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POLÍTICA

Bolsonaro defende volta do futebol durante pandemia, mas encontra resistência de atletas

Presidente defende que letalidade do coronavírus entre atletas seria 'infinitamente pequena'

postado em 30/04/2020 21:23 / atualizado em 30/04/2020 22:32

(Foto: César Greco/SE Palmeiras)
O presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), continua a contrariar as recomendações dos órgãos de saúde, defendendo a “volta à normalidade” durante a pandemia de COVID-19. Nesta quinta-feira, Bolsonaro se disse favorável à volta da realização de jogos de futebol no Brasil, mas disse que encontrou resistência dos atletas


O presidente tem usado o técnico do Grêmio, Renato Gaúcho, como sue conselheiro para assuntos ligados ao futebol. De acordo com Bolsonaro, Renato relatou que os jogadores não são favoráveis ao retorno das partidas, por receio de contágio.

“Algumas vezes eu liguei para o Renato Gaúcho, para exatamente ter informações dele do que pensa o atleta no tocante a voltar o futebol ou não. Como também tenho conversado, já falei algumas vezes, com o senhor Caboclo e o Feldman, da CBF. A decisão de voltar o futebol não é minha, não é do presidente da República. Mas nós podemos colaborar. Desde lá de trás, quando conversei com o Renato Gaúcho a primeira vez, eu falei: ‘Renato, por mim volta’. Ele falou ‘mas há um sentimento entre os jogadores de que não pode voltar agora’, porque o povo estava apavorado. Ainda está apavorado”, declarou Bolsonaro em entrevista à Rádio Guaíba, de Porto Alegre, nesta quinta-feira.

Mais uma vez sem apresentar dados ou fundamentos científicos, o presidente disse que a letalidade do coronavírus nos jogadores de futebol seria “infinitamente pequena”.

“No momento, existe já muita gente que entende, que está no meio futebolístico, que é favorável à volta, porque o desemprego está batendo à porta dos clubes também. Com essa idade jovem, o jogador, ele dificilmente, caso ele seja acometido do vírus, a chance de ele partir para a letalidade é infinitamente pequena. Até pelo estado físico, pela higidez que tem esse atleta. Agora, eles têm que sobreviver”, afirmou Jair Bolsonaro.

O presidente afirmou, ainda, que o Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) devem emitir parecer favorável à retomada das partidas de futebol. 

“Não sou eu que vou abrir ou não o futebol, mas já conversei com o ministro da Saúde e dar parecer um nesse sentido, para que o futebol volte sem torcida. Então, da nossa parte, esse parecer deve ser feito, como acertado com o ministro Nelson Teich e como parece que também a Anvisa vai dar um parecer nesse sentido”, projetou.

Dados científicos

A afirmação do presidente da República sobre o baixo índice de letalidade do coronavírus entre jovens não está errada.

Segundo estudo publicado em 31 de março na revista médica britânica The Lancet, a doença é, em média, muito mais perigosa para pessoas acima de 60 anos, com uma taxa de mortalidade de 6,4%. Entre os que têm mais de 80 anos o índice de letalidade é de 13,4%. Em pessoas abaixo dos 60, o percentual de mortalidade é de 0,32%.

Entretanto, o presidente desconsidera que, apesar da baixa taxa de letalidade entre jovens, o aumento da disseminação da COVID-19 pode levar a um colapso do sistema de saúde pública, patamar que, segundo o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, já é realidade no Brasil.

Ademais, uma partida de futebol profissional não envolve apenas os 22 jogadores em campo. Particpam do evento equipe de arbitragem, comissões técnicas dos clubes, equipes médicas, assessores de imprensa, membros das federações e trabalhadores dos estádios (como seguranças, brigadistas, operadores de áudio e placares, profissionais da limpeza, zeladores etc.). Além disso, haveria presença de diversos veículos de imprensa, como rádio e televisão, cada um com seus narradores, comentaristas, repórteres, cinegrafistas e equipe técnica.

Contra a volta do futebol

Apesar das declarações de Bolsonaro e dos indicativos dados pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para a retomada do futebol no Brasil, essa não deve ser a realidade em Belo Horizonte, no que depender do prefeito Alexandre Kalil (PSD).

Segundo o ex-presidente do Atlético, a bola só voltará a rolar se houver uma determinação judicial.

“Aqui em BH, para voltar com o futebol, a FMF (Federação Mineira de Futebol) terá que conversar com o prefeito, que é quem manda na cidade e proibiu eventos. Aqui não vai abrir, a não ser que a Justiça mande. O prefeito não vai abrir, aqui não tem futebol. De acordo com o STF, quem manda na cidade é o prefeito. Se eles quiserem jogar na Arena do Jacaré, em Sete Lagoas, aí tudo bem. Aqui em BH ninguém vai jogar”, disse o chefe do Executivo municipal em entrevista à ESPN Brasil.

Nesta quinta-feira, o presidente da FMF, Adriano Aro, se reuniu com o governador Romeu Zema, para discutir plano de retomada no futebol no estado. Questionado sobre o assunto, Kalil manteve o posicionamento e até aproveitou para criticar os que defendem o relaxamento do distanciamento social, com a flexibilização para reabertura do comércio nas cidades.

“Falar em voltar alguma coisa agora, como o futebol, que envolve muita gente, pelo menos 200 pessoas em uma partida, além de mais 11 caras que vão se estapear dentro de campo, é um descolamento total da realidade. Ninguém sabe o que é corpo em saco plástico. Pensar em futebol, agora, é coisa de débil mental”, afirmou o prefeito.





 

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