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Atletas dizem que falta de diálogo com presidente motivou entrega de carta

Ironia de Gilvan de Pinho Tavares gerou insatisfação entre atletas do Cruzeiro

postado em 01/02/2012 18:49 / atualizado em 01/02/2012 19:13

Jorge Gontijo/EM/D.A Press
Nesta quarta-feira, os jogadores do Cruzeiro concederam as primeiras entrevistas coletivas depois de entregarem à imprensa uma carta de repúdio às ironias do presidente Gilvan de Pinho Tavares sobre os salários atrasados. Segundo o zagueiro Victorino e o atacante Wellington Paulista, a falta de diálogo com o mandatário celeste foi a causa da manifestação pública.

Victorino esclareceu que os jogadores formularam a carta muitos dias antes da divulgação. “Queríamos falar com o presidente, mas ele não pôde vir falar com a gente. Também esperamos para enviar a carta para imprensa, esperamos muito tempo, até o ponto que não deu mais para aguentar. O tema foi tratado internamente, mas não tivemos resposta do presidente e, assim, o grupo decidiu enviar a carta”, disse.

“A gente tentou contato com ele e não conseguiu. Por isso, preferimos entregar a carta”, ratificou Wellington Paulista, que apontou a ironia de Gilvan como a motivação para a carta. “O negócio da carta não foi o salário atrasado. Lógico que a gente quer que fique em dia. Ainda bem que já colocaram em dia, todos estão com dinheiro no bolso. Agora é trabalhar forte para estrear bem no Mineiro”, complementou.

No último dia 19, Gilvan de Pinho Tavares ironizou o atraso no pagamento de salários aos atletas: “essa miséria que os jogadores ganham, se atrasar três dias, faz muita falta”.

Na manhã desta terça-feira, os jogadores, liderados pelo capitão Fábio, entregaram à imprensa uma carta de repúdio às ironias do presidente. À noite, os salários foram quitados.

Na próxima semana, o clube deverá pagar os salários de janeiro. Enquanto aguarda, Victorino espera que novos atrasos não aconteçam. “Vamos ver agora. A gente está hoje bem, semana que vem já tem de pagar outro salário. Foi uma irregularidade um mês. O Cruzeiro há muitos anos não atrasava o salário, tomara que seja do mesmo jeito daqui para frente”.

O zagueiro uruguaio ressaltou que o atraso nos salários não provocou queda de rendimento na preparação da equipe para a temporada 2012. “O grupo falou muito disso. Apesar dos atrasos e tudo que poderia acontecer, tínhamos de fazer boa preparação para encarar o ano que vai ser muito forte e duro. Não atrapalhou nos treinamentos. O grupo se entregou por inteiro nos treinos e na pré-temporada”, salientou.