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Cruzeiro consegue bloqueio de R$ 6,8 milhões nas contas de Wagner Pires e Itair Machado

Desembargador Marco Aurélio Ferenzini deferiu pedido do clube celeste

postado em 13/08/2020 17:08 / atualizado em 18/08/2020 14:14

(Foto: Tulio Santos/EM D.A Press)
O desembargador Marco Aurélio Ferenzini, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), acatou o recurso do Cruzeiro no processo movido contra o ex-presidente Wagner Pires de Sá e o ex-vice-presidente de futebol Itair Machado. Em despacho publicado nesta quinta-feira (13/8), o magistrado autorizou o bloqueio de R$ 6.861.243,06 nas contas bancárias dos ex-dirigentes envolvidos em casos de corrupção apurados pela Polícia Civil e repassados ao Ministério Público. O clube solicita o ressarcimento de valores pagos à Futgestão Assessoria e Consultoria Esportiva Ltda, de propriedade de Itair.


Publicada inicialmente pelo jornal Hoje em Dia, a informação foi repercutida pelo presidente do Cruzeiro, Sérgio Santos Rodrigues, em live no canal oficial do clube no YouTube. “Notícia maravilhosa, excelente. Receber uma notícia dessa me agrada igual contratação”, vibrou.

“Agora à tarde, no Tribunal de Justiça de Minas Gerais, a gente conseguiu uma ordem de arresto de R$ 6,8 milhões nas contas de Wagner Pires de Sá e Itair Machado. Eu falei para o Wagner: ‘Olha no espelho antes de você falar de má fé para cima do Cruzeiro e, agora, olha as suas contas também, porque nós vamos tirar centavo por centavo dela, para trazer o dinheiro do torcedor de volta’”, complementou Sérgio.

A reviravolta no processo ocorre exatamente um mês depois de a juíza Marcela Maria Pereira Amaral Novais, da 35ª Vara Cível da Comarca de Belo Horizonte, rejeitar o pedido do Cruzeiro para bloquear bens de Wagner Pires e Itair Machado.

No despacho, o desembargador Marco Aurélio Ferenzini entendeu que se verifica o risco de dano grave ao agravante em decorrência da demora do deferimento da tutela, na medida em que poderão ocorrer eventuais dilapidações do patrimônio por parte dos recorridos”. Ele aceitou o pedido do Cruzeiro e determinou “a intimação da parte agravada para, querendo, apresentar resposta ao recurso”.

O Cruzeiro requer o reembolso da quantia paga à empresa de Itair Machado por entender que houve uma manobra para burlar o Estatuto. Na petição inicial, a defesa do clube citou outras pessoas que ocuparam a função de maneira voluntária, casos de Gustavo Perrella, Bruno Vicintin, José Maria Fialho e Márcio Rodrigues Silva.  O reclamante argumentou também que tanto o ex-vice de futebol quanto Wagner Pires de Sá eram alvos de investigação policial para apurar possíveis desvios de dinheiro..

Inquérito da Polícia Civil


O inquérito conduzido pela Polícia Civil sobre supostos crimes praticados por ex-dirigentes do Cruzeiro foi concluído na última segunda-feira (11). Na terça, delegados passaram detalhes em entrevista coletiva. Segundo os investigadores, o “rombo” inicial nos cofres celestes em 2018 e 2019 foi de R$ 8,2 milhões. Em valores corrigidos, o total chega a R$ 10 milhões.

Além de Wagner Pires e Itair Machado, foram indiciados o ex-diretor-geral Sérgio Nonato; os agentes esportivos João Sérgio Ramalho, Wagner Cruz e Carlos Alberto Isidoro (Carlinhos Sabiá); e o empresário do ramo de equipamentos de proteção individual (EPI), Cristiano Richard dos Santos Machado.

Uma das informações repassadas pelo delegado Domiciano Monteiro, chefe da Divisão Especializada de Combate à Corrupção, Investigação a Fraudes e Crimes Contra a Ordem Tributária, foi de um pagamento de R$ 3,7 milhões do empresário de EPI a uma construtora por um apartamento de um ex-dirigente do Cruzeiro (Itair Machado). Na transmissão desta quinta-feira no YouTube, Sérgio Rodrigues citou esse episódio e ressaltou que o imóvel pertence à torcida celeste.

