Futebol Nacional
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Chance verde

Dois clubes carentes de conquistas nacionais recentes, Coritiba e Palmeiras brigam pelo título. O troféu é inédito para os paranaenses e seria o segundo dos paulistas

postado em 11/07/2012 08:45

Almeida Rocha/Folhapress

Nesta quarta-feira, às 21h50, no Estádio Couto Pereira, em Curitiba, Coritiba e Palmeiras tentam pôr fim a longo jejum de títulos nacionais na Primeira Divisão. O Coxa foi campeão brasileiro em 1985, vencendo o Bangu na decisão. O Porco está há 12 anos sem conquista – ganhou a Copa dos Campeões em 2000, competição que dava uma vaga na Libertadores. Vice-campeão no ano passado, quando perdeu o troféu para o Vasco, o Coritiba, do técnico mineiro Marcelo Oliveira, busca feito inédito. O time do treinador Luiz Felipe Scolari tenta o bicampeonato: ganhou a competição em 1998, batendo o Cruzeiro na final.

Como venceram o primeiro jogo na Arena Barueri por 2 a 0, na quinta-feira, os paulistas asseguram o título mesmo perdendo por um gol de diferença – ou dois, desde que marquem pelo menos um (3 a 1, 4 a 2 etc.). Se o Coxa vencer por 2 a 0, a decisão será nos pênaltis.

No Coxa, o maior trunfo do técnico Marcelo Oliveira é o torcedor. Todos os ingressos foram vendidos. Os coxas-brancas pretendem transformar o Couto Pereira em um inferno verde. Dentro de campo, o treinador não vai poder contar com o experiente zagueiro Emerson, suspenso por causa do terceiro cartão amarelo levado no jogo de ida. Demerson será o titular ao lado de Pereira.

No meio-campo, Marcelo já pode contar com o volante Sérgio Manoel. O jogador não participou da partida na Arena Barueri. “É gostoso saber que o torcedor vai lotar o estádio. Contamos com este apoio e vamos lutar para conseguir um bom resultado e mudar a situação e sermos campeões. Sabemos que há uma mística inexplicável no Couto Pereira. Basta ver nosso rendimento em casa. Acredito que agora não será diferente”, acredita Sérgio Manoel.

Para não ver o projeto de chegar à Libertadores naufragar como em 2011, quando perdeu a final para o Vasco, Marcelo Oliveira exige um ataque mais efetivo, mesmo sabendo das dificuldades para montar o setor. Titular na maior parte da campanha na competição nacional, Roberto ainda depende dos médicos para saber se poderá jogar. Dessa forma, Éverton Costa deve ficar isolado na frente. O lateral-direito Ayrton também se recupera de lesão. Jonas foi o escolhido para disputar a decisão.

Amargo De 2000 para cá, a torcida palmeirense amargou uma série de decepções, inclusive o rebaixamento no Brasileiro. “A necessidade de um troféu nacional para o Palmeiras é grande porque o clube não chega a uma final há um bom tempo. Um jogador é lembrado por títulos e, sem dúvida nenhuma, este grupo vai sair marcado. Imaginamos, no futuro, uma foto nossa no vestiário”, comentou o armador Daniel Carvalho, ex-Atlético, que vai entrar no lugar de Valdívia, suspenso por causa da expulsão na primeira partida.

Apesar da vantagem obtida no jogo de ida, o zagueiro Henrique recomenda cautela diante do Coxa. “A vantagem vai depender de nós dentro de campo. Temos de jogar como temos feito, marcando forte e em cima. Mas, quando surgir a oportunidade, vamos concluir. Pelo fato de a equipe do Coxa jogar em casa e ter jogadores de qualidade, temos de entrar em campo muito mais concentrados, pensando em não tomar gol e em jogar bola”, recomendou.

O defensor iniciou a carreira justamente no Coritiba. Novidade na equipe paulista, ele é um dos triunfos de Felipão contra o time paranaense. Estava suspenso no jogo de ida e, mais uma vez, será deslocado para o meio-campo, improvisado como volante. Com isso, Márcio Araújo vai perder a vaga no time.

FICHA TÉCNICA
Coritiba x Palmeiras

Coritiba:
Vanderlei; Jonas, Pereira, Demerson e Lucas Mendes; Willian, Sérgio Manoel, Gil (Roberto), Everton Ribeiro e Rafinha; Everton Costa
Técnico: Marcelo Oliveira

Palmeiras: Bruno; Artur, Maurício Ramos, Thiago Heleno e Juninho; Henrique, Marcos Assunção, João Vitor e Daniel Carvalho; Mazinho e Betinho
Técnico: Luiz Felipe Scolari

Estádio: Couto Pereira
Horário: 21h50
Árbitro: Sandro Meira Ricci (PE)
Assistentes: Carlos Berkenbrock (SC) e Alessandro Matos (BA)
TV: Globo, Band, Sportv, ESPN Brasil

Senhor das copas

Não por acaso, o técnico Luiz Felipe Scolari (foto) ganhou fama de copeiro. O treinador já disputou a Copa do Brasil em nove oportunidades e chegou a cinco decisões. Venceu três delas. Comandante do maior título da história do Palmeiras – a Libertadores de 1999 –, o gaúcho ergueu o troféu da competição nacional pela primeira vez à frente do modesto Criciúma, em 1991, quando superou o Grêmio na final pelo gol marcado fora (1 a 1 em Porto Alegre e 0 a 0 em Santa Catarina). Três anos depois, seria outra vez campeão, agora no comando do tricolor gaúcho, batendo o Ceará na decisão. O primeiro jogo, no Castelão, em Fortaleza, terminou com empate sem gols. Na volta, o Grêmio venceu por 1 a 0 no Olímpico, em Porto Alegre. Quatro anos mais tarde, já com o Palmeiras, Felipão foi campeão batendo o Cruzeiro. Perdeu a partida de ida por 1 a 0, no Mineirão, mas venceu a de volta por 2 a 0, no Morumbi. Ele chegou à decisão do torneio também em 1995, com o Grêmio, mas perdeu os dois jogos para o Corinthians (1 a 0 no Pacaembu e 1 a 0 no Olímpico). (Ludymilla Sá)