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Fábio desabafa contra más gestões após mais uma derrota do Cruzeiro na Série B: 'Quem não pagou a Fifa? Quem perdeu seis pontos?'

Goleiro diz que clube ainda paga caro por administrações ruins

postado em 08/10/2020 20:53 / atualizado em 08/10/2020 23:15

(Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro)
A noite de comemoração pelos 900 jogos de Fábio no Cruzeiro se transformou em frustração por mais uma derrota na Série B do Campeonato Brasileiro. O time celeste perdeu para o Sampaio Corrêa por 2 a 1, nesta quinta-feira, no Mineirão, e caiu para o 18º lugar, com 11 pontos, no encerramento da 14ª rodada. No domingo, às 16h, haverá confronto com o lanterna Oeste, na Arena Barueri, em Barueri-SP.

Depois da partida contra o Sampaio, o goleiro deu um longo depoimento à beira de campo ao canal SporTV. Primeiro, ele lamentou que o número histórico pelo clube onde atua consecutivamente desde 2005 tenha sido alcançado em um revés.

“Infelizmente, né?! Uma marca difícil de ser alcançada, 16 anos de muita luta, entrega, superação, trabalho e fé em Deus sempre. Mas hoje, infelizmente, foi concretizada com resultado negativo. Não era o que ninguém queria. Mas é seguir trabalhando, há coisas que não conseguimos explicar. É continuar trabalhando dentro da competição para reverter essa situação delicada”.

Na sequência, em tom de desabafo, Fábio se mostrou compreensivo com as cobranças dos torcedores, manifestou sentimento de tristeza por causa da falta de evolução do time e reiterou que o Cruzeiro continua a pagar caro pelas más administrações anteriores.

“Eu respeito muito o torcedor. Sou cobrado em todos os lugares onde vou e sei que o torcedor está sentindo, pois o Cruzeiro faz parte da minha vida há 16 anos. A gente está colhendo o que plantou”, disse.

“Estamos batendo na tecla desde o ano passado, os caras acham que a gente tem a caneta, que podemos resolver. Somos simples funcionários, independentemente de quantos jogos eu tenho. O que posso fazer eu faço, às vezes não dá certo. Mas me entrego em campo, me dedico. Todos entraram hoje querendo a vitória, mas, infelizmente, hoje não veio. São coisas que não podemos explicar”, complementou.

Conforme o camisa 1, o histórico recente de títulos importantes, como os dois Brasileiros (2013 e 2014) e as duas Copas do Brasil (2017 e 2018), mascararam muitos erros.

“A má administração é de muito tempo, os títulos escondem muita coisa, está aí para todo mundo ver. Agora está estourando em quem está aqui no Cruzeiro, quem abriu mão de um monte de coisa, quem está querendo fazer com que o clube volte novamente à Série A. Os outros, que fizeram um monte de coisa errada, saíram fora”.


Dívida na Fifa


A campanha do Cruzeiro na Série B foi prejudicada por um problema iniciado no mandato de Gilvan de Pinho Tavares e não resolvido por Wagner Pires de Sá e nem tampouco pelo conselho gestor que conduziu o clube no primeiro semestre de 2020.

O time começou a competição com seis pontos a menos por determinação da Fifa, em razão de dívida de 850 mil euros (R$ 5,5 milhões) com o Al Wahda, dos Emirados Árabes Unidos, pela contratação por empréstimo do volante Denílson, em julho de 2016.

Ainda que não estivesse brigando na parte de cima da classificação, a Raposa estaria em 12º, com 17 pontos, se tivesse resolvido o imbróglio com o Al Wahda. Porém, a situação de momento é desesperadora: três pontos de distância do 16º colocado, Botafogo-SP, e a 12 do Juventude, que fecha o G4.

Para Fábio, os dirigentes que deixaram essas pendências se acumularem