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Presidente do Cruzeiro diz que não há prova sobre desvios e insinua que Léo Portela quer usar o clube para ganhar mídia

Sérgio Santos Rodrigues rebateu acusações de deputado

postado em 02/12/2020 13:16 / atualizado em 02/12/2020 14:10

(Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro)

O presidente do Cruzeiro, Sérgio Santos Rodrigues, disse, em entrevista à rádio 98FM, que não há provas sobre possíveis desvios de materiais esportivos no clube. O mandatário rebateu a denúncia e ainda insinuou que o deputado estadual e ex-superintendente de relações institucionais e governamentais da equipe, Léo Portela, quer ganhar mídia com essas supostas acusações.

"Quando a gente chegou aqui em primeiro de junho, houve uma denúncia. Todo dia chega uma denúncia. Desvia isso, ganha dinheiro nisso... Nós criamos ouvidoria para isso, compliance, e a gente vai fundo nisso. Eu falei: 'Léo, que denúncia é essa?'. 'Ah, tem um cara aqui que compra material de funcionário do Cruzeiro'. Vamos fazer um contraponto sem saber quem era. Todos os funcionários do Cruzeiro ganham material. Ele pode vender o material dele. São cotas dadas à diretoria. Se você sair aqui e vender o seu, é problema seu. Está vendendo o que lhe é de direito. Se for só isso, é muito fraco. Acho que você tem que buscar, ir à Polícia, ver se alguém depõe, grava um vídeo dele comprando. Ele tinha simplesmente um cara que falou que comprava, com um print que supostamente um funcionário do Cruzeiro estaria oferecendo. Não tinha prova nenhuma", afirmou o presidente do Cruzeiro. 
"Por que me surpreende isso? Não vou tirar a investigação de ninguém, pelo contrário. Qualquer superintendente do Cruzeiro sempre teve autonomia completa. Só falei que conduza a coisa de forma correta, porque eu quero tirar o Cruzeiro da página policial para colocar na esportiva, nós vamos ficar fomentando publicamente isso? Se você tem provas, vá à Polícia, você é um deputado, já ajudou nas investigações, isso você pode fazer sem problema nenhum", acrescentou.

Sérgio Santos Rodrigues afirmou que Léo Portela tem a obrigação de ir à Polícia Civil e solicitar a abertura de um inquérito para investigar o assunto, caso tenha mesmo as "provas robustas" que alega ter.

"Mesmo não estando aqui, se ele tem essas provas robustas, porque eu não tenho, na minha mão não está, ele tem a obrigação de ir até a Polícia Civil e pedir para instaurar um inquérito com essas provas. Falar é muito fácil, já parece que vai tomar processo, parece que já tomou alguns outros. Eu não posso é prejulgar. Repito: investigamos sim, procuramos saber, vimos falhas de sistema, por exemplo, a câmera do almoxarifado estava desligada. Ligamos a câmera, temos mecanismos para essas coisas não aconteceram. Mas isso é de junho, julho. Por que não foi falado antes? Surpreendentemente, vem depois de uma derrota dentro de casa. Por que não foi falado quando o Cruzeiro estava bem? Na nossa investigação interna, não chegamos à conclusão que ele chegou. O que ele tem, que eu saiba, que eu tenho também, é o depoimento de um cara que comprava camisa de gente que trabalha no Cruzeiro, e não é o Benecy. Um cara falou isso, ótimo. Vamos para a polícia. Mas o cara não quer ir para a polícia".

Uso do clube para aparecer na mídia


Sérgio insinuou que o deputado quer aparecer em cima do Cruzeiro. "Quando ele fez a ação do estatuto, ele poderia ter me procurado. A última vez que a gente se falou, disse a ele: 'Léo, você está comemorando que barrou o estatuto, por que você não me mandou a suas sugestões para o estatuto no momento em que estava aqui? Por que você não me procurou e falou: 'Sérgio, não vamos fazer esse movimento para não ter essa eleição agora'. Ele simplesmente ajuizou uma ação. Tem gente que quer resolver os problemas do Cruzeiro e tem gente que quer mídia com o Cruzeiro. Estou aqui para resolver os problemas do Cruzeiro".

Entenda o caso


Ex-superintendente de relações institucionais e governamentais do CruzeiroLéo Portela fez graves acusações sobre um possível 'esquema pesado de desvio, de roubo, de material esportivo' dentro do clube. A revelação foi feita em entrevista ao canal 'Somos Gigantes', no Youtube, na noite dessa terça-feira.

Portela chegou a responsabilizar o supervisor administrativo Benecy Queiroz, que teria a incubência sobre o setor no qual se originou o desvio. O Superesportes entrou em contato com Benecy para comentar o caso. Ele não quis falar e pediu para que a assessoria de imprensa do clube fosse procurada.
   
"Vi muita coisa errada e vou revelar em primeira mão algo que estava acontecendo. Eu estava participando da investigação de um esquema de escoamento de material esportivo, desvio de material esportivo dentro do Cruzeiro. Eu estava participando desta investigação junto com o Miltão da segurança. Nós conseguimos na investigação deste esquema chegar até o cabeça. Nós conseguimos traçar o passo a passo do escoamento do material esportivo, do prejuízo do Cruzeiro, da máfia que existe no sentido de comercialização de material esportivo dentro do clube", disse Léo Portela.

"Tudo isso estava sob a minha responsabilidade. Quando nós encontramos ali um nexo causal que chegava às portas do Benecy, isso foi tirado de mim. Essa investigação foi tirada de minha responsabilidade. Posteriormente, o Milton saiu do clube. Isso me trouxe um descontentamento, uma revolta muito grande. Nós enxergamos claramente e com toda a materialidade possível um esquema pesado de desvio, de roubo, de material esportivo e chegava até a responsabilidade de Benecy. No mínimo, haveria a chamada 'culpa in vigilando', que é a culpa do Benecy por ele não ter vigiado da maneira correta algo que estava sob sua responsabilidade", acrescentou Portela. 

O ex-dirigente afirmou que, depois de encontrada a possível ligação de Benecy, a investigação foi retirada da sua responsabilidade. "Estranhamente quando nós conseguimos traçar esse nexo causal tudo foi retirado da minha mão e, posteriormente, o Miltão foi mandado embora. Então, na hora que a gente pode esclarecer algo que estava no mínimo estranho, as pessoas responsáveis não participam mais da investigação? Que coisa estranha. Isso me trouxe um descontentamento muito grande".

Portela é deputado estadual e deixou o clube em 15 de outubro. Ele ficou pouco mais de 100 dias na função de superintendente de relações institucionais e governamentais do Cruzeiro.

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