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Clubes mineiros e outros contratam profissionais no mercado de trabalho

Cruzeiro, por exemplo, conta com uma empresa especializada em seleção de executivos em busca de maior assertividade na contratação de colaboradores

postado em 21/03/2021 09:57 / atualizado em 21/03/2021 10:14

(Foto: Twitter / Cruzeiro )
O mercado de trabalho do futebol tem passado por uma significativa mudança de gestão. Se antes praticamente 100% dos dirigentes esportivos chegavam aos cargos por indicações políticas e amizade, agora os clubes têm atraído profissionais qualificados de grandes empresas por meio de headhunters e anúncios no LinkedIn. São os casos, por exemplo, de Botafogo, Santos, Atlético, Cruzeiro e América, entre outros.

No Botafogo, além do presidente eleito, o clube terá um CEO contratado por meio de processo seletivo liderado por uma empresa terceirizada. Os melhores candidatos foram selecionados após passarem por todos os trâmites de uma admissão. O rival Vasco também possui um CEO. No Santos, a nova gestão do clube está separando os profissionais da parte política do clube. Já o Cruzeiro conta com uma empresa especializada em seleção de executivos em busca de maior assertividade na contratação de seus colaboradores.

Os clubes não revelam os valores pagos a esses profissionais, alegando cláusulas de confidencialidade e sigilo nos contratos. O Estadão apurou que, na maioria dos casos, os salários são equivalentes a outros setores do mercado, mas com o atrativo de remuneração extra com benefícios e premiações por metas alcançadas não só pelo seu departamento, mas também pelo time de futebol.

Estudo publicado pela CBF estima que, antes da pandemia da covid-19, a indústria do futebol empregava 156 mil pessoas no País. A pesquisa feita pela empresa Ernst & Young mostrou que o futebol brasileiro, em 2018, teve impacto de 0,72% no PIB nacional, ao movimentar R$ 52,9 bilhões. Somente os clubes, segundo o estudo da CBF, representavam 33% dos 156 mil empregos gerados pelo futebol no Brasil.

No Santos, o presidente Andres Rueda trabalhou no Bradesco e foi durante 20 anos diretor de tecnologia da Bolsa de Valores de São Paulo. Em 2000, resolveu montar sua própria empresa de tecnologia, especializada em atendimento ao consumidor. Chegou a ter 6 mil funcionários. Em 2019, vendeu a companhia para o Santander. Já aposentado do mundo corporativo, ganhou a eleição para presidente do Santos e, desde janeiro, iniciou o processo de reestruturação do clube, com a contratação de profissionais do mercado.

Existia uma cultura no Santos que, depois da eleição, o candidato que ganhava colocava o pessoal que o ajudou na campanha para trabalhar no clube. Isso gera uma instabilidade enorme no quadro de funcionários e você não consegue implantar uma política de carreira. O custo era altíssimo porque a cada três anos havia uma troca muito grande de pessoal", disse.

Para mudar esse cenário, Rueda tem trabalhado para separar as partes profissional e política da Vila Belmiro. O conselho do clube já aprovou um novo organograma. "Pegamos as áreas em que haviam problemas ou estavam faltando funcionários e contratamos a partir de um processo de seleção. Alguns cargos foram por meio de headhunters, identificando pessoas no mercado com o perfil do Santos. Para outras funções, fizemos anúncios nas redes sociais. As pessoas mandavam currículo, a gente analisava e contratamos as melhores."

O Santos também passou a ter uma tabela de cargos e salários. Cada função possui cinco faixas e uma política de avaliação. Uma vez por ano, o desempenho do funcionário será analisado pelo seu gestor. Ele pode continuar no cargo, ser promovido ou demitido, como em qualquer empresa.

Já o Botafogo apostou em um regime diferente de contratação para encontrar o novo CEO do clube. O presidente Durcesio Mello acionou a empresa Exec, que atua há 11 anos no mercado de recrutamento de executivos. A missão era inédita. Em vez de procurar profissionais para a área de diretoria, o foco foi buscar o novo responsável pelo comando do clube.

"Nossos clientes são indústrias, empresas na área de serviços e varejo. Foi a nossa primeira atuação no futebol. O Botafogo tomou uma atitude corajosa e foi o primeiro clube brasileiro a contratar com headhunter um CEO", explica um dos sócios da Exec, Lúcio Daniel.

A partir da demanda do Botafogo, a empresa começou a procurar possíveis candidatos dentro de alguns parâmetros de exigência. O foco foi principalmente em um nome experiente para conseguir liderar o processo de reconstrução do clube e gerir o trabalho dentro de ambiente político, como é o caso do futebol. E, para a surpresa dos headhunters, não faltaram interessados.

A lista de clubes brasileiros atrás de headhunters só aumenta. O mercado vive um momento de quebra de antigas resistências. Uma das empresas mais atuantes no ramo é a Tailor, responsável pelos processos seletivos de Cruzeiro, Atlético, Santos e América.

Bruno da Matta Machado, sócio da empresa, explica que há três anos os clubes começaram a dar mais espaço para esse tipo de processo seletivo. "Temos de analisar até mesmo se o profissional é apaixonado por um outro clube e se terá a capacidade de separar o lado torcedor do trabalho", afirmou Machado. Algumas vagas chegam a ter até 5 mil inscritos.

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