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Drubscky detalha relações no 'novo Cruzeiro' e garante: 'Com o time que está em nossas mãos nós subimos de divisão'

Em entrevista ao Superesportes/Estado de Minas, diretor elogiou grupo de jogadores e trabalho de Enderson Moreira

postado em 05/07/2020 06:00 / atualizado em 04/07/2020 18:33

(Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro)
Remanescente da última administração do Cruzeiro, liderada por um grupo de conselheiros que assumiu a gestão do clube após a renúncia do ex-presidente Wagner Pires de Sá, o diretor de futebol Ricardo Drubscky, de 58 anos, concedeu entrevista exclusiva ao Superesportes/Estado de Minas

Mantido no cargo pelo novo mandatário, Sérgio Santos Rodrigues, Drubscky falou sobre a relação com novos colegas de trabalho e a divisão das tarefas em seu departamento. Ele também analisou a possibilidade de retorno do futebol em meio à pandemia de coronavírus, comentou as saídas para as dívidas da Raposa na Fifa e a possibilidade de novas contratações. 

Por fim, o diretor de futebol do Cruzeiro garantiu que o atual elenco celeste tem qualidade suficiente para garantir o acesso à Série A do Campeonato Brasileiro em 2020. "Tem muita qualidade do trabalho, muita qualidade individual flutuando na Toca da Raposa II", garantiu.

Leia abaixo, na íntegra, a entrevista realizada com Ricardo Drubscky:

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Como‌ ‌tem‌ ‌sido‌ ‌seu‌ ‌trabalho‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌Deivid?‌ ‌Como‌ ‌as‌ ‌tarefas‌ ‌ficaram‌ ‌divididas,‌ ‌quem‌ ‌é‌ ‌responsável‌ ‌pelo‌ ‌que‌ ‌no‌ ‌departamento‌ ‌de‌ ‌futebol?‌ ‌

Encontramos eu, Sérgio e o Deivid e acertamos a responsabilidade do futebol ficando sob minha responsabilidade e do Deivid. Passamos duas semanas nos entendendo, até porque eu já o conhecia, mas no dia a dia de trabalho foi a primeira vez. Começamos a nos relacionar, a entender. O departamento de futebol já é uma coisa muito grande em se tratando de um clube de futebol, se tratando de Cruzeiro. São muitas atribuições. A gente está trabalhando em conjunto, cada qual com tarefas bem definidas, mas tomando atitudes conjuntas, estamos conectados. Está sendo muito legal. É uma divisão muito saudável, muito produtiva. São muitas as tarefas, as atribuições, e a gente conseguiu dividir bem. O passar do tempo vai nos fazer afinar ainda mais as ações.

Pode detalhar o que ficou para o Deivid e o que ficou para o senhor?

É muita coisa. Aos olhos do mercado de uma maneira geral e de todos os segmentos do futebol, parece que o executivo é um mero contratador de jogadores. É uma visão muito reduzida das muitas atribuições. O Ricardo Drubscky, por exemplo, fica com a liderança de pessoas dentro do CT, fica na proximidade do campo muito mais. O Deivid fica muito na parte negocial, até porque ele tem um perfil muito bom para isso. Ele está muito próximo do presidente para outras ações também, que o presidente julga necessárias. E eu fico por conta de um milhão de coisas na Toca II. Mas o mais interessante é que estamos em contato, juntos. Estou na sede, ele na Toca II. 

Meu trabalho no América, foram três anos e meio, e nós fizemos e executamos as funções de diretor-executivo em três. Era eu, Paulo Assis e Luiz Kriwat, dada ao inúmero leque de tarefas para desempenhar. Nos demos muito bem. Aqui no Cruzeiro está se desenhando uma coisa parecida. Estou acreditando que vamos funcionar muito bem.

Como o senhor tem visto essa possibilidade de reinício do calendário do futebol brasileiro? O Cruzeiro aprova as datas sugeridas, de recomeço do Mineiro em 26 de julho e início do Brasileiro para 9 de agosto?

Numa pré-determinação, realmente dia 8 ou 9 de agosto começa as competições nacionais. O Mineiro já está determinado, ou já está bem encaminhado, nesse momento precisamos ser cautelosos, mas está encaminhado para 26 de julho. Não temos nada sobre mexida no ritmo dos jogos, na composição dos jogos. A verdade é que vamos considerar o ano competitivo a partir de 26 de julho, quando teremos alguma coisa do Mineiro, que ainda não sabemos. Para agosto, logo nos primeiros 10 dias, começa a competição nacional. Por mais que a gente esprema as datas, não terá como não seguir até aproximadamente fevereiro.

