CORRUPÇÃO NO FUTEBOL

Delator afirma que TV Globo e outras emissoras pagaram propina para ter direitos de transmissão de competições

Alejandro Burzaco foi diretor da empresa Torneos y Competencias

postado em 14/11/2017 18:26 / atualizado em 14/11/2017 19:03

AFP/Don Emmert
Alejandro Burzaco, ex-diretor da Torneos y Competencias (TyC), empresa argentina de marketing esportivo, afirma que a TV Globo e outras cinco empresas pagaram propina para ganhar concorrências e manter o direito comercial de diversas competições internacionais. Ele foi ouvido nesta terça-feira como testemunha no caso de corrupção no futebol envolvendo José Maria Marin (ex-presidente da CBF), Juan Angel Napout (ex-presidente da Conmebol) e Manuel Burga (ex-presidente da Federação Peruana de Futebol), no Tribunal Federal do Brooklyn, em Nova York. A informação é de Ken Besinger, repórter da Buzz Feed News.

De acordo com o depoimento de Burzaco, além da TV Globo, Fox Sports, Televisa, Media Pro, Full Play e Traffic também pagaram quantias a dirigentes da Conmebol e da Fifa para terem os direitos comerciais de competições. Todas essas empresas de mídia atuam na América Latina. 

Em 2016, o argentino afirmou que, entre 2005 e 2015, diversos dirigentes da Conmebol e da Fifa receberam “dezenas de milhões de dólares” para que as empresas obtivessem e, posteriormente, mantivessem os direitos de partidas de Copa Libertadores, Copa Sul-Americana, Copa América, Copa do Mundo e também de amistosos internacionais. 

Em nota, o Grupo Globo se pronunciou sobre as denúncias feitas por Alejandro Burzaco. “Sobre depoimento ocorrido em Nova York, no julgamento do caso Fifa, pela Justiça dos Estados Unidos, o Grupo Globo afirma veementemente que não pratica nem tolera qualquer pagamento de propina. Esclarece que após mais de dois anos de investigação não é parte nos processos que correm na Justiça americana. Em suas amplas investigações internas, apurou que jamais realizou pagamentos que não os previstos nos contratos. Por outro lado, o Grupo Globo se colocará plenamente à disposição das autoridades americanas para que tudo seja esclarecido. Para a Globo, isso é uma questão de honra. Não seria diferente, mas é fundamental garantir aos leitores, ouvintes e espectadores do Grupo Globo que o noticiário a respeito será divulgado com a transparência que o jornalismo exige”.

Outras emissoras citadas na delação premiada de Alejandro Burzaco não se pronunciaram.

Alejandro Burzaco trabalhou na Torneos y Competencias entre 2010 e 2015, ano em que se entregou às autoridades dos Estados Unidos. Logo em seguida, pagou fiança de cerca de R$ 20 milhões para ficar em prisão domiciliar em Nova York. Atualmente, ele mora na cidade norte-americana, mas já pode transitar para outros locais.

Em seu depoimento, Burzaco ainda revelou que o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, recebeu propinas na TyC na ordem de US$ 600 mil ano, a partir de 2006, só em relação a direitos da Copa Libertadores.






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