Presidente do Cruzeiro, Sérgio Santos Rodrigues garante não ter esquecido das suspeitas de irregularidades envolvendo a diretoria de Wagner Pires de Sá, ex-mandatário que renunciou ao cargo em dezembro de 2019. A nova gestão do clube aguarda os trabalhos de investigação da Polícia Civil e do Ministério Público para buscar meios de recuperar o “dinheiro perdido” entre 2018 e 2019.
Em entrevista ao Superesportes, Sérgio, que é advogado, explicou que precisa da materialidade das provas, no caso, para avançar nas medidas que podem ser tomadas pelo Cruzeiro. Inicialmente, ele contratou um escritório de advocacia para representar a Raposa nas questões criminais.
“Nomeamos o escritório criminal do Doutor Ariosvaldo Campos Pires, que foi um dos maiores criminalistas do país. O Fred Pires (filho de Ariosvaldo), que é um grande cruzeirense, veio integrar o time para juntarmos procuração nesses inquéritos. Pediu acompanhamentos e reuniões, buscando da forma mais efetiva possível”, disse.
“Está sempre no final (a investigação). A gente ouve falar que ‘já, já sai alguma coisa’. Foge do nosso controle. Infelizmente ainda estamos reféns do sistema, e acredito que a pandemia piorou muito. Mas tal como o torcedor, espero que seja feito o quanto antes. Acredito que tenham dados de transferência de dinheiro, quebra de sigilo, Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) , essas coisas. Precisamos dessa materialidade para buscar o dinheiro perdido. Queremos não apenas a punição criminal, mas também a recuperação do dinheiro que supostamente foi desviado ou gasto de forma irregular”, complementou.
Superintendente de relações institucionais e governamentais do Cruzeiro, o deputado estadual Leo Portela se reuniu recentemente com os delegados que cuidam das investigações. Nessa quarta-feira, ele afirmou que Sérgio Rodrigues anunciará, na live desta quinta, as medidas que serão tomadas pelo clube celeste na área cível. “O pau vai torar, estamos na cola deles”, escreveu o parlamentar.
Ex-dirigentes do Cruzeiro - entre eles o próprio Wagner Pires de Sá, o ex-vice de futebol Itair Machado e o ex-diretor-geral Sérgio Nonato - são investigados por suposta participação em cinco crimes: falsificação de documentos, falsidade ideológica, apropriação indébita, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
De acordo com o Ministério Público e a Polícia Civil, "o marco das investigações é a gestão iniciada em outubro de 2017". Logo, a administração do ex-presidente Wagner Pires de Sá está sendo objeto de análise.
Em maio, o Cruzeiro entregou um relatório com mais de 600 páginas ao Ministério Público. Trata-se de todo o trabalho desenvolvido pela Kroll, especializada em gestão de risco, investigações corporativas, compliance e cibersegurança. A empresa citou uma série de irregularidades.
No último ano da gestão de Wagner Pires de Sá, o Cruzeiro apresentou um déficit recorde de R$ 394.100.974 em 12 meses, conforme levantamento realizado pela Moore Stephens Consulting News Auditores Independentes. Segundo os auditores, há 'incerteza significativa' quanto à 'capacidade de continuidade operacional do clube' celeste.
A entrevista
Sérgio Santos Rodrigues concedeu entrevista exclusiva ao Superesportes/Estado de Minas. Na conversa, presidente do Cruzeiro falou sobre finanças, contratações, patrocínios, entre outros temas relacionados ao início de sua gestão. Veja o que já publicamos: