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Nelinho, Natal, Evaldo e Procópio: o que pensam os ídolos sobre o momento do Cruzeiro

Quarteto comentou polêmicas envolvendo o time dentro e fora de campo

postado em 10/09/2019 07:00 / atualizado em 09/09/2019 20:44

<i>(Foto: Bruno Haddad/Cruzeiro)</i>
Não é só a torcida que está indignada com a atual situação do Cruzeiro. Dentro de campo, está desclassificado da Copa Libertadores e da Copa do Brasil, em 16º no Brasileiro e apresentando um futebol sofrível, mesmo depois de trocar o comando técnico – Rogério Ceni assumiu o time no lugar de Mano Menezes

Fora de campo, uma série de acusações contra a diretoria, investigação policial e ações na Justiça – o vice-presidente de futebol Itair Machado chegou a ser afastado de suas funções por decisão liminar, mas já foi liberado para reassumir o cargo –, além de troca de acusações entre o presidente do Conselho Deliberativo, Zezé Perrella, e o presidente do clube, Wagner Pires de Sá

Ex-jogadores, que ajudaram a construir a rica galeria de troféus do clube,  criticam a atual situação, desde a diretoria até os jogadores, e apontam soluções. Nelinho, Natal, Evaldo e Procópio falam do que está errado e o que é preciso fazer para mudar o panorama atual.

Nelinho

O ex-lateral-direito Nelinho, um dos destaques na conquista da primeira Libertadores, em 1976, fala em tristeza. “Estou muito triste com essa situação e mais ainda porque estamos vendo que o que está acontecendo fora do campo, nos bastidores, é o que mais preocupa.”

Nelinho diz que o momento que antes existia somente na imaginação, se apresenta, agora, como realidade. “As pessoas estão se aproveitando da instituição Cruzeiro, o que é inaceitável, e já passou da hora de tomarem uma providência.”

O que acontece, agora, dentro de campo, segundo ele, pode ser considerado normal. “O grande mal é que nesse momento querem encontrar culpados, e o fazem dentro do time. Injustiças podem ser cometidas nesse sentido. O time do Cruzeiro é forte, no papel. Quando se tem um time fraco, a solução é contratar. Mas não acho que este seja o caso.”

Mas Nelinho vê uma situação delicada no que diz respeito ao relacionamento dentro do grupo. “Vemos nas entrevistas que um jogador fala do outro. Isso não pode ocorrer. Quem pode tirar o time dessa situação é o próprio time. Os jogadores têm de estar unidos. Mas o que sinto é que o ambiente está deteriorado. É sintoma de crise. Para se obter resultados, tem de haver sacrifícios. Aquele, por exemplo, que gosta de sair e fica até tarde, parar de fazer isso. Quem toma duas cervejas, passa a tomar uma. Tudo em prol do grupo, da recuperação.”

Evaldo

“Para mim, a situação está complicada porque o time é formado por jogadores velhos.” A opinião é de Evaldo, ex-centroavante, que diz ainda que no futebol atual não tem espaço para jogadores de mais idade. “Hoje é correria. O jogador mais velho não consegue acompanhar. Acho ainda que jogadores como Thiago Neves e Fred não estão tendo uma atitude que se espera deles. Não gosto. Quando jogam, o time vai bem. Mas, hoje, não ajudam.”

Evaldo concorda com os seus ex-companheiros quando fala sobre a camisa e a instituição Cruzeiro. “Falta respeito com a camisa.” E diz que o técnico Rogério Ceni é o menos culpado dessa situação. “Ele chegou com o carro andando. O Mano sabia o que tinha nas mãos, por isso fazia o que considerava certo para esse elenco. O Ceni terá de se adaptar e ao grupo. Não pode chegar e mudar tudo de uma vez.”

Natal

Natal, ex-ponta direita, fala em falta de respeito. “O Cruzeiro é um clube que precisa de respeito, tanto dos jogadores como dos dirigentes. O que sabemos, hoje, é que o Cruzeiro deve muito dinheiro e não tem como pagar. Quem fez a dívida é que tem de pagar. Não podem querer que jogadores e técnico façam milagre. Milagre não acontece. Disso, a gente sabe. A torcida não merece isso.

Ele compara o Cruzeiro de hoje com o do seu tempo. “A gente jogava não era por dinheiro, mas por prazer. O momento é difícil e temos de torcer para que o grupo consiga reerguer o time. É preciso hombridade por parte dos jogadores, é preciso respeito ao clube. Os jogadores que lá estão têm condições de reerguer e mudar essa história.”

Ele diz ainda que é preciso pensar em soluções caseiras. “Por que não escalam a base? O clube gasta muito para formar jogadores e não usa os que forma. Creio que têm três ou quatro em condições de ajudar nesse momento. Foi assim na minha época. Eu, Dirceu, Pedro Paulo, Tostão e Evaldo éramos todos novos. Uma decisão dessa daria motivação ao time. E acho que se algum jogador não estiver satisfeito, que saia.

Procópio

Ex-zagueiro e treinador, Procópio Cardoso entende que tudo o que o Cruzeiro passa hoje é consequência de uma crise financeira e que quem pode consertar isso são os jogadores, “eles é que estão dentro de campo. É preciso ter responsabilidade e habilidade para sair da situação atual.”

Para o ex-zagueiro e ex-treinador celeste, “essa situação não pode atingir o elenco. O time tem de ter tranquilidade para ir a campo e pensar. O grupo do Cruzeiro é excelente. Não deve nada a nenhum outro clube. É preciso ter a cabeça no lugar.

E fala também sobre a situação de Rogério Ceni. “Não sei se ele já passou por um momento assim quando era jogador. Acredito que não, pois o São Paulo sempre foi certinho. Ele terá de aprender a lidar com a situação atual. Ele não pode abrir mão de disciplina, nunca. E tem de ter respeito à tradição e história do clube. Qualquer um pode sofrer com problemas financeiros e, nesse instante, é fundamental saber administrar esse problema.”

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