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Cruzeiro recorre a vendas de jovens para colocar salários em dia na crise financeira

Últimas negociações serviram para quitar folha de pagamento do clube

postado em 07/10/2020 16:45 / atualizado em 07/10/2020 21:15

(Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro)
Com queda de pelo menos 60% nas receitas em comparação a 2019 e dívida que ultrapassará R$ 1 bilhão em 2020, o Cruzeiro segue na batalha para honrar salários de jogadores, comissão técnica e funcionários. Uma das alternativas encontradas pela gestão do presidente Sérgio Santos Rodrigues é a negociação de direitos econômicos de jovens oriundos da base, casos do zagueiro Edu e do atacante Caio Rosa.

Edu foi vendido ao Athletico-PR no início de junho por cerca de R$ 2,5 milhões. O dinheiro serviu para colocar em dia parte da folha salarial de maio. O defensor de 20 anos, que também atua como volante, disputou apenas três partidas pela Raposa, com um gol marcado no empate por 2 a 2 com o São Raimundo-RR, fora de casa, pela primeira fase da Copa do Brasil.

No Furacão, Edu ainda não atuou pelo time principal. No sub-20, foi titular em quatro jogos no Campeonato Brasileiro da categoria. Em uma eventual transferência futura, o clube celeste terá direito a 15% do valor.

Já Caio Rosa, de 19 anos, está em vias de deixar a Toca para defender o Sharjah FC, dos Emirados Árabes Unidos. A transação gira em torno de 600 mil dólares - R$ 3,3 milhões - por 80% dos direitos econômicos (a Raposa manterá 20%). A quantia abaterá parte dos salários de agosto e setembro.

Atacante de beirada, Caio, de 19 anos, acumulou 14 gols e oito assistências em 71 jogos no sub-20. No time principal, participou de quatro partidas, todas na condição de suplente, e teve pouco tempo para mostrar seu futebol.

Nas redes sociais, muitos torcedores cruzeirenses se manifestaram contra os moldes das transferências, sobretudo pelos valores fechados. O entendimento é que os pratas da casa poderiam gerar uma receita maior se fossem mais bem trabalhados pela comissão técnica.

O presidente Sérgio Santos Rodrigues explicou que as decisões para a liberação desses atletas são tomadas com base em argumentos técnicos. A declaração foi dada em uma live no canal oficial do clube no YouTube no fim de julho.

“(...) Queria entender o parâmetro de mercado que as pessoas usam para isso, porque acho que é uma análise técnica. Quando a gente vai vender, a gente entende qual o custo desse atleta, qual a possibilidade desse atleta jogar, jogadores no mercado com a rodagem que ele tem e foram vendidos por quanto?”, disse.

“A gente tem que tirar essa ideia de que se vendermos um menino de 18 anos é ruim de qualquer jeito. Pode dar certo, como pode dar errado. Então, existe um modelo, um cálculo por trás disso tudo, feito por gente técnica. Não sou eu que faço essa valorização, a gente tem uma equipe técnica que faz isso”, complementou Sérgio.

(Foto: Divulgação/Athletico-PR)

Renato Kayzer


Outra venda que ajudou o Cruzeiro foi a de Renato Kayzer para o Athletico-PR. Dos R$ 5 milhões, cerca de R$ 3,5 milhões foram para os cofres celestes. De R$ 1,5 milhão restante, o Vasco ficou com R$ 1 milhão, e o Atlético-GO, ao qual o atacante esteve emprestado até setembro, embolsou R$ 500 mil.

Kayzer, de 24 anos, tinha contrato com o Cruzeiro até 31 de março de 2021. Em 2020, ele marcou 10 gols em 16 jogos pelo Atlético-GO e um gol em duas partidas pelo Athletico-PR, com o qual assinou contrato até dezembro de 2023.

Propostas recusadas


O Cruzeiro também recusou propostas por jogadores formados na Toquinha. A mais recente era do Portland Timbers, dos Estados Unidos, pelo zagueiro Cacá, de 21 anos - 2 milhões de dólares (R$ 11,3 milhões) por 100% dos direitos econômicos. Antes, o volante Jadsom, 19, entrou na mira do Athletico-PR, que se dispôs a pagar 500 mil euros (R$ 3 milhões) por 30% dos direitos.

Queda de receitas


No balanço financeiro dos cinco primeiros meses de 2020, o Cruzeiro informou ter faturado R$ 54.342.000,00 líquidos - quantia 60% inferior aos R$ 136.157.000,00 arrecadados no mesmo período de 2019.

A queda nos ganhos tem razões óbvias: o rebaixamento à Série B, os efeitos econômicos da COVID-19 no futebol e a ausência de torcedores dos estádios de futebol como medida de prevenção ao coronavírus.

“As receitas do Clube tiveram quedas expressivas no montante de R$ 82 milhões em relação ao ano anterior, sobretudo por conta dos direitos televisivos em função do descenso à Série B e também à queda expressiva das bilheteiras de jogos e clubes sociais devido à pandemia. Vale ressaltar que, em 2019, houve a venda expressiva do atleta Giorgian De Arrascaeta, no valor total de R$ 51 milhões”, diz trecho do relatório do clube.

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