Com diferentes biografias, os 16 treinadores se confrontarão na fase final do maior torneio da América. Desse total, sete têm menos de 50 anos: Rodolfo Arruabarrena (39 anos), Marcello Gallardo (39), Fernando Jubero (41), Dieggo Cocca (43), Diego Aguirre (49), Gabriel Milito (34) e Julio César Baldivieso (43).
A maioria dos “homens da prancheta” são argentinos: seis. Os quatro clubes da grande Buenos Aires, inclusive, são dirigidos pelos treinadores mais jovens: Milito no Estudiantes, Gallardo está à frente do River Plate, Arruabarrena dita o jogo do Boca Juniors e Cocca organiza o Racing. Todos eles são considerados de grande potencial.
Ex-jogador da Seleção Argentina e do próprio Boca Juniors, Arruabarrena começou a carreira de treinador em 2011, no Tigre-ARG. Assumiu o comando do azul-ouro no ano passado. Em pouco tempo, realizou modificações profundas. Na Casa Amarilla, centro de treinamentos dos Xeneizes, comanda atividades com grande intensidade, uma de suas marcas. “É um trabalhador voraz, atento e participativo nos treinos”, resume o repórter Sebastián Varela, do jornal Clarín. “Os pilares de seu time são alta intensidade para recuperar a bola, uma oferta permanente de passes, equipe agrupada para atacar e defender”, acrescenta.
Os resultados não demoraram a aparecer. Na fase de grupos da Copa Libertadores, o Boca fez a melhor campanha da história. Conquistou 18 pontos, com 19 gols pró e 2 gols contra. Melhor ataque e melhor defesa.
No maior rival dos Bosteros, Gallardo também impressiona pelo trabalho consistente. Conduziu o time de Núñez ao título da Copa Sul-Americana do ano passado, quebrando um jejum de 17 anos sem conquistas internacionais do River.
“Gallardo demonstrou que o convencimento e as ideias claras não necessariamente têm a ver com uma trajetória longa. Que um jovem treinador também pode gerar respeito em um plantel, em que, por idade, tem alguns pares. Que as decisões firmes, às vezes, antipáticas, nem sempre são contraproducentes. E que palavras eloquentes não fazem falta para desenvolver um projeto”, escreve Francisco Schiavo, do portal Canchallena.
Outro trabalho elogiável é o de Diego Cocca, 43. Depois de 12 anos longe da Libertadores, o Racing voltou a figurar no mapa do futebol sul-americano. Cocca explica o singelo segredo para o bom momento do atual campeão argentino: “Em qualquer trabalho, se vai contente trabalhar, vai render mais. Sempre espero que os meus jogadores venham contentes e com expectativas ao trabalho, e que se surpreendam a cada dia”, destacou.
O treinador mais jovem das oitavas de final da Libertadores é o ex-zagueiro Gabriel Milito, de 39 anos. Ele assumiu o Estudiantes no dia 16 de abril. Na estreia, arrancou importante vitória fora de casa sobre o Barcelona de Guayaquil, por 2 a 0, que garantiu a classificação às oitavas de final. Milito se inspira nos conceitos de Guardiola. Os dois trabalharam juntos no Barcelona de 2008 a 2011. “A intensidade e a ordem no momento de recuperar a bola são conceitos que absorvi dele (Guardiola). Depois, pretendo incorporar outras coisas porque aprendi muito a seu lado”, explica.
Outros dois argentinos comandam clubes das oitavas de final da Copa Libertadores. Gustavo Costas, 52 anos, do Santa Fe, e Omar De Felippe, 53, do Emelec. Costas começou a carreira no início dos anos 2000. Atual campeão colombiano no comando da equipe de Bogotá, é considerado um dos responsáveis pela boa fase do Santa Fe, que liderou o grupo do Atlético na Libertadores.
Já Felippe assumiu recentemente o comando do time equatoriano e tem por objetivo melhorar o trabalho de Gustavo Quinteiros, novo treinador da Seleção Equatoriana. Ainda mais interessante do que o bom início de Fellipe na área técnica é sua história impar fora dos gramados. Na década de 1980, quando ainda era jogador do Huracán, foi recrutado pelo exército argentino para combater na Guerra das Malvinas contra a Inglaterra. Depois do fim das batalhas, voltou aos campos e ganhou o apelido de 'Soldado'. “É uma parte da minha vida que me preparou para enfrentar diferentes situações, entre elas o trabalho. Futebol não tem nada a ver com a guerra, mas a experiência me dá um plus de perseverança, de insistir, de não abandonar nunca. E trato de transmitir isso aos meus jogadores”, afirmou.
