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Presidente responsável por contrair dívida de Denilson, Gilvan dispara sobre Conselho Gestor do Cruzeiro: 'Fizeram corpo mole'

'Fizeram o que? Fizeram nada', complementou o ex-mandatário

postado em 20/05/2020 16:20

(Foto: Washington Alves/Ligthpress/Cruzeiro)
Presidente do Cruzeiro entre 2012 e 2017, Gilvan de Pinho Tavares foi o responsável pela gestão que contraiu a dívida pela contratação do volante Denilson. Em julho de 2016, o clube celeste acordou com o Al-Whada, dos Emirados Árabes, o empréstimo por seis meses do ex-jogador do Arsenal, mas não pagou os 500 mil dólares acertados durante as negociações. 

A punição pelo débito saiu nessa terça-feira, quando a Fifa informou à CBF que o clube iniciará a Série B do Campeonato Brasileiro com menos seis pontos na tabela.

Procurado para analisar a punição, Gilvan afirmou que foi pego de surpresa. E fez duras críticas ao Conselho Gestor, grupo de conselheiros que assumiu a administração do Cruzeiro após a renúncia do ex-presidente Wagner Pires de Sá, em dezembro de 2019. Ele alegou que os gestores estão transferindo responsabilidade pelo não-pagamento. “Esse Conselho Gestor fez corpo mole. Fizeram nada. Fizeram o que?”, disparou.

“Eu que fui pego de surpresa porque o Conselho Gestor jogou na minhas costas e não no Wagner. Era uma dívida de 800 mil euros (na verdade, 500 mil dólares). Não me lembro porque fomos discutir na Fifa, mas nosso advogado (Breno Tannuri) achava que ia ganhar. Não ia pagar antes disso, ainda mais para clube árabe, que você sabe que não recebe nunca um estorno. Não pagaria sem ter certeza de que é devido”, disse.

“Passou meu mandato e o Cruzeiro ficou discutindo isso na Fifa. Ele (advogado) achava que ganharíamos. Perdemos o processo já com o Conselho Gestor, que não conseguiu crédito. Até passagem de avião parece que eles conseguiram, não puderam viajar em razão desta pandemia. Deram tudo quanto é desculpa. Mas hoje em dia tem telefone, tradutores, tem várias formas de resolver. Mas eles preferiram jogar nas minhas costas, agora o torcedor fica achando que eu sou o culpado”, alegou. 

Como justificativa para não ter quitado o débito que contraiu, Gilvan alegou que também precisou quitar contas de seus antecessores quando assumiu a presidência do Cruzeiro, em 2012. Nesta mesma declaração, o ex-presidente criticou atuações do ex-presidente Wagner Pires de Sá, mas, principalmente, do Conselho Gestor. 

“Quando eu assumi, o Cruzeiro devia para (Banco) BMG, Coritiba, Energil C. O Cruzeiro vendeu o Dudu em 2011 e antecipou dinheiro da venda, fiquei com dívida desta negociação para 2012. Ficou dívida do Dudu para o BMG, Energil C e ao Coritiba. Fui lá e paguei. Outras dívidas que apareceram da gestão anterior, eu honrei os compromissos. E esse pessoal da gestão do Wagner e do Conselho Gestor não pagou nada. Esse Conselho Gestor fez corpo mole. Fizeram nada. Fizeram o que? O início da dívida era 850 mil euros (na verdade, 500 mil dólares). Não é astronômico. Eles não pagaram e eu que sou culpado?”, disse Gilvan.

Gilvan respondeu de forma afirmativa quando questionado se a revolta era em função das declarações de Saulo Fróes, presidente do Conselho Gestor. Em entrevistas às rádios 98FM e Itatiaia, o dirigente ressaltou que as dívidas foram contraídas pelo ex-presidente

Outro lado

Durante a entrevista, Gilvan citou que o advogado Breno Tannuri,  que defendeu o Cruzeiro na ação contra o Al Whada, havia garantido vitória na ação. Procurado, Tannuri enviou a seguinte mensagem à reportagem: 

“Era uma ação de cobrança. Aliás, continua sendo uma ação de cobrança. E eu realmente ganhei, foram abatidas todas as multas. Agora, pagar o principal isso infelizmente não há o que fazer. Mas ele tem razão, conseguimos anular todas as multas, caso contrário o valor devido seria 50% a mais. Como se não bastasse, Conseguimos a aplicação de juros de mora de 5% ao ano que é minimo estipulado pela legislação Suíça, que aplica-se ao caso em tela. Infelizmente, não havia mais nada que Eu poderia fazer…

Embora já tenha se manifestado sobre o tema em duas entrevistas a outros veículos nesta manhã, Saulo Fróes também foi procurado, mas não atendeu ao contato da reportagem ou respondeu as mensagens de texto. 

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