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Presidente do Cruzeiro comemora bloqueio de contas de Wagner e Itair: 'Vamos tirar centavo por centavo'

Clube obteve decisão favorável do pedido de arresto cautelar e bloqueou R$ 6,8 milhões dos ex-dirigentes, alvos de investigação da Polícia Civil de Minas Gerais

postado em 13/08/2020 17:30 / atualizado em 13/08/2020 17:47

(Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro)

Presidente do Cruzeiro, Sérgio Santos Rodrigues comemorou a liminar do Tribunal de Justiça de Minas Gerais que bloqueia R$ 6.861.243,06 das contas do ex-mandatário Wagner Pires de Sá e do ex-vice-presidente de futebol Itair Machado. A decisão favorável ao clube foi formalizada nesta quinta-feira.

"Notícia maravilhosa, excelente. Receber uma notícia dessa me agrada igual contratação", disse Sérgio Santos Rodrigues durante a tarde, em transmissão ao vivo do canal oficial do Cruzeiro no YouTube. O presidente relatou, ainda, uma conversa que teve com Wagner Pires de Sá.

"Eu falei para o Wagner: ‘Olha no espelho antes de você falar de má-fé para cima do Cruzeiro e, agora, olha as suas contas também, porque nós vamos tirar centavo por centavo dela, para trazer o dinheiro do torcedor de volta’. O dinheiro que eu colocava no Cruzeiro, que você colocava no Cruzeiro, contribuindo, e que foi desviado. Agora, posso afirmar isso, porque tem peça da Polícia. Vamos pegar centavo por centavo", disse.

A declaração de Sérgio Santos Rodrigues faz menção à defesa do ex-presidente, que, na Justiça, falou em "má-fe" do clube. Wagner acusou o Cruzeiro de agir de má-fé e requereu cobrança de multa de 1% a 10% da causa - entre R$ 68 e R$ 680 mil.

Investigação da Polícia Civil


Sérgio Santos Rodrigues também fez menção ao inquérito da Polícia Civil de Minas Gerais, concluído no fim da última semana. O ex-presidente Wagner Pires de Sá, o ex-vice-presidente de futebol Itair Machado, o ex-diretor-geral Sérgio Nonatoquatro empresários foram indiciados pelos crimes de apropriação indébita, falsidade ideológica, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

O inquérito da Polícia Civil foi recebido na última segunda-feira pelo Ministério Público de Minas Gerais, que, a partir daquela data, tem 15 dias para analisá-lo e decidir se oferecerá denúncia ou se solicitará complementação da investigação com novas diligências. Segundo os investigadores, o “rombo” nos cofres celestes foi de R$ 8,2 milhões. Em valores corrigidos, o total chega a R$ 10 milhões.

"Primeiro, (quero) enaltecer o trabalho da Polícia Civil do estado de Minas Gerais. O relatório ainda é sigiloso, a gente não teve acesso a ele. Mas ontem (terça-feira, na verdade) eu acompanhei virtualmente a entrevista que foi dada pelos delegados, o doutor Agnelo (de Abreu Baeta), o doutor Gustavo Xavier, o doutor Domiciano (Monteiro), a quem eu cumprimento pelo trabalho. Vi tudo o que eles divulgaram. Tenho certeza que o Ministério Público vai fazer o seu papel também e denunciar as pessoas que empurraram o Cruzeiro para onde ele foi, mas que, com a ajuda do torcedor, a gente vai conseguir recuperar", disse o presidente, que ainda fez menção a um dos seis casos citados pelos investigadores.

"Parece que tem apartamento que tem gente morando que não é da pessoa, não. Esse apartamento é da torcida do Cruzeiro. E nós vamos chegar lá também", disse.

O caso mencionado por Sérgio Santos Rodrigues é o de um empréstimo contraído pelo Cruzeiro em 1º de março de 2018. Na ocasião, o clube recebeu R$ 2 milhões do empresário Cristiano Richard dos Santos Machado, sócio de firmas que atuam na locação de veículos e de equipamentos de proteção.

Segundo a investigação, as partes envolvidas incluíram um novo termo no contrato de empréstimo, cerca de um mês depois. Nele, o clube afirmava que não dispunha de recursos para efetuar o pagamento da dívida, que venceria no fim do ano. Para quitá-la, oferecia percentuais de direitos econômicos de dez jogadores.

Entre os atletas estão o goleiro Gabriel Brazão (20%), o lateral-direito Vitinho (20%), os zagueiros Murilo (7%) e Cacá (20%), além dos atacantes David (20%) e Raniel (5%). A partir daí, a Polícia Civil investigou outras transações financeiras entre o empresário e um ex-dirigente do Cruzeiro.

“Em data aproximada, este mesmo empresário realiza o pagamento de aproximadamente R$ 3,7 milhões a uma construtora para pagar parte de um apartamento a um então dirigente do Cruzeiro. O que eles tentaram alegar em suas defesas era que o pagamento seria em decorrência de um contrato entre o empresário e o ex-dirigente, que não possui sequer data de pagamento ou garantias”, explicou, na terça-feira, o delegado Domiciano Monteiro, chefe da Divisão Especializada de Combate à Corrupção, Investigação a Fraudes e Crimes Contra a Ordem Tributária.

“Somente mais de um ano depois, quando a investigação foi divulgada pela imprensa, é que eles procuraram fazer um novo termo, em que eles indicavam que, na verdade, não teria essa cessão de direitos de jogadores, que isso seria só uma garantia”, completou o investigador.

A investigação da Polícia Civil analisou ainda outros cinco casos, que tratam da negociação do lateral-direito Mayke ao Palmeiras, de um contrato feito com o volante Bruno Silva, da renovação do goleiro Fábio, do uso de recursos do clube para contratação de advogados particulares por ex-dirigentes e também de pagamentos retroativos a Itair Machado. Clique aqui para acessar a matéria com todos os detalhes.

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