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Presidente do Cruzeiro diz que 'prometer acesso é complicado' e avalia renegociação salarial em 2021

Sérgio Santos Rodrigues segue convicto de que a equipe vai voltar à Série A

postado em 29/11/2020 17:54 / atualizado em 30/11/2020 13:48

(Foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
Com as finanças comprometidas em razão da dívida de mais de 900 milhões e a queda para a Série B do Campeonato Brasileiro, o Cruzeiro iniciou a temporada repactuando os salários dos jogadores que permaneceram no clube dentro de um teto de R$ 150 mil, com a promessa de pagar a diferença a partir de abril de 2021. O problema é que o time não engrenou na segunda divisão e está a 12 pontos do G4 faltando 14 rodadas para o término da competição. Diante do cenário pouco otimista de retorno à elite nacional, o cenário econômico pode piorar nos próximos meses.


Por isso, o Cruzeiro já começa a pensar na próxima temporada. Caso permaneça na Série B, o clube terá menos dinheiro para amortizar o seu passivo e manter as obrigações trabalhistas em dia. Isso poderia, por exemplo, inviabilizar os acordos firmados com os atletas mais experientes, como o goleiro Fábio, os zagueiros Léo e Manoel, os volantes Henrique e Ariel Cabral (emprestado ao Goiás até fevereiro) e o atacante Sassá. Entretanto, o presidente Sérgio Santos Rodrigues garante que tem condições de renegociar o pagamento a esses jogadores.

“Não me preocupo com isso pois, se acontecer o pior, que é o não acesso, acho que será tranquilo renegociar. Os atletas já sabem disso. Já foi conversado que se o orçamento for reduzido essa renegociação teria que ser feita”, afirmou o dirigente, em entrevista ao UOL Esporte.

De acordo com Rodrigues, os jogadores que ficaram no Cruzeiro depois da queda à Série B entendem bem a situação, não criam problemas e buscam ajudar o clube. “Os jogadores têm sido muito bacanas com o Cruzeiro. Fábio, Léo, Henrique, Ariel Cabral, Manoel, que são pessoas que estão nessa situação. Em momento algum brigam ou falam sobre isso. Eles sabem da nossa realidade. Até já partiu de um deles falar com a gente: 'presidente, fica tranquilo, se tiver que trabalhar com outro orçamento nós não queremos prejudicar, somos parceiros e queremos ajudar o Cruzeiro’”.

Vai subir?


O Cruzeiro soma 28 pontos na Série B e ocupa o 16ª lugar. Sonho do torcedor, o acesso parece inimaginável no momento, visto que o Juventude, quarto colocado, contabiliza 40. Com 42 pontos em disputa, a Raposa precisaria contabilizar 35 (83,3%) para atingir 63 e ter 96,5% de chance de acesso, segundo o Departamento de Matemática da UFMG.

Em função da combinação pouco provável, Sérgio Rodrigues admite que é difícil cravar o acesso - algo que o ex-superintendente de relações institucionais e governamentais do Cruzeiro, deputado estadual Léo Portela, fez em suas redes sociais ao afirmar que a equipe subiria matematicamente antes do centenário, em 2 de janeiro de 2021.

“Prometer fim é complicado, a gente pode prometer o meio. Prometer acesso é muito complicado”, afirma o presidente, que, em contrapartida, segue convicto de que a Raposa retornará à Série A na próxima temporada. Em vez de focar em pontos necessários para a promoção, ele prefere projetar a campanha jogo a jogo.

“Eu tinha muita convicção de que ia acontecer [acesso], e convicção eu ainda tenho. Mas hoje é o jogo a jogo. Quando todo mundo fala que tem que ganhar dez, tem que ganhar 12, eu falo, não, tem que ganhar o próximo. Tempo sempre há. Enquanto existem pontos possíveis para que a gente classifique com o elenco que a gente tem, acredito que temos meios de chegar lá sim. E vamos brigar até o fim para isso”.

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