Futebol feminino e categorias de base ainda não temos definições. A gente sabe que, desde sempre, o futebol profissional é o carro-chefe. Acredito que, quando tiver uma orientação bastante firme da competição dos profissionais, do masculino profissional, o futebol feminino e as categorias de base vão vir em seguida. 

A‌ ‌Fifa‌ ‌deu prazo ao Cruzeiro até 15 de julho para ‌o‌ ‌pagamento‌ ‌de‌ ‌uma‌ ‌dívida‌ ‌de‌ ‌R$11‌ ‌milhões‌ ‌sob‌ ‌pena‌ de‌ ‌ficar‌ ‌sem‌ ‌poder‌ ‌registrar‌ ‌novos‌ ‌jogadores em caso de não pagamento.‌ ‌Ainda que isso seja um tema mais ligado ao presidente, o senhor acredita‌ ‌que‌ ‌esse‌ ‌débito‌ ‌será‌ ‌quitado‌?‌ ‌De‌ ‌que‌ ‌forma‌ ‌isso‌ ‌acelera‌ ‌a‌ ‌necessidade‌ ‌de‌ ‌contratações‌ ‌mais‌ ‌rápidas‌ ‌para‌ ‌que‌ ‌os‌ ‌jogadores‌ ‌possam‌ ‌ser‌ ‌registrados antes desta data?‌ ‌

Tem muitas coisas nessas entrelinhas que a gente precisa deixar bem definido. Primeiro, não sou a pessoa certa para dar essa pessoa, como você disse. O presidente está ladeado por grandes profissionais do mercado, em busca de recursos. Ter ele próprio já é uma bandeira muito forte do clube e também membros da área negocial e financeira do clube para poder responder isso melhor. Jurídica também. 

Eu tenho certeza que vamos quitar os nossos compromissos. Não tenho dúvidas. A questão de contratações, eu tenho dito há algum tempo, estamos caminhando nas contratações da maneira como nos é permitido caminhar. Não só pelo mercado, mas pelo efeito da pandemia. Os clubes se estagnaram. Pelo menos a grande maioria. Até para evitar maiores movimentações financeiras que trouxesse prejuízo maior ao clube.

A gente já repatriou o Patrick Brey, já contratamos o Régis, repatriamos o Henrique, temos o Angulo que ainda não estreou. O próprio Ariel Cabral, que fez apenas um jogo. Os dois zagueiros que vieram. O Raúl Cáceres já contratamos. A princípio já contratamos quatro jogadores, cinco se considerarmos o Henrique e o Patrick Brey. Está caminhando. Temos mais uma coisinha ou outra para dar uma pincelada e seguir em frente.

Mas falando especificamente sobre essa data, 15 de julho. O senhor acha que o Cruzeiro corre risco de não poder mais inscrever jogador a partir desta data?

Eu acredito piamente que vamos quitar o que temos de compromisso. A tarefa do Cruzeiro não é simples, não é fácil, mas a força, a energia que está dentro do clube é incomparável. Temos uma força-tarefa dentro do clube, uma energia nos movendo, que é algo de muita expressão. Nem vou mais me alongar nisso, não tenho competência para responder tecnicamente essa pergunta, mas tenho plena confiança que os esforços serão feitos e não teremos nenhum atropelo.

Sobre‌ ‌reforços,‌ o senhor ‌já‌ ‌comentou‌ ‌a‌ ‌ideia‌ ‌de‌ ‌ter‌ ‌pelo‌ ‌menos‌ ‌mais‌ ‌um‌ ‌lateral-direito,‌ ‌além‌ ‌do‌ ‌Cáceres,‌ ‌e‌ ‌mais‌ ‌um‌ ‌esquerdo.‌ ‌Qual‌ ‌é‌ ‌o‌ ‌perfil‌ ‌desses‌ ‌reforços?‌ ‌Vem do mercado‌ ‌sul-americano,‌ ‌como o‌ ‌Cáceres?‌ ‌

Importante dizer que se a gente fala que está no mercado, daqui 15 minutos meu telefone não para de chegar oferta. Temos uma pesquisa de mercado, temos um setor de inteligência no clube, temos cabeças pensantes que fazem parte desse setor, tem o Deivid, o Ricardo Drubscky, o Enderson, seus dois auxiliares, os dois analistas de mercado. Estamos vasculhando. Se a gente pegar a agenda de jogadores observados a médio, longo prazo, temos futebol paulista monitorado, futebol brasileiro séries A, B e C. Mas não é só ir lá e buscar. Por causa de N fatores. Temos 32, 33 jogadores e estamos satisfeitos. Nosso elenco está muito forte. Qualidade de treino que temos presenciado é de altíssimo nível. O treinador está satisfeito. Temos consciência de que um ou dois reforços podem somar bastante. 

