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MINEIRÃO: 20 ANOS DO RECORDE DE PÚBLICO

Multidão azul e branca: recorde de público do Mineirão completa 20 anos nesta quinta

Mineirão recebeu 132.834 pessoas para ver o Cruzeiro ser campeão mineiro de 1997, contra o Villa Nova. Feito marcou para sempre o futebol em Minas

postado em 22/06/2017 07:50 / atualizado em 22/06/2017 00:55

Arquivo/EM D.A Press
Com as reformas pelas quais passou visando à Copa do Mundo de 2014, o Mineirão comporta, segundo o Cadastro Nacional de Estádios de Futebol da CBF (CNEF), 61.846 pessoas. Contudo, a história era diferente quando as arquibancadas de concreto dominavam o Gigante da Pampulha, que em tardes ou noites de decisões chegava a receber mais de 100 mil espectadores. Os torcedores não se importavam em dividir o espaço, tão grande e ao mesmo tempo acanhado, para festejar as conquistas do clube do coração. E os cruzeirenses têm uma lembrança muito especial que completa hoje 20 anos. No dia 22 de junho de 1997, a multidão formada por 132.834 indivíduos invadiu o estádio e assistiu à vitória da Raposa por 1 a 0 sobre o Villa Nova, que valeu a conquista do Campeonato Mineiro de 1997.

Fica a pergunta: como uma construção projetada em 1965 para receber 130 mil pessoas poderia superar as próprias capacidades? Loucura. A diretoria do Cruzeiro fez uma promoção para que mulheres e crianças entrassem de graça. E aí as roletas não pararam de girar. As avenidas Abrahão Caram, Catalão (atual Carlos Luz) e Antônio Carlos estavam repletas de ônibus coletivos e carros que transportavam os cruzeirenses.

O Cruzeiro, que havia perdido para o Villa Nova por 2 a 1, no Castor Cifuentes, em Nova Lima, precisava de uma simples vitória para levantar o troféu. Quando Marcelo Ramos fez 1 a 0, aos 10min do primeiro tempo, ainda havia muita gente do lado de fora do Mineirão. Mas esses torcedores não deixaram de comemorar, pois, além dos inúmeros radinhos ligados, veio o uníssono grito de gol de dentro do estádio.

O Villa, que eliminara o Atlético nas quartas de final, fez jogo duro em Belo Horizonte. Até o goleiro Cláudio se aventurou no ataque nos acréscimos do segundo tempo, na tentativa de fazer o gol de empate que garantiria ao Leão o sexto título estadual. Mas o Cruzeiro se segurou e levantou a taça graças à vantagem obtida na fase classificatória – foi o terceiro melhor da primeira fase, enquanto o Leão alcançou a oitava posição. E dois meses depois, o elenco comandado por Paulo Autuori – hoje diretor de futebol do Atlético-PR – ganharia a Copa Libertadores ao superar o Sporting Cristal, do Peru, na final.

Celebração

O recorde de público do Mineirão foi bastante comemorado pela torcida do Cruzeiro, que, pouco depois da partida contra o Villa Nova, cantou e buzinou na descida da Avenida Abrahão Caram. Presente na arquibancada, o analista de sistemas Fabrício José França Costa, de 39 anos, lembra como foi o ocorrido. “A notícia, anunciada no rádio, foi transmitida de um para o outro na rua e deu início a um buzinaço. A comemoração foi até maior que a do título, por se tratar de um recorde histórico. O título do Mineiro se repete, mas esse público ser repetido era impossível já no velho Mineirão. Aquele foi um momento histórico. A vibração foi bem maior nas ruas.”

O Cruzeiro campeão mineiro foi escalado com Dida; Vitor, Célio Lúcio, Gottardo e Nonato; Fabinho, Ricardinho, Cleison e Palhinha (Da Silva); Elivélton e Marcelo Ramos. O Villa Nova, vice-campeão, teve Cláudio; Wilson, Eleomar, Cláudio Roberto e Wander; Jean, Alemão, Joca (Adão) e Guiba; Kao Baiano (Paulo César) e Milton.



Para celebrar esta marca e, de forma mais ampla, exaltar a torcida do Cruzeiro, o coletivo Memória Celeste reuniu a família Ribeiro, uma das muitas que estavam presentes naquele dia, e contou esse episódio da história celeste em um curta-metragem de 7min14 que já está disponível no Youtube.


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