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Sérgio Rodrigues rebate presidente do Cruzeiro sobre eleição a distância, defende pleito único e não vê guerra política nos bastidores

Candidato à presidência celeste, Sérgio propôs que as eleições sejam feitas virtualmente; presidente rebateu afirmando que estatuto não permite esse tipo de votação

postado em 28/03/2020 21:50 / atualizado em 28/03/2020 22:07

(Foto: Alexandre Guzanshe/EM DA PRESS)

Mesmo com a crise mundial causada pela pandemia do novo coronavírus, os bastidores do Cruzeiro seguem agitados. Em entrevista ao Superesportes, o candidato à presidência do clube, Sérgio Santos Rodrigues, rebateu o presidente José Dalai Rocha sobre a possibilidade das eleições do dia 21 de maio serem realizadas a distância, defendeu pleito único e disse não entender “cenário de guerra” entre os membros do conselho do clube.

Após o Núcleo Dirigente Transitório cogitar a realização apenas do segundo pleito, marcado para outubro, Sérgio Rodrigues enviou uma carta à imprensa defendendo a manutenção da eleição de maio. Por conta da crise da Covid-19, a ideia de Sérgio é que o pleito ocorra a distância. Segundo o candidato, o estatuto do clube permite que a votação seja feita virtualmente.

O presidente em exercício do Cruzeiro, José Dalai Rocha, afirmou tratar-se de uma “fake news eleitoral” e que o estatuto não possibilita esse tipo de votação. “O nosso estatuto exige voto presencial. O voto é secreto, e com o conselheiro recebendo a cédula da mesa eleitoral. O Cruzeiro está precisando de paz para continuar trabalhando, apagando incêndios que ainda existem, e afastando perigo de coisas piores, sobretudo na Fifa", afirmou, em entrevista à rádio Itatiaia.

Ao Superesportes, Sérgio explicou que o estatuto do clube prevê a possibilidade das eleições a distância. Segundo ele, o parágrafo 2º do artigo 23, seção IV, capítulo II do documento garante esse tipo de pleito:

"O voto é secreto, pessoal e intransferível. Deve ser manifestado através de cédula, que será colocada em envelope fornecido e rubricado pelo presidente do Conselho Deliberativo e depositado em urna pelos componentes da mesa, ou por sistema eletrônico de votação", lê-se no documento.

“O estatuto permite votação por meio eletrônico que é, inclusive, a modernidade. Estamos em caráter de exceção. Vemos, por exemplo, o Congresso e a própria Assembleia de Minas, que sempre exigiu votações presenciais. Para que a coisa não pare, passaram por cima disso para fazer as deliberações virtuais. Ou seja, isso é questão de modernidade. Ainda que não tivesse previsão no estatuto, acho que, em caráter de exceção, poderia ser”, disse Sérgio.
Sérgio também defendeu a tese de muitos conselheiros de eleição única, mas desde que ela seja realizada nos próximos meses e não em outubro, quando quer o Conselho Gestor. "Já propus isso também. Plebiscito e no dia 21 votamos duas vezes. Primeiro, para presidente. Depois, se o conselheiro aceita que o mandato valha por três anos e meio". 

Guerra política

A disputa eleitoral tem movimentado os bastidores políticos do Cruzeiro. Sérgio Santos Rodrigues lançou a candidatura com apoio de muitos conselheiros ligados ao Grupo Transparência. Ele também já foi 'apadrinhado' pelo empresário Pedro Lourenço, do Supermercados BH. Para dar continuidade ao processo de reconstrução, o núcleo gestor dá suporte à candidatura de Emílio Brandi. Nas últimas semanas, houve a tentativa de acordo para chapa única. Contudo, os grupos não chegaram a um consenso.
 
Para Sérgio Santos Rodrigues, não há uma guerra política. Isso porque, segundo ele, só há ataques de um lado. “Ninguém pega uma manifestação minha falando mal do Conselho Gestor ou de membros deles, diferentemente dos pronunciamentos do Dalai, que têm sido bem ofensivos à minha pessoa. Acho que o processo democrático é bom para toda instituição. Não sei porque estão dizendo que eleição é guerra. Não concordo com isso de forma alguma”, explicou ao Superesportes.

De acordo Sérgio, o momento de turbulência que a administração do Cruzeiro passa foi causada pelo grupo que comanda o clube. 

“Quem declarou essa guerra, provavelmente, foi o Conselho Gestor, porque fui lançado candidato à presidência pelo Grupo Transparência. Tinham 80 conselheiros que, basicamente, de forma unânime, estão me apoiando ainda, porque acham que o correto era seguir a vontade desse grupo. Nesse grupo, inclusive, alguns membros do Conselho Gestor faziam parte e foram convidados para compor a minha chapa antes do Emílio (Brandi) ser candidato. Depois disso, eles lançaram o Emílio na reunião à portas fechadas, com sete pessoas. Acho que o apoio dos conselheiros deixa claro quem está certo e quem está errado nessa questão”, afirmou.

Na visão de Sérgio Rodrigues, o Conselho Gestor “atropelou” o processo de candidatura ao lançar Emílio Brandi como um dos concorrentes ao cargo. “Esse grupo nosso, que tem vários membros do Conselho Gestor, do Transparência, 95% do grupo ficou comigo, me apoiando, e ficou chateado com o Conselho Gestor. Foram eles que lançaram um candidato contra o candidato natural do Grupo Transparência, que era eu. Quem atropelou o processo foi, na minha opinião, o Conselho Gestor”.

Apesar de não enxergar uma “guerra de bastidores”, ele acredita ser possível ter paz nas eleições. Porém, afirma que agressões contra sua pessoa precisam acabar. “Eu vejo, toda hora, insinuações de obsessão, de vaidade, ficam fazendo posts assim, invés de falar a realidade, o que acham de cada um. Da minha parte, não vou denegri-los, pelo contrário, sempre valorizo. Acho que, como todo mundo, vai acertar e vai errar”. 

Administração do clube

O modelo de gestão aplicado no Cruzeiro não agrada Sérgio Santos Rodrigues. Segundo ele, não é "saudável" para o clube ter um Conselho Gestor. Sérgio disse que nem os membros do Conselho - em sua maioria empresários - utilizam desse tipo de administração em suas empresas, com o clube celeste não deveria ser diferente.

“Nenhum clube do mundo tem. Aliás, temos o exemplo do América que tem, mas se pegarmos Real Madrid, Flamengo, Palmeiras, os grandes clubes, ninguém tem. Tanto que esses próprios empresários, em suas empresas, também não tem Conselho Gestor, sinal que eu acho que eles também não concordam que é o melhor modelo”, finalizou.

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