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Agente de Éderson defende proposta feita ao Cruzeiro e ironiza gestor que 'mexe com carne': 'Não tem sensibilidade'

André Cury disparou contra Carlos Rocha, interlocutor do futebol do clube

postado em 05/02/2020 16:59 / atualizado em 05/02/2020 18:05

(Foto: Bruno Haddad/Cruzeiro)

Um dos agentes do volante Éderson, o paulista André Cury defendeu nesta quarta-feira, em entrevista à Rádio 98FM, a proposta que realizou, ao lado de seus sócios, ao Cruzeiro. O grupo de empresários busca a liberação do jovem atleta, de 20 anos, que espera a Justiça do Trabalho definir um pedido de rescisão indireta. Cury também representa os interesses do atacante David, outro que acionou a Raposa judicialmente.

“A gente ofereceu R$ 10 milhões para eles liberaram os dois meninos (Éderson e David) e deixarem eles tocar a vida e não correr o risco dessas ações que podiam chegar a R$ 30 milhões. Eles não quiserem ouvir. Na verdade, o Ocimar (Bolicenho, diretor de futebol) que entende mais de futebol, sabe o que vai acontecer, estava propenso a fazer o acordo. O Benecy (Queiroz, supervisor) também. Mas o Carlos (Rocha, interlocutor do Conselho Gestor no departamento de futebol), um cara novo aí que chegou no futebol, acho que mexe com carne, não sei o que ele mexe, não consegue ter essa sensibilidade, de saber que isso ia acontecer”, disparou.


“O David ganhou mandado de segurança, a multa de R$ 15 milhões já existe, e nós voltamos no Cruzeiro para propor o seguinte acordo: tiramos a multa dos 15 milhões, você resolve também a ação do Éderson, que pode virar multa de R$ 5 milhões, mais problema do seu parceiro, do Desportivo Brasil e do Vitória, que pode ser coisa de R$ 10, R$ 15 milhões. Está somando aí R$ 30 milhões, R$ 35 milhões, e ainda propomos R$ 2 milhões que eles devem de salário atrasado pros jogadores, a gente abre mão. Dá R$ 2 milhões pro clube, em dinheiro, e quita uma dívida de R$ 3,8 milhões que eles têm com a gente (empresários). Quer dizer, eles receberiam R$ 7,8 milhões, mais ou menos, e deixariam de gastar entre R$ 30 milhões e R$ 35 milhões”, explicou, antes de voltar a criticar a direção do Cruzeiro.

“De novo, o Benecy e o Ocimar estiveram na reunião, querendo fazer o acordo, e o Carlos, que é o gestor, não está disposto a fazer o acordo. Quero deixar claro aqui, que quando a conta aumentar lá na frente, tem nome e tem culpado, porque se estou procurando o cara para fazer o acordo... É muito fácil ele falar ‘ah, o André Cury é persona non grata, mas sou persona non grata por quê? Porque você não paga o salário do seu jogador. É uma coisa que tem que ser esclarecida aí”, complementou.

Persona non grata

Em 24 de janeiro, durante entrevista coletiva na Toca da Raposa II, Carlos disse que Cury era pesona non grata - pessoa que não é bem-vinda, ou a quem se fazem restrições - no Conselho Gestor do Cruzeiro por "prejudicar o Cruzeiro em várias negociações". “A gente não tem sentimento de amizade com ele nesse momento”, declarou, na oportunidade.

Embora tenha sido aventada pelo Cruzeiro, a volta de Éderson é bastante improvável neste momento. O jogador passa férias no Rio de Janeiro e desperta interesse de equipes brasileiros, como o Bahia. Na mesma entrevista, Cury disse que “os jogadores não querem mais” o clube. 

Os jogadores não querem mais o Cruzeiro, se quisessem fariam acordo. Mas estão todos abertos a fazer uma acordo porque ninguém quer prejudicar o Cruzeiro, eles querem é cuidar da vida deles, trabalhar, fazer o que eles sabem que é jogar futebol, em paz, tranquilo, e sem dar prejuízo para o Cruzeiro”, garantiu. 

Cruzeiro responde

Procurado nesta quarta-feira, Carlos não atendeu aos telefonemas do Superesportes. Após a publicação da reportagem, o diretor de futebol do Cruzeiro, Ocimar Bolicenho, emitiu um comunicado sobre as negociações por meio do departamento de comunicação do clube. 

"Cabe um esclarecimento sobre o Éderson. Todas as decisões têm sido tomadas por um colegiado e não individualmente pelo gestor Carlos, que é o representante do Conselho Gestor no departamento de futebol. É óbvio que nas tratativas conseguimos entender um pouco dos dois lados, mas é bom deixar claro que eu e Benecy não temos autonomia de decidir algo. Deixando muito claro. Temos obedecido a hierarquia do Cruzeiro e temos deixado claro que as decisões são tomadas pelo Conselho Gestor. Cabe a nós levantarmos os dados, ponderarmos as situações, dar nossa opinião e nunca decidir. Até porque, quem participou da reunião fomos eu, Benecy e Carlos pelo lado do Cruzeiro, e Francisco, Cesar e Leo pelo lado do jogador. Eram as pessoas que estavam na reunião e discutiram sobre o assunto. Mas acho que semmpre a autonomia do Cruzeiro deve ser respeitada", disse o diretor.  

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