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Corinthians se posiciona contra a volta do futebol em carta aberta

Clube demonstra preocupação com volta ao trabalho nas atuais condições devido aos riscos de saúde com o contágio do novo coronavírus

postado em 26/05/2020 10:42 / atualizado em 26/05/2020 11:47

(Foto: Daniel Augusto Jr./Corinthians)


O Corinthians divulgou na manhã desta terça-feira uma carta aberta se posicionando contra a volta do futebol enquanto a pandemia do novo coronavírus não esteja controlada. Segundo o presidente Andres Sanchez, "futebol não pode se antecipar ao controle da pandemia".

O mandatário corintiano admitiu os impactos da COVID-19 nos cofres dos clubes e reconheceu que é hora de se preocupar com vidas, se solidarizando com as famílias que tiveram perdas.



Andres também elogiou os posicionamentos da CBF e da Federação Paulista de Futebol sobre a volta do esporte. Por fim, o presidente alvinegro citou o exemplo da Alemanha, que retomou o Campeonato Alemão há duas semanas, defendendo que só foi possível com diálogo e respeito ao momento de saúde.

A diretoria do Corinthians já tomou uma série de medidas durante a pandemia para minimizar a crise financeira que o clube atravessa, impulsionada pelo período sem jogos e receita. O Timão reduziu o salário de jogadores, comissão técnica e funcionários, além de suspender o pagamento de ajuda de custos a atletas amadores do clube em diversas modalidades.


Confira a nota íntegra a nota emitida pelo Corinthians:


Depois de 23 mil mortes causadas pela Covid-19, todo debate é menor. Por isso, em nome do Corinthians, manifesto antes nossa solidariedade a cada brasileiro afetado por doença, luto, ou prejuízo profissional. Tudo isso importa. 

E é legítimo que o futebol – como qualquer setor – procure saídas junto ao governo federal e a seus respectivos estados, prefeituras e federações, a fim de impedir um aprofundamento da crise na atividade. É preocupante, porém, que o Brasil viva um cenário muito diferente daqueles países que retomam suas ligas. 

A queda de receitas já obrigou muitos clubes a executar cortes e demissões. O Corinthians tem adotado medidas de austeridade, como a redução temporária de salários e jornada, apoiada na MP 936. Fazemos e refazemos as contas diariamente, mas somos realistas: trata-se da pior epidemia no país nos últimos 100 anos, e nenhuma atividade econômica sairá dessa sem transformações inevitáveis. 

No Corinthians, não será diferente. O que não muda é o nosso compromisso com um futebol forte como carro-chefe e a parte social como tradição, e é para isso que estamos trabalhando. Como também vemos o clube como um veículo capaz de impactar mais de 30 milhões de torcedores via mídias digitais, levamos informação útil e iniciativas solidárias, com o sonho de terminar a pandemia sem nenhum torcedor a menos.  

Somos testemunhas dos elogiáveis esforços da CBF, da Federação Paulista de Futebol e de outros clubes. Mas é preciso repensar, de forma ampla, o papel do futebol e sua influência nesse jogo. 

Na Alemanha, houve diálogo intenso entre todos os agentes políticos e esportivos, e um princípio foi claro para a Bundesliga: o futebol não pode se antecipar ao controle da pandemia. Quando a sociedade confiou no sucesso do combate alinhado entre governo e estados alemães, a Bundesliga finalmente retomou seus jogos em sincronia, no último dia 16. Houve responsabilidade com seu produto, seus astros e seu público. 

O futebol brasileiro, porém, caminha para outra direção. 

Se o combate ao vírus não tem alinhamentos entre os governos, no futebol as reações estão ainda mais fragmentadas. Com decisões facultadas aos Estaduais, criam-se ruídos. O futebol perde muito como produto quando transmite que, para a bola rolar, basta decidir qual clube está mais pronto, ou qual estado está mais disposto a riscos, enquanto se somam mais de mil óbitos por dia.

Em 2020, a Série A tem 20 clubes de nove estados, cada um com panoramas distintos da doença. Isso pede um trabalho mais coordenado entre governos, clubes e federações. Num esporte coletivo, não dá para jogar sozinho.

Sem isso, qualquer retorno apenas adiará a próxima pausa forçada, em que os clubes vão, de novo, agonizar. Como negócio sustentável, o futebol só poderá voltar depois de uma articulação eficiente, focada tanto no bem-estar das pessoas quanto na segurança da Saúde nos estados envolvidos.

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