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Diretor do Cruzeiro passa a limpo as finanças do clube: 'Estamos vendendo o almoço para comprar a janta'

Matheus Rocha, diretor de controladoria e finanças, destrinchou as dívidas do clube celeste

postado em 04/07/2020 07:00 / atualizado em 04/07/2020 02:33

(Foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press)
Cruzeiro tem endividamento líquido de cerca de R$ 800 milhões, dos quais aproximadamente R$ 600 milhões são débitos de curto prazo. O diretor de finanças e controladoria celeste, Matheus Rocha, destrinchou a situação em que o clube se encontra em uma live realizada pela empresa de auditoria BDO Brazil. 
 
"A dívida fiscal é a maior do Cruzeiro. Temos débitos na Fifa e trabalhistas, mas as dívidas fiscais e sociais reduziram. Mas, em contrapartida, as dívidas trabalhistas aumentaram porque mandamos tanta gente embora nesses últimos meses e as rescisões ainda estão sendo discutidas. As obrigações trabalhistas aumentaram e a gente quer pagar todo mundo. As pessoas só precisam entender um pouco a situação que pegamos hoje. Estamos basicamente vendendo o almoço para pagar a janta", disse. 

Dívidas do clube  

Uma dívida do clube celeste já gerou um enorme prejuízo no âmbito esportivo. A Fifa determinou que o Cruzeiro começasse a Série B do Campeonato Brasileiro com menos seis pontos em razão do não pagamento no valor de 850 mil euros (R$ 5 milhões), referentes ao empréstimo do volante Denilson, do Al Wahda, dos Emirados Árabes Unidos, em julho de 2016.
 
A Raposa ainda trabalha para quitar os valores devidos ao clube dos Emirados Árabes nos próximos meses. Matheus Rocha disse que o Cruzeiro está focado no pagamento da dívida para evitar o descenso à Série C.
 
"A Fifa, nós já pagamos o Zorya (pelo atacante Willian) que era o primeiro pagamento importante. Estamos aí com a Operação Fifa, que são várias ações em conjunto. Hoje nós só temos o Al-Wahda, que é a dívida que não conseguimos pagar em meados de maio e que a ideia é que paguemos isso nos próximos meses. Essa é a única que dá uma punição mais severa que é a queda à Série C. Estamos com isso no radar e estamos trabalhando pesado para esse pagamento ao Al-Wahda", completou. 
 
No dia 23 de junho, o Cruzeiro informou ter recebido mais duas ordens de quitação: uma de US$ 2.286.840,00, pela compra de Rafael Sobis ao Tigres do México, e outra de 395.619 euros, relativa ao empréstimo de Pedro Rocha junto ao Spartak Moscou, da Rússia. Os valores correspondem a R$ 14,6 milhões em moeda nacional.
 
O prazo para a quitação da dívida celeste por Sobis é até 15 de julho. Já a data limite para saldar os valores de Pedro Rocha é 6 de agosto. Entretanto, segundo o clube, as penalidades são o impedimento de registro de atletas, até que as situações sejam resolvidas. Não há, portanto, risco de nova perda de pontos, nem rebaixamento de divisão. Enquanto isso, a diretoria tenta negociar diretamente com os credores.
 
"As outras nós também estamos trabalhando no pagamento, porém temos uma pena mais branda que é o não registro de atletas, que eu acredito que alguns clubes brasileiros já tiveram. A dívida da Fifa aumentou um pouco mais em função da variação cambial. Estou tentando já fazer ações para segurar uma possível variação cambial, mas a dívida aumentou nesse sentido", explicou Rocha. 
 
No dia 20 de maio, o Cruzeiro divulgou o balanço financeiro relativo ao exercício do ano passado. O valor exato do déficit no período foi de R$ 394.100.974, segundo levantamento realizado pela Moore Stephens Consulting News Auditores Independentes. A dívida total do Cruzeiro chegou a R$ 803.486.208 em 2019. 

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