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Diretor explica por que política anticorrupção dos EUA impediu Cruzeiro de contrair empréstimo milionário

Clube celeste tinha negociações avançadas com fundo de capital misto

postado em 22/08/2019 15:11

<i>(Foto: Vinnicius Silva/Cruzeiro)</i>
Diretor financeiro do Cruzeiro, Flávio Pena admitiu nesta quinta-feira, em entrevista à Rádio 98, que os escândalos envolvendo dirigentes do clube inviabilizaram o empréstimo de R$300 milhões com um fundo misto, de capital inglês e americano. As políticas anticorrupção dos Estados Unidos, de acordo com o dirigente, teriam “esvaziado” a operação. 

“(A crise) Está dificultando, com certeza. Um dos investidores era aquele empréstimo de 300 milhões de reais, era um fundo misto, com capital inglês e americano. Obviamente, depois daquela reportagem do Fantástico, que não vou tecer comentários sobre ela porque tiveram ilações, eles imediatamente, em função da política dos Estados Unidos, anticorrupção, mesmo que a gente não tivesse a oportunidade da contraprova, aquela operação se esvaziou”, admitiu.

“Já estávamos na fase do draft, que é a fase do desenho do contrato. Uma semana antes da reportagem do Fantástico... Em função de tudo isso que está acontecendo na mídia – e eu não vou discutir se é política ou não, se é oposição ou não – atrapalhou de fato. E eu acho que esse fundo não traz mais essa oportunidade para a gente”, complementou Flávio Pena. 

A autorização para captação do empréstimo foi concedida pelo Conselho Deliberativo do Cruzeiro em 11 de fevereiro. Dos 316 membros do órgão, apenas dois se opuseram à operação. À época, o presidente Wagner Pires de Sá declarou que as taxas do fundo internacional seriam de menos de 9% ao ano, percentual inferior aos 24% cobrados por bancos brasileiros. A ideia da gestão era ter débitos com um único credor. O clube pagaria a dívida em sete parcelas semestrais, um ano e meio depois da assinatura do contrato.

De 2017 para 2018, o Cruzeiro aumentou sua dívida geral de R$ 384 milhões para R$ 520 milhões. Em meio às dificuldades financeiras, integrantes da diretoria passaram a ser investigados pela Polícia Civil e pelo Ministério Público por suspeitas de crimes de lavagem de dinheiro, falsificação de documentos e falsidade ideológica, além de possíveis quebras de regra da Fifa, da Confederação Brasileira de Futebol e do Governo Federal.

De acordo com Pena, no entanto, apesar do momento turbulento, novos investidores ainda têm interesse na parceria com o Cruzeiro. “Porém, temos outras operações em andamento também. Pessoas acreditam na marca Cruzeiro, independentemente de tudo que está acontecendo. Eu não vou discutir aqui se é questão política, técnica, mas existem pessoas que acreditam que a marca Cruzeiro está entre as cinco ou seis melhores, que dão visibilidade extrema no mercado brasileiro e sul-americano”, garantiu.

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