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Polícia Civil conclui investigação no Cruzeiro e indicia Wagner, Itair, Serginho e quatro empresários

MP ficará responsável por oferecer denúncia contra envolvidos no caso

postado em 10/08/2020 17:01 / atualizado em 11/08/2020 12:51

(Foto: Vinnicius Silva/Cruzeiro)
Polícia Civil concluiu nesta segunda-feira a investigação de possíveis crimes praticados por ex-dirigentes do Cruzeiro. O inquérito será encaminhado ao Ministério Público de Minas Gerais, que ficará responsável por oferecer denúncia contra o ex-presidente Wagner Pires de Sá, o ex-vice-presidente de futebol Itair Machado e o ex-diretor-geral Sérgio Nonato. Os três foram indiciados por irregularidades na administração do clube de 2018 a 2019. A informação foi dada inicialmente pelo jornalista Ezequiel Fagundes, da TV Record, e confirmada pela reportagem.

Em comunicado, a Polícia Civil informou que os três ex-dirigentes do Cruzeiro e quatro empresários foram indiciados pelos crimes de apropriação indébita, falsidade ideológica, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

"A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) confirma a conclusão do Inquérito que investigou irregularidades cometidas por administradores do Cruzeiro Esporte Clube. O procedimento foi encaminhado ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).Três ex-dirigentes do clube e quatro empresários - três atuavam no futebol e um no ramo de Equipamento de Proteção Individual (EPI) - foram indiciados por apropriação indébita, falsidade ideológica, associação criminosa e lavagem de dinheiro".

De acordo com o portal Globoesporte.com, os agentes do futebol indiciados são João Sérgio, ex-representante do goleiro Fábio (romperam parceria no começo deste ano); Carlinhos Sabiá e Wagner Cruz. O empresário do segmento de EPI é Cristiano Richard dos Santos Machado. 


Ministério Público confirmou, em nota, que recebeu o inquérito da Polícia Civil. O órgão terá 15 dias para analisar o relatório e as provas colhidas para decidir se oferecerá denúncia ou pedido para complementar a investigação com novas diligências.

"O #MPMG informa que recebeu da @pcmgoficial hoje o inquérito que investiga eventual organização criminosa nas atividades de direção do @Cruzeiro,, com vistas à obtenção de vantagem a partir de crimes como lavagem de dinheiro, apropriação indébita, falsidade documental e ideológica. Conforme o CPP, o #MPMG tem 15 dias para analisar o relatório da @pcmgoficial e as provas colhidas no inquérito para decidir sobre o oferecimento de denúncia ou pedido para complementar a investigação com novas diligências. #cruzeiro".


Também nesta segunda-feira, o deputado estadual Leonardo Diniz Portela, que ocupa o cargo de superintendente de relações institucionais e governamentais na gestão de Sérgio Santos Rodrigues no Cruzeiro, repercutiu a notícia em seu perfil no Twitter. “Vale a pena lutar por justiça! A Polícia Civil, concluiu as investigações e encaminhou relatório ao MP indiciando Itair Machado, Wagner Pires, Sérgio Nonato e outros, por diversos crimes. É #umnovoCruzeiro e iremos até o fim para que essa quadrilha pague pelo que fizeram”.

Em 21 de maio, o Ministério Público havia informado que “o marco da investigação é a gestão iniciada em outubro de 2017”, quando Wagner Pires foi eleito presidente do clube celeste. As práticas irregulares da administração vieram à tona em reportagem veiculada no programa Fantástico, da TV Globo, em 26 de maio de 2019.

Um dos casos mais graves noticiados pelo Fantástico foi um empréstimo de R$ 2 milhões contraído com o empresário Cristiano Richard dos Santos Machado, um dos indiciados e sócio de firmas que atuam na locação de veículos e de equipamentos de proteção. Para abater o débito, o clube incluiu parte dos direitos econômicos de jogadores do profissional, como David (20%), Raniel (5%), Murilo (7%) e Cacá (20%), e de outros que passaram pela base e foram negociados, casos de Gabriel Brazão (20%) e Vitinho (20%). Além disso, o Cruzeiro inseriu participação em uma possível venda do promissor Estevão William, à época com 12 anos, que, pelas leis trabalhistas, só poderá assinar vínculo laboral a partir dos 16.

A Polícia Civil ainda averiguou superfaturamento de serviços, notas frias, comissões abusivas para empresários de atletas e aumentos substanciais nos salários de dirigentes - entre os quais de Itair Machado, R$ 180 mil mensais (multa rescisória de R$ 2 milhões), e Sérgio Nonato, R$ 125 mil mensais (multa rescisória de R$ 1 milhão).

Integrantes de departamentos de menor exposição na mídia também tinham remunerações consideradas acima do mercado. Humberto Pires de Sá, filho de Wagner, recebia quase R$ 30 mil, enquanto Fabrício Visacro, cunhado de Itair, ganhava na casa de R$ 20 mil. Outras possíveis irregularidades investigadas pela Polícia Civil foram apontadas na contratação de conselheiros para a prestação de serviços e o pagamento a torcidas organizadas.

O mandato do economista Wagner Pires de Sá arruinou as finanças do Cruzeiro e mergulhou o time na Série B do Campeonato Brasileiro. Relatório da Moore Stephens Consulting News Auditores Independentes publicado em 20 de maio apresentou déficits na instituição de R$ 73,3 milhões, em 2018, e R$ 394,1 milhões, em 2020. Ou seja, com o ex-presidente, a Raposa acumulou mais de R$ 467 milhões “no vermelho” e atingiu dívida de R$ 803 milhões, impagável em curto prazo. Em um efeito cascata, o Núcleo Dirigente Transitório, que geriu o clube no primeiro semestre, projetou déficit de R$ 143 milhões em 2020, o que pode fazer o passivo alcançar R$ 946 milhões no balanço a ser publicado em 2021.

Além da chance de responderem por crimes, Wagner, Serginho e Itair podem ser definitivamente banidos do Cruzeiro. Na última sexta-feira, o presidente Sérgio Santos Rodrigues protocolou as petições para excluir os dois primeiros do Conselho Deliberativo e o último da lista de associados. Entre os vários argumentos apresentados estão os contratos com jogadores e intermediários lesivos ao clube, a “avalanche” de ações trabalhistas devido a atrasos salariais, o uso de cartões corporativos para fins pessoais e a perda do parcelamento da dívida fiscal com o Governo, de R$ 330 milhões, por meio do Profut.

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