Futebol brasileiro, eu condeno muito isso, estamos entregues a escolha de jogadores. Estamos vislumbrando escolhas de jogadores, de qualidade individual, e estamos esquecendo do trabalho. Do que comunga. Atrás disso, muitos jogadores nossos são queimados, por vários segmentos, porque a qualidade do jogo ficou adormecida. A qualidade do jogo, a qualidade do treino, a inteligência dos nossos treinadores. Ficou adormecida. Precisamos trazer ideias? Mentira. Não temos que trazer nada.

O time que está hoje em nossas mãos nós subimos de divisão. Sem desmerecer esse ou aquele elenco. Temos qualidade. O que não podemos cravar é que vamos conseguir fazer essa química toda de treinamentos, liderança de grupo, condições extra-campo que vão nos ajudar. Se formos felizes, principalmente o treinador e sua equipe, de usar da nossa competência para fazer esses jogadores, nosso elenco é de muito bom nível.

Com‌ ‌o‌ ‌retorno‌ ‌do‌ ‌Henrique‌ ‌e‌ ‌as‌ ‌várias‌ ‌opções‌ ‌para‌ ‌o‌ ‌meio-campo,‌ ‌o‌ ‌Cruzeiro‌ ‌desistiu‌ ‌oficialmente‌ ‌da‌ ‌contratação‌ ‌do‌ ‌Lucas‌ ‌Romero?‌ ‌

Não sei. Uma possível contratação do Romero envolve mais coisas, como nosso presidente já disse e como nós temos conversado nos bastidores. Envolve coisas em termos financeiros, em dificuldade do negócio, em termos da nossa atual situação. Volto a dizer, estamos com elenco de qualidade. O Romero tem lugar na nossa equipe, no nosso elenco, e no elenco de vários clubes brasileiros. Porque é muito bom jogador.

Queria‌ ‌saber‌ ‌os‌ ‌bastidores‌ ‌do‌ ‌retorno‌ ‌do‌ ‌Henrique.‌ ‌Como‌ ‌surgiu‌ ‌a‌ ‌oportunidade,‌ ‌como‌ ‌isso‌ ‌foi‌ ‌debatido‌ ‌internamente,‌ ‌como‌ ‌caminhou‌ ‌as‌ ‌tratativas?‌ ‌

Estamos constantemente conversando. O nome do Henrique nos surgiu. Começamos a conversar e teve muito interesse de ambas as partes. Ele estava muito interessado em vir. Ficou muito pesaroso de largar o Fluminense nessas condições, ele mal chegou, mas com o chamado do Cruzeiro, a combinação, foi muito mais forte. É importante dizer que não estamos pagando um centavo a mais no que o Henrique tinha direito. Ele está vindo para voltar mesmo.

Na live ele se desculpou, mas na minha opinião até sem motivo para desculpas. Mas de tão bom caráter que é... Ele, na Toca da Raposa II, parecia que não tinha saído. Todo mundo passava cumprimentando, do funcionário mais simples ao mais graduado. É uma peça que vem, vai somar muito, e estamos muito felizes com isso. 

Em‌ ‌entrevista‌ ‌recente,‌ o senhor ‌projetou‌ ‌vários‌ ‌jogadores‌ ‌realocados‌ ‌para‌ ‌atender‌ ‌a‌ ‌um‌ ‌desejo‌ ‌do‌ ‌Enderson‌ ‌de‌ ‌trabalhar‌ ‌com‌ ‌um‌ ‌elenco‌ ‌menor.‌ ‌Desde‌ ‌então,‌ ‌deixaram‌ ‌o‌ ‌grupo‌ Edu,‌ ‌Makton‌, Rafael‌ ‌Santos e Jhonata Robert*.‌ ‌Acredita‌ ‌que‌ ‌mais‌ ‌quantos‌ ‌atletas‌ ‌ainda‌ ‌deixarão‌ ‌o‌ ‌clube?‌ ‌

Futebol é muito dinâmico. Ano de pandemia - uma palavra que sabíamos que existia, mas nunca vivenciamos o efeito - nos faz sempre refazer conceitos. Estamos fazendo nossas contas. A partir da reunião (da Comissão Nacional de Clubes), como vamos encaixar 38 jogos, de 8, 9 de agosto, até… Contando que Natal é uma data onde o mundo, principalmente o Brasil, um país cristão por excelência, o mundo cristão para por alguns dias, e terá que ter jogos. O Enderson, conversando comigo, com o Deivid, de repente 32 jogadores não é um número grande não.

