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Cruzeiro retoma processo sobre exclusão de conselheiros remunerados; veja a lista

Membros serão reintegrados para que o procedimento tenha sequência

postado em 02/12/2020 20:02 / atualizado em 02/12/2020 21:04

(Foto: Agência Senado e Igor Sales/Cruzeiro)
O Cruzeiro anunciou nesta segunda-feira a retomada do processo sobre a exclusão de 29 conselheiros remunerados “que haviam sido retirados do quadro social do clube” em 22 de abril, mas que, no momento, “mantêm-se ativos graças a decisões judiciais”.


Somente seis meses depois é que a Raposa oficializou a reintegração dos 29 conselheiros. O próximo passo é instaurar o procedimento de maneira correta e sem brechas”, de modo que “a exclusão tenha prosseguimento e seja definitivamente julgada”.

Para isso, será formada a Comissão de Ética e Disciplina do Conselho Deliberativo. Os conselheiros natos indicados na condição de titulares são José Eustáquio Lucas Pereira, Daniel Simões de Carvalho, José Veloso Medrado, Aloísio Marcos Vasconcelos Novais e Paulo Roberto Sifuentes Costa, além de suplentes.

De acordo com o Cruzeiro, as indicações do órgão responsável por avaliar as ações passarão por período de aprovação do Conselho Deliberativo.

“Entre meia-noite do dia 3/12 e meia-noite do dia 5/12, os conselheiros que possuírem posição contrária aos nomes indicados deverão se manifestar pelo e-mail comissaoeticadisciplina@cruzeiro.com.br. As manifestações devem ser feitas impreterivelmente via e-mail e dentro deste período estabelecido de 48 horas”.

A lista dos reintegrados contava com 30 nomes (confira no fim da matéria), porém Jorge Lúcio Turci preparou sua carta de renúncia e entregará em breve ao presidente eleito do Conselho, Nagib Geraldo Simões.

Processo se arrastou por mais de seis meses


Passaram-se mais de seis meses entre a concessão das liminares e a reintegração dos conselheiros. Mas por qual motivo tanta demora? Em matéria publicada pelo Superesportes no dia 18 de setembro, o ex-presidente do Cruzeiro, José Dalai Rocha, entendeu que não seria interessante a votação de expulsões de conselheiros antes das eleições presidenciais (Sérgio Santos Rodrigues foi aclamado no pleito de 7 de outubro para o triênio 2021/2022/2023).

“A direção do Cruzeiro e do Conselho Deliberativo vêm propagando com frequência que, como houve 'erro' na exclusão dos conselheiros remunerados, seguindo-se decisão judicial, nada mais podem fazer, senão aguardar a Justiça. Aguardar a Justiça e as eleições de outubro, certamente. Estão jogando para a arquibancada, Quantas liminares só neste mês você já viu sendo derrubadas em várias instâncias da Justiça? Um monte! Parece que nascem para serem cassadas. Mas no Cruzeiro atual algumas têm força de decisão transitada em julgado”.

Na mesma reportagem, Sérgio Rodrigues também deu sua versão ao Superesportes. Segundo ele, o Poder Judiciário deveria colocar fim às questões a ele submetidas para que o Cruzeiro continuasse o procedimento sem desrespeitar a lei.

“O recurso cabível em face de liminares proferidas em 1ª instância é o Agravo de Instrumento. Quando a atual gestão entrou os recursos já haviam sido interpostos, restando somente à atual gestão acompanhar seu julgamento. Por se tratar de matéria de fato e não de direito, recursos a tribunais superiores não seriam cabíveis no caso. Assim, permanecem as decisões proferidas pela Justiça, cabendo ao clube cumpri-las. Agora, no que tange aos casos já submetidos ao Poder Judiciário, resta aguardar o julgamento posto que o clube não pode contrariar decisão judicial; assim, resta ao Poder Judiciário pôr fim às questões a ele submetidas”.

Remunerações


Entre 29 conselheiros que serão julgados pela Comissão de Ética e Disciplina do Cruzeiro está Gustavo Perrella, filho de Zezé Perrella. Ele prestou serviço de consultoria na gestão do ex-presidente Wagner Pires de Sá com remuneração de R$ 95 mil durante três meses, de fevereiro a maio de 2019.

Sérgio Nonato, o Serginho, ex-comentarista do Alterosa Esporte, assinou contrato de R$ 60 mil em abril de 2018. Duas semanas após o acordo, teve os vencimentos reajustados. No primeiro aditivo, recebeu luvas de R$ 300 mil, pagas em maio de 2018, e aumento salarial para R$ 75 mil a partir de junho.

No fim de 2018, o então diretor-geral foi beneficiado com nova bonificação. O salário dele saltou para R$ 125 mil mensais. Com luvas e remuneração, Serginho embolsou R$ 875 mil naquele ano  – o valor não contabiliza os bichos e premiações que o ex-dirigente faturou por títulos conquistados pelo Cruzeiro.

Já o ex-diretor de patrimônio e obras, Alexandre Francisco Lemos, chegou a faturar R$ 40 mil por mês no clube para o qual trabalhou entre julho de 2000 e dezembro de 2019. Em outubro de 2020, o sobrinho do ex-vice-presidente Hermínio Lemos entrou na Justiça contra o Cruzeiro cobrando R$ 3,9 milhões.

Ainda estão na relação vários integrantes da Família União, principal ala de apoio a Wagner Pires no Conselho Deliberativo: Vitório Galinari, Luiz Cláudio “Xedinho” Rocha, Jorge Washington Ferreira, Hudson Barbosa de Moura e Wilmer Zaratini Mendes.

Conselheiros excluídos:


Angelo Augusto Viana

Alexandre Francisco Lemos

Alonso Miranda da Silva

Angelo Cattabriga

Carlos Alberto Monteiro de Oliveira

Edson Nego Brandão

Eliezer de Souza Matos

Fernando José de Souza

Fernando Ribeiro de Morais

Geraldo Parreiras Miranda

Gislene Batista de Oliveira

Gustavo Henrique Perrella

Hudson Barbosa de Moura

Jairo Venancio de Brito

João José de Adballa de Brito

Jorge Washington Ferreira

José Maria de Paula

Luiz Claudio de F. Rocha

Marco Túlio Martins

Maurício Cattabriga

Older Bastos Milhorato

Paulo Henrique de Mello Peluso

Paulo Roberto Lopes Soares

Roberto Márcio de Freitas Richa

Ronaldo de Assis Carvalho

Sérgio Nonato dos Reis

Vitorio Galinari

William Batista Peixoto

Wilmer Zaratini Mendes

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