“O dinheiro que eu colocava no Cruzeiro, que você colocava no Cruzeiro, contribuindo, e que foi desviado. Agora, posso afirmar isso, porque tem peça da Polícia. Vamos pegar centavo por centavo. Parece que tem apartamento que tem gente morando que não é da pessoa, não. Esse apartamento é da torcida do Cruzeiro”.

O episódio mencionado por Sérgio Santos Rodrigues é o de um empréstimo de R$ 2 milhões contraído pelo Cruzeiro com Cristiano Richard dos Santos Machado, em 1º de março de 2018. Um mês depois, clube e empresário incluíram um novo termo no contrato de empréstimo. Nele, a diretoria afirmava que não dispunha de recursos para efetuar o pagamento da dívida, que venceria no fim do ano. Para quitá-la, oferecia percentuais de direitos econômicos de dez jogadores.

Entre os atletas estão o goleiro Gabriel Brazão (20%), o lateral-direito Vitinho (20%), os zagueiros Murilo (7%) e Cacá (20%), além dos atacantes David (20%) e Raniel (5%). A partir daí, a Polícia Civil investigou outras transações financeiras entre o empresário e um ex-dirigente do Cruzeiro.

A Polícia Civil analisou ainda outros cinco casos, que tratam da negociação do lateral-direito Mayke ao Palmeiras, de um contrato feito com o volante Bruno Silva, da renovação do goleiro Fábio, do uso de recursos do clube para contratação de advogados particulares por ex-dirigentes e também de pagamentos retroativos a Itair Machado (Clique aqui para acessar a matéria com todos os detalhes).

Contrato de Itair Machado com o Cruzeiro


Nomeado vice-presidente de futebol do Cruzeiro na gestão de Wagner Pires de Sá, Itair Machado assinou o primeiro contrato de prestação de serviço em janeiro de 2018, com validade até dezembro de 2020. O acordo previa pagamento de R$ 180 mil nos 11 primeiros meses de cada ano, além de R$ 360 mil em dezembro. Ficou acertado ainda que ele faturaria R$ 540 mil retroativos pelos meses de outubro, novembro e dezembro de 2017.

Em junho de 2018, por meio de um aditivo contratual, Itair teve o vencimento ajustado para R$ 202.588,00 brutos, de modo que as cifras ficassem em R$ 180 mil líquidos. Na cláusula quarta do documento, parágrafo 4.3, havia ainda a previsão de indenização de R$ 2 milhões caso o Cruzeiro promovesse a rescisão unilateral e imotivada do vínculo antes de 31 de dezembro de 2019.

Itair Machado também recebeu prêmios por conquistas de títulos - que poderiam chegar a R$ 7,4 milhões, caso a Raposa obtivesse sucesso em todos os torneios. Na prática, o ex-dirigente emitiu notas fiscais na soma de R$ 1.932.295,44, tendo embolsado uma quantia líquida de R$ 1.756.754,50 com os títulos da Copa do Brasil de 2018 e do Campeonato Mineiro de 2019, além das duas classificações à fase de grupos da Copa Libertadores, em 2018 e 2019.

Em nota enviada à imprensa no dia 10 de julho, Machado se defendeu e alegou que não apenas ele, mas todos os ex-vice-presidentes da gestão de Wagner Pires de Sá, tinham remuneração. Logo, estranhou o fato de o clube não ter ajuizado ação contra outros profissionais - Marco Antônio Lage (vice comercial e de marketing), Fabiano de Oliveira Costa (vice jurídico) e Divino Lima (vice executivo financeiro).

“Causa estranheza o fato de não terem ingressado com os mesmos pedidos em desfavor dos demais vice-presidentes executivos, que foram remunerados no mesmo período pelo qual e escrito nessa ação temerária e pessoal. No mais, continuo à disposição para quaisquer esclarecimentos”.

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