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Ronaldo Granata, vice do Cruzeiro, pede coragem a Wagner e exige afastamentos de Itair Machado e Sérgio Nonato

Polícia Civil e MP investigam possíveis irregularidades praticadas por dirigentes do Cruzeiro

postado em 01/07/2019 15:06 / atualizado em 01/07/2019 15:28

<i>(Foto: Reprodução/TV Alterosa)</i>
Um dos vice-presidentes eleitos do Cruzeiro no mandato 2018-2020, Ronaldo Granata esteve no programa Alterosa Esporte, da TV Alterosa, e exigiu os afastamentos do vice-presidente de futebol Itair Machado e do diretor-geral Sérgio Nonato diante das várias denúncias de irregularidades em áreas executivas do clube, incluindo o futebol.



Incomodado com a passividade do presidente Wagner Pires de Sá, Granata pediu coragem ao mandatário para tirar dois dos dirigentes que são alvo de investigação da Polícia Civil e do Ministério Público do Estado de Minas Gerais.

“O presidente resolve essa crise com um único ato: o afastamento dos envolvidos. (Tem que afastar) o Itair Machado e o Sérgio Nonato. Eu não peço, eu exijo o afastamento dos dois. Eu tenho legitimidade para isso, eu sou vice-presidente eleito. Eles são funcionários. Eu estou pedindo isso para o presidente desde que ocorreram as denúncias. Presidente, a crise do Cruzeiro se resolve com um único ato, vamos pôr coragem na caneta, aí. Tira um pouquinho da tinta e mete coragem nessa caneta, e afasta quem está envolvido”, declarou Ronaldo Granata.

Pela série de denúncias que recaem sobre a atual gestão, o Ministério Público de Minas Gerais instaurou procedimento investigatório criminal para averiguar possíveis irregularidades praticadas por dirigentes do Cruzeiro. Conforme o breve comunicado no órgão no Twitter, as investigações estão em fase inicial. 

A tendência é que o procedimento siga linha semelhante ao da Polícia Civil, que apura crimes de lavagem de dinheiro, falsificação de documentos e falsidade ideológica supostamente praticados pela diretoria do Cruzeiro, além de possíveis quebras de regra da Fifa, da Confederação Brasileira de Futebol e do Governo Federal.

Os escândalos no clube vieram à tona após matéria exibida no programa Fantástico, da TV Globo, em 26 de maio. À época, foram divulgadas irregularidades em transações e valores superfaturados pagos a empresas prestadoras de serviço. A PCMG já havia ouvido 15 pessoas que mantinham alguma relação com o clube, entre elas funcionários, ex-empregados, dirigentes e agentes esportivos.

A denúncia mais grave era sobre um empréstimo de R$ 2 milhões contraído pelo Cruzeiro com o empresário Cristiano Richard dos Santos Machado, sócio de firmas que atuam na locação de veículos e de equipamentos de proteção.

Como forma de quitação do débito com Cristiano Richard, o clube, segundo inquérito da Polícia Civil, incluiu parte dos direitos de jogadores do profissional, como David (20%), Raniel (5%), Murilo (7%), Cacá (20%), e de outros que passaram pela base e foram negociados, casos de Gabriel Brazão (20%) e Vitinho (20%). O Cruzeiro ainda inseriu participação em futura venda do promissor Estevão William, de apenas 12 anos, que, pelas leis trabalhistas, só poderá assinar vínculo laboral a partir dos 16.

Outras operações apuradas pela Polícia Civil são os aumentos substanciais nos salários de dirigentes - casos do vice-presidente de futebol Itair Machado e do diretor-geral Sérgio Nonato -, a contratação de conselheiros para prestação de serviços (pessoa física e pessoa jurídica) e o pagamento a torcidas organizadas.

Vale lembrar que o Cruzeiro aumentou a dívida geral de R$ 384 milhões para R$ 520 milhões de 2017 para 2018 e ainda não teve o balanço financeiro aprovado pelo Conselho Fiscal. Em 1º de julho haverá eleição para novos integrantes do órgão, já que os membros anteriores renunciaram em função do acesso restrito às informações das finanças do clube.

Nos últimos dias, o presidente Wagner Pires de Sá e o diretor jurídico Fabiano de Oliveira Costa foram intimados para prestar depoimento na sede da Polícia Federal em Belo Horizonte, no Bairro Gutierrez, Região Oeste do município. A ação fez parte da Operação Escobar, que investiga vazamento de documentos sigilosos da PF.

Márcio Antônio Camillozzi Marra e Paulo de Oliveira Bessa, escrivães da corporação, foram presos no último dia 5 de junho, bem como os advogados Carlos Alberto Arges Júnior e Ildeu da Cunha Pereira.

Curiosamente, Márcio Antônio Camillozzi havia sido nomeado por Zezé Perrella para fazer parte da comissão de sindicância que averigua denúncias de corrupção da diretoria do Cruzeiro. Ildeu da Cunha Pereira, por sua vez, já ocupou cargo de superintendente jurídico do clube. Já Carlos Alberto Arges Júnior representou o vice-presidente de futebol Itair Machado em um processo contra o ex-dirigente Bruno Vicintin.

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