Terão cinco substituições, o que vai mudar o perfil tático dos jogos. Não está fugindo da conta inicial, de 28 a 30 (jogadores), mas também não vai extrapolar, talvez a gente vá sair um pouco, para 32 jogadores, é algo que nos interessa para atender essas dificuldades.

*Nesse sábado (04/07), o Cruzeiro também anunciou a devolução de Everton Felipe ao São Paulo

Nós‌ ‌tivemos‌ ‌informação‌ ‌de‌ ‌um‌ ‌interesse‌ ‌firme‌ ‌do‌ ‌Athletico‌ ‌Paranaense‌ ‌na‌ ‌contratação‌ ‌do‌ ‌volante‌ ‌Jadsom.‌ ‌As‌ ‌tratativas‌ ‌ainda‌ ‌estão‌ ‌em‌ ‌curso,‌ ‌há‌ ‌possibilidade‌ ‌de‌ ‌saída‌ ‌deste‌ ‌jogador?‌ ‌

Não quero citar nome de jogadores e nem nome de clubes. A verdade é que a gente percebe que o mercado quer 'ajudar' - entre aspas - o Cruzeiro. Quer ajudar no sentido de pegar o que temos de melhor por qualquer valor. Isso para mim não é ajudar, é explorar. Estamos atentos a isso. Candidatos a levar esse ou outro jogador são muitos. Mas tudo a nível de especulação.

Se chegarem com valores que são condizentes com idade, performance, a vitrine que o Cruzeiro representa como um gigante da América do Sul e do mundo, se chegarem coisas compatíveis, acho interessante fazer. Eu não sei se consigo responder satisfatoriamente, mas são vários jogadores, que estão na base, sub-15, sub-17, com interesse do mercado, mas os camaradas querem "ajudar" de uma maneira que não ajudar de uma maneira que não ajuda, não atende ao Cruzeiro.

Eu espero, sinceramente, que consigamos superar esses momentos ou com vendas realmente que valham ou com captação de receitas de outras fontes, temos uma equipe muito grande em busca disso. Para que a gente possa colocar a vitrine que temos em seu devido lugar e os atletas que temos com seu devido valor, para que aí sim o Cruzeiro resgate o papel que sempre teve, de grande negociador, grande valorizador de talentos. A nossa marca é muito forte.

O‌ ‌Cruzeiro‌ ‌promoveu‌ ‌recentemente‌ ‌o‌ ‌Stênio,‌ ‌jogador‌ ‌nascido‌ ‌em‌ ‌2003,‌ ‌que‌ ‌“superou”‌ ‌outros‌ ‌atletas,‌ ‌tratados‌ ‌como‌ ‌grandes‌ ‌promessas e mais velhos.‌ ‌Há alguma sinalização de mercado já por esse jogador? Isso explica a promoção?

A gente não pode abrir o livro de uma maneira escancarada. Temos nossas ações de inteligência, do que interessa ao clube. Tem um grande cientista alemão na área de desenvolvimento de talentos que fala sobre a corrida do talento, o desenvolvimento dos talentos para vários esportes. Essa não é uma corrida matemática. Ao longo de oito anos de formação, em média, que é o que o jogador permanece na base, é uma verdadeira briga de cabeça a cabeça, quem chega, quem não chega. A idade, nisso aí, é um fator que pesa, mas não é determinante. Além disso, tem o olho dos avaliadores. Há erro em tudo. Mas temos tentado fazer uma composição que nos atenda. Que atenda ao Cruzeiro. 

Deveremos ter mais alguns jogadores que poderão subir da base, para compor o elenco*. um fato importante: nós gostaríamos de voltar pelo menos com a categoria sub-20, assim como é vontade de muitos clubes do Brasil. Para ter um suporte ao profissional. Mas voltar com a equipe júnior implica em voltar com vários outros profissionais. Implica em ter jogadores alojados, protocolos severos. Estamos trazendo alguns jogadores para que o Enderson não fique sem avaliações. São jogadores que podem nos atender. Se tivéssemos a equipe junior treinando, talvez dois ou três jogadores que estão conosco, não estariam. Estariam sendo treinados pelo Micale. 

