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Com 61 gols de falta na carreira, Rogério Ceni dá receita para sucesso de cobradores do Cruzeiro: 'Repetição'

Técnico diz que ensaiou 15 mil cobranças antes de primeiro gol pelo São Paulo, em 1997

postado em 15/08/2019 09:08 / atualizado em 15/08/2019 15:07

<i>(Foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A. Press)</i>

De 1997 a 2015, cada falta frontal era chance clara de gol para o São Paulo. Rogério Ceni saía da meta, caminhava até o campo de ataque e ajeitava a redonda. Em 61 oportunidades, os tricolores comemoraram com o camisa 1, que também marcou 69 gols de pênalti e um com a bola rolando (jogada ensaiada de dois toques). Qual a explicação para tamanha precisão nos chutes? Segundo o novo técnico do Cruzeiro, o segredo está na repetição. Algo que ele deverá recomendar a Thiago Neves e Robinho, batedores oficiais do time.

“Repetição. Cobrança de falta é repetição. Aliás, tudo que você faz na vida é repetição. Quanto mais você repete, mais chance tem de alcançar o sucesso. Você vem pela primeira vez fazer uma pergunta aqui, provavelmente não tinha a mesma qualidade de hoje, depois de tantas vezes que você veio. Falta é a mesma coisa. Antes de eu fazer meu primeiro gol de falta, bati 15 mil vezes. Depois de 15 mil vezes, alguma coisa boa tem que sair”.

Ceni começou a treinar faltas em 1995, quando já tinha 35 jogos pelo time principal do São Paulo. No fim de 1996, o técnico Muricy Ramalho definiu que o goleiro seria o principal responsável pelo fundamento na equipe. Nas quatro primeiras oportunidades, em 1997, ele falhou. À época, os torcedores começavam a mostrar impaciência, pois o meia Adriano havia marcado dois gols em tiros livres diretos e gozava de prestígio.

Contudo, o sonho de Rogério foi bancado por Muricy. E o grito de gol finalmente aconteceu em 15 de fevereiro de 1997, na vitória por 2 a 0 sobre o União São João, pelo Campeonato Paulista. O goleiro finalizou à meia-altura, no canto esquerdo de Adinam, e correu para o abraço. Naquela ocasião despontava um dos melhores cobradores do futebol brasileiro e, talvez, mundial.


Em 2005, Rogério Ceni viveu seu ano mais artilheiro. Dos 21 gols marcados em 75 jogos, 11 foram de falta e 10 de pênalti. Em 2000, também conseguiu grande aproveitamento: sete de falta e um de pênalti. O site Globoesporte.com publicou em 2015 um infográfico com todos os gols do ex-camisa 01 são-paulino em tiros livres. Grande parte dos arremates buscou o ângulo ou a proximidade da trave.

Graças à habilidade para chutar a bola, Rogério encerrou a carreira com 131 gols em 1.237 jogos pelo São Paulo. Ele é o 10º maior artilheiro da história do clube, acima, por exemplo, do ex-camisa 10 Raí, que marcou 128 gols em 393 partidas.

Entre os goleiros-artilheiros do futebol mundial, é grande a vantagem de Ceni sobre o paraguaio Chilavert, segundo da lista, com 62 gols (15 de falta, 45 de pênalti e dois com a bola rolando).

Batedores do Cruzeiro


Do elenco do Cruzeiro, os meias Thiago Neves e Robinho são os que costumam cobrar faltas. Eles receberam elogios de Rogério.

“Thiago Neves fez um gol de falta contra o São Paulo no Pacaembu, se não me engano, no empate por 1 a 1. O Robinho bateu até uma falta muito boa, exigiu uma defesa muito boa do goleiro do Avaí (empate por 2 a 2, no último domingo, em Florianópolis). Isso é repetição e predisposição do atleta de, quando tiver a oportunidade, estar apto para executar”.

Thiago fez cinco dos 38 gols pelo Cruzeiro em chutes de falta, enquanto Robinho marcou três dos 24 gols nesse fundamento.

Os laterais celestes também têm qualidade na bola parada. De 32 gols de Edilson na carreira, 15 foram batendo faltas (um pelo Cruzeiro). Já Egídio balançou a rede cinco vezes com a camisa azul, três em tiros livres de fora da área.

Gols de Rogério Ceni pelo São Paulo


Falta: 61

Pênalti: 69

Bola rolando: 1

1997 - 3 gols (3 faltas)

1998 - 3 gols (3 faltas)

1999 - 5 gols (3 faltas e 2 pênaltis)

2000 - 8 gols (7 faltas e 1 pênalti)

2001 - 2 gols (2 faltas)

2002 - 5 gols (5 faltas)

2003 - 2 gols (2 faltas)

2004 - 5 gols (4 faltas e 1 pênalti)

2005 - 21 gols (11 faltas e 10 pênaltis)

2006 - 16 gols (5 faltas, 10 pênaltis e 1 bola rolando)

2007 - 10 gols (2 faltas e 8 pênaltis)

2008 - 5 gols (1 falta e 4 pênaltis)

2009 - 2 gols (2 faltas)

2010 - 8 gols (2 faltas e 6 pênaltis)

2011 - 8 gols (3 faltas e 5 pênaltis)

2012 - 4 gols (1 falta e 3 pênaltis)

2013 - 6 gols (2 faltas e 4 pênaltis)

2014 - 10 gols (1 falta e 9 pênaltis)

2015 - 8 gols (2 faltas e 6 pênaltis)

Total - 131 gols (61 de falta, 69 de pênalti e 1 com bola rolando)

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