Folclórico e estudioso
Já o colombiano Juan Carlos Osório, de 53 anos, é conhecido por ser estudioso. Na Inglaterra, formou-se em ciência do futebol pela Universidade de Liverpool. Entre outras experiências, trabalhou no Manchester City. À beira do gramado, chama a atenção por ser metódico e anotar lances durante as partidas. No Atlético Nacional desde 2012, já conquistou seis títulos.
Os uruguaios
Os uruguaios estão representados por Diego Aguirre e Alfredo Arías. Aguirre assumiu o Internacional e foi muito pressionado no início do ano. Soube lidar com a situação e fez o Inter crescer. É conhecido por ser um técnico aplicado. Foi vice-campeão da Libertadores de 2011 pelo Peñarol. O Santos saiu vencedor. Foi Diego o responsável por definir o Cruzeiro da Libertadores daquele ano como "Barcelona das Américas", pelo seu poderio ofensivo e técnico. O time celeste acabou caindo nas oitavas para o Once Caldas.
Já Alfredo Arías também tem carreira curta como treinador. Ele começou no Montevideo Wanderers em 2011. A boa campanha com o modesto clube da capital uruguaia já é um feito para a curta carreira do treinador.
Um estranho no ninho
O espanhol Fernando Jubero, 41 anos, treinador do Guaraní, é o único europeu nesta relação. Ele começou a carreira aos 20 anos. Segundo informações do repórter paraguaio Victor Sosoa, Jubero trabalhou nas categorias de base do Barcelona antes de resolver se arriscar na América do Sul.
Dirigido por Jubero, o Aborígene é considerado o melhor time do futebol paraguaio. Está na segunda posição do torneio nacional e garantido nas oitavas da Libertadores. “Ele arma o time de forma muito ousada, ofensiva. Mas, além do bom futebol, penso que apenas será um treinador referência no Paraguai quando conquistar um título”, observou o repórter.
Os brasileiros
O único clube vivo na competição comandado por um campeão da América é o Corinthians. Considerado um dos treinadores mais conceituados do Brasil no momento, Tite foi campeão da Copa Libertadores e do Mundial em 2012. O técnico gaúcho se destaca por montar defesas quase inexpugnáveis. Nesta edição, a retaguarda dos paulistas sofreu quatro gols na fase de grupos.
Outro paulista na competição, o São Paulo é escalado por Milton Cruz, auxiliar-técnico, que pode ser efetivado. Ele assumiu o comando do Tricolor com a saída de Muricy Ramalho por problemas de saúde. Se não houver nenhuma surpresa nos próximos dias, deve ser dele o comando do time nas partidas contra o Cruzeiro pela Libertadores.
Chama atenção o nome de outro brasileiro na competição: Ricardo Ferretti, treinador do Tigres, uma das sensações do torneio. A equipe mexicana fez ótima primeira fase, somando 14 pontos. Ele é considerado um treinador extremamente exigente. Na internet, vários vídeos dele são campeões de acesso pelo seu estilo explosivo.
Em um treino de finalização, Ferretti ficou extremamente irritado com os jogadores. Fez gestos furiosos para orientá-los e, aos gritos, pegou a bola e demonstrou como deveria ser feito o exercício. Desolado com o desempenho dos jogadores, abandou o treinamento. Apesar dos momentos de fúria, é um treinador conceituado no México. Trabalha como técnico no país desde o início dos anos 1990.
Redes Sociais
Asadito de domingo en familia%uD83D%uDC4C pic.twitter.com/xfRhC5OzwI
— Diego cocca (@Diegococca1) 26 abril 2015 Pela pouca idade, alguns treinadores cultivam o hábito das redes sociais. Diego Cocca, treinador do Racing, tem 21 mil seguidores e atualiza frequentemente seu perfil no Twitter. No último domingo, postou uma foto de um churrasco em casa. Ele expõe os momentos pessoais sem nenhum constrangimento. Faz declarações de amor para sua mulher e seus filhos. “Descanse e disfrute, maestro. Virão dias intensos pela frente”, comentou um torcedor da Academia.
Marcelo Gallardo, treinador do River, é outro que está na internet. Ele tem 114 mil seguidores no Twitter. Deixa a vida social de lado e gosta de falar de futebol : “Quanto espírito e coração tem Rooney! Talvez um dos atacantes mais completos do mundo”, analisou em novembro de 2013.
Fernando Jubero e Omar De Felippe também estão conectados neste mundo digital. Jubero é um mestre em retuitar elogios. Por sua vez, Felippe compartilha o dia a dia no Emelec.