*Na última semana, o Cruzeiro anunciou a promoção do jovem atacante Riquelmo, de 18 anos

Sobre o Stênio, especificamente. Ele de fato desperta o interesse do mercado?

Vários jogadores nossos estão sendo especulados. Eu falei até de jogador sub-15 que está sendo especulado. Não mais nos últimos dias. Mas jogador de sub-15, sub-16, sub-17, sub-18, porque o Cruzeiro sinalizou, um ou outro sinalizou com possibilidade, e aí o mercado inteiro está querendo. Alguns clubes no Brasil estão cedendo jogadores das categorias de base, não é o Cruzeiro, a troco de percentual de direito econômico, graças - entre aspas - à pandemia.

Vários jogadores do Cruzeiro da base foram especulados, mas temos tentado dar uma resposta segura ao mercado, uma resposta firme. Não estamos desfazendo de nossos talentos, o que não quer dizer que não vamos negociar um ou outro se aparecer alguma coisa que realmente valha a pena. Isso faz parte do mercado‌.

O‌ ‌presidente‌ ‌Sérgio‌ ‌Santos‌ ‌Rodrigues‌ ‌afirmou‌ ‌que‌ ‌o‌ ‌Cruzeiro‌ ‌precisará‌ ‌vender‌ ‌mais‌ ‌jogadores‌ ‌para‌ ‌liquidar‌ ‌dívidas‌ ‌e‌ ‌manter‌ ‌salários‌ ‌em‌ ‌dia.‌ ‌Há‌ ‌uma‌ ‌meta‌ ‌consensual‌ ‌de‌ ‌faturamento‌ ‌com‌ ‌transferências‌ ‌em‌ ‌2020?‌ ‌

Não. São números que, do jeito que nós estamos, não dá. Eu desafio clubes. O Enderson falava uma frase, que mantemos vivo: a diferença do jogador de 30 para o jogador de 130 é o momento. Isso é muito sinuoso. Muitos altos e baixos. A fase desse ou daquele jogador. Esses valores são meio fictícios.

O que eu acho e o Cruzeiro está procurando fazer é ter um orçamento. A gente tem conversado com a área econômica do clube, vamos ter, a curto prazo, espero que seja curtíssimo prazo, teremos um orçamento a ser respeitado. Para todas as áreas, todos os núcleos do clube. Para que chegue ao final do ano com custo X, receita Y, e a gente consiga ter um superávit nessas contas. Para reinvestir em patrimônio, ciência, estrutura física, enfim. É uma matemática que a gente usa na nossa casa. O Cruzeiro está caminhando nesse sentido.

O senhor tem grande experiência com formação de jogadores. O que falta ao Cruzeiro para voltar a ser um grande clube vendedor, da mesma forma que Flamengo, Santos, Athletico Paranaense e Grêmio? 

O Cruzeiro tem fama de vendedor. Acho que isso agora é uma fase. Tudo na vida é cíclico. O Grêmio foi um grande vendedor, de repente para. O Inter já vendeu muito, Flamengo já vendeu, mas também já não vendeu também. Santos já vendeu e também já não vendeu. Clubes que parece que vendem, mas aí tem 20% dos direitos. Então isso é relativo. O que eu digo é que estamos num momento tão especial, espero que tenhamos sabedoria de conjungar as dificuldades que estamos vivendo, nós Cruzeiro, com a possibilidade de fazer nossa base, realmente, ser protagonista.

Não estamos dizendo que vamos fazer time de meninos, se foi o tempo que acontecia no Brasil. Treinador não permanece, jogadores nossos não permanecem, a política do clube não permanecem, são voláteis. Fazer times como Inter fez, como Atlético fez, times de menino, como o Cruzeiro já fez, Flamengo, São Paulo, Santos já fez, está cada vez mais distante do horizonte brasileiro, em função das dificuldades que temos.

