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Felipe Conceição sobre reforços no Cruzeiro: 'Não temos margem para erro'

No ano passado, o Cruzeiro fez 23 contratações e mais da metade delas já não fazia parte do elenco quando Luiz Felipe Scolari assumiu o cargo

Bruno Furtado Rafael Arruda Tiago Mattar
Felipe Conceição quer reforços pontuais para a disputa da Série B do Brasileiro - Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro Com poucos recursos em caixa, o Cruzeiro usa o Campeonato Mineiro para observar jogadores e, só então, decidir em quais posições ainda vai reforçar o elenco para a disputa da Série B, sua prioridade absoluta em 2021. Em entrevista ao Superesportes, o técnico Felipe Conceição alertou que o clube precisará ser muito eficiente nas escolhas para não inchar o grupo e evitar prejuízos ao trabalho.



“Não posso passar para vocês os nomes que a gente está mapeando, até pela concorrência do mercado, mas estamos fazendo, analisando e, a cada semana, reavaliando. Tem que ser assim, não temos muita margem para erro este ano”, disse o treinador à reportagem.

Entre fevereiro e março, a diretoria anunciou oito contratações: o zagueiro Eduardo Brock, o lateral-esquerdo Alan Ruschel, os volantes Matheus Barbosa, Matheus Neris e Rômulo, o meia Marcinho e os atacantes Bruno José e Felipe Augusto.

No ano passado, o Cruzeiro fez 23 contratações e mais da metade delas já não fazia parte do elenco quando Luiz Felipe Scolari assumiu o cargo, em outubro. Houve o caso de ‘reforços’ que nem sequer foram inscritos no Boletim Informativo Diário da CBF.



O Cruzeiro não pode contratar 20 jogadores e mandar embora outros 15, botar para treinar à parte outros 15. Isso faz mal, seja financeiramente seja numa gestão de grupo. A gente tem que ter esse trabalho consistente, sabendo que vamos ter esse início doloroso, sabendo que precisa crescer em todos os aspectos. Mas sabendo também que esses atletas do Mineiro vão ter uma evolução, temos que acompanhar essa evolução, ver até onde eles vão conseguir responder para, aí sim, ir pontualmente no mercado e trazer as peças para deixar o time mais forte no Brasileiro”, argumentou o treinador.

No momento, o principal foco da diretoria no mercado está na lateral direita, que tem Raúl Cáceres como titular absoluto. Os jovens Ramon e Geovane, da base, estão sendo preparados para serem opções em médio prazo.

Cuidados com jovens promissores


Segundo Conceição, o risco de buscar jogadores sem critério no mercado é justamente tirar oportunidade de jovens promissores vindos da base.

Ele citou o exemplo do zagueiro Weverton, de 18 anos, recém-promovido ao profissional e que já tem potencial para ocupar um lugar entre os titulares.



“Fui assistir a um treinamento do time sub-20, puxei e hoje está integrado ao profissional e precisa de espaço (para jogar). Então, você vai trazer um zagueiro para ocupar essa segunda posição ou brigar pela titularidade? Você põe o Weverton para terceira opção? Se fizer isso, você atrapalha o processo de um jovem muito promissor dentro do clube”, enfatizou o comandante cruzeirense.

Processo dinâmico


Felipe Conceição explicou que jogadores hoje considerados em transição da base para a profissional podem atingir um amadurecimento em curto prazo. É a análise diária dos treinos que vai dizer se o Cruzeiro deve ou não ir ao mercado.

Como exemplo, ele citou o caso da lateral direita. “Tenho só o Cáceres na lateral direita e estou trabalhando o Ramon, trabalhei o Geovane, ambos da base. Essa é uma posição que, hoje, a gente pode trazer um atleta para brigar por posição com o Cáceres. Ou, daqui a um mês, eu posso falar que o Ramon foi (está pronto). Ele se desenvolveu, teve uma evolução enorme e eu dou uma segurada naquele lateral-direito que a gente estava mapeando no mercado. Estou dando um exemplo de como o processo é dinâmico. A gente tem algumas posições em que a gente já olha, mapeia, sabe que pode continuar sendo uma carência no elenco, mas isso é dinâmico e muda de acordo com o processo. Daqui a um mês pode estar resolvido. Teria o Cáceres, que sustenta a posição, e o Ramon, de 20 anos, que para a Série B pode dar conta do recado. Nesse caso, o clube não precisa mais gastar dinheiro e ir no mercado, uma vez que eu tenho um ativo dentro do clube. É um processo dinâmico”.



O treinador acha importante o torcedor compreender que a gestão de grupo não é algo simplista: tira um e põe outro no lugar. “Essa análise é mais complexa do que simplesmente falar que o treinador quer um jogador mais jovem, mais experiente. Não se define um perfil só por isso. O importante é o Cruzeiro sair vencedor este ano e conseguir o acesso. E, com o tempo, essa roda vai girar e talvez você vá ver um time mais jovem, mais intenso, com mais perfil de médio e longo prazo. Mas o importante este ano é o acesso. Temos que estudar cada caso, entender cada caso. O que for melhor para o clube a gente vai fazer”, concluiu.

Leia, assista ou ouça nesta quinta-feira, no Superesportes, a entrevista completa com Felipe Conceição!