ambas as partes pregam cautela antes de fechar acordo. Além disso, o atacante palmeirense foi acusado de ter agredido sua ex-mulher, Mallu Ohana, que protocolou um pedido de retenção de passaporte do jogador.

Operação Fifa

Outra medida para ajudar a atenuar as dívidas do Cruzeiro foi a criação, no início de julho, da campanha “Operação Fifa”. A iniciativa, em parceria com a a Meep Donate, plataforma de pagamento digital, permite aos torcedores contribuírem com qualquer valor para ajudar o clube a quitar as pendências de contratações que correm na entidade máxima do futebol.

Até o fechamento da reportagem, foram feitas mais de 16 mil doações, com um valor total de arrecadação superior a R$ 550 mil.

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