Desde‌ ‌a‌ ‌saída‌ ‌do‌ ‌Rafael‌ ‌Vieira,‌ ‌em‌ ‌meados‌ ‌de‌ ‌2019,‌ ‌o‌ ‌Cruzeiro‌ ‌não‌ ‌anunciou‌ ‌um‌ coordenador‌ ‌do‌ ‌departamento‌ ‌de‌ ‌análise‌ ‌de‌ ‌desempenho.‌ ‌Como‌ ‌está‌ ‌esse‌ ‌setor?‌ O clube ‌pretende ‌contratar‌ ‌mais‌ ‌algum‌ ‌profissional?‌ ‌

Eu faço parte, desde o lançamento dos cursos da CBF, sou um dos coordenadores, um dos que realmente fundou esse curso há 12, 13 anos atrás. A análise é uma ciência que chegou há pouco tempo no mercado brasileiro. Quando eu era coordenador da base do Cruzeiro eu passei dois meses na Holanda e lá já via um sistema de scout, acompanhei reuniões, em 1998, eu consegui lançar esse departamento de análise de mercado no Cruzeiro, no Athletico Paranaense, no Atlético e no América. Clubes que trabalhei na base e no profissional. 

Hoje, quem tem um analista de mercado resolveu. Opa, calma aí. Para esclarecer: o analisa de desempenho está mais envolvido na análise de jogo, da equipe, do adversário, é aquele braço direito de análises do treinador e da comissão. A análise de mercado são os membros que ficam em busca de opções de mercado. Assistem jogos, in-loco e em vídeo, passam impressões, recebem demandas, e temos dois excepcionais. É o Toninho Almeida e o Bruno Noce. Os dois analistas de mercado. Eles têm mapeados o mercado brasileiro que servem qualquer time do país. 

Os analistas de desempenho são os dois Andrés (Batista e Bertoni), como um braço para o trabalho do Enderson. Mas nesse trabalho, eu digo para você que o analista de desempenho mais importante é o treinador. Ele que tem a maneira de jogar. O treinador é que sabe como a equipe joga. Ele é aquele camarada que edita vídeos, que passa a impressão do que foi a equipe foi. Analista de desempenho de uma equipe é o treinador. Ele tem a responsabilidade de tirar as conclusões e construir o jogo. Os analistas de desempenho são os braços de suporte. O Cruzeiro está muito bem servido nesse setor. 

Sem‌ ‌a‌ ‌possibilidade‌ ‌de‌ ‌ter‌ ‌informações‌ ‌sobre‌ ‌os‌ ‌treinos,‌ ‌a‌ ‌torcida‌ ‌fica‌ ‌muito‌ ‌ansiosa‌ ‌sobre‌ ‌a‌ ‌escalação‌ ‌da‌ ‌equipe,‌ ‌as‌ ‌peças‌ ‌que‌ ‌serão‌ ‌utilizadas.‌ ‌O‌ ‌que‌ o senhor ‌pode‌ ‌dizer‌ ‌sobre‌ formação‌ ‌desses‌ ‌primeiros‌ ‌treinos‌ ‌do‌ ‌Enderson?‌ ‌

Não vou me atrever falar quem jogou aqui, quem jogou ali, se não o Enderson me demite (risos). Faz uma semana, pelo menos, ele já faz treinos em conjunto, esboçando desenhos, fazendo experiências. São muitos jogadores por integrar o elenco. O Enderson está nesse embrião de equipe. 

O que eu posso garantir, pela experiência que tenho, é que tem uma energia muito legal no dia a dia. Logo logo vamos ver. Estou muito confiante. Nós que estamos no dia a dia estamos muito confiantes de que vamos fazer coisas boas. Vamos brigar pelo Mineiro, pela Copa do Brasil e, sem dúvida nenhuma, vamos buscar nosso acesso porque tem uma energia muito positiva. Tem muita qualidade do trabalho, muita qualidade individual flutuando na Toca da Raposa II.

Com relação à Série B, diante da provável realização de jogos sem público, o Cruzeiro manterá o Mineirão como "casa" ou buscará outro estádio? De repente, Arena do Jacaré, em Sete Lagoas, ou o próprio SESC Venda Nova...

Não sei. Eu tenho ouvido presidentes de clubes externando dúvidas sobre vários pontos. Coisas que sairam da reunião (da Comissão Nacional de Clubes), da possibilidades de, por exemplo, o mando de campo do Cruzeiro, só para ficar no nosso terreiro, mas se a cidade não oferece condições, o Cruzeiro vai jogar em outra cidade, outra sede. Onde for permitido jogar. É o Cruzeiro que vai deslocar. Eu achei a ideia interessante, porque um país continental como é o Brasil, vamos ter quadros distintos para todos os lados. Jogos sem torcida, então o efeito do favoritismo vai ser reduzidíssimo. São tantas as possibilidades... Estamos atravessando um momento chato de Belo Horizonte, de volta de degraus na reabertura da cidade. Vamos ter prudência. Não tem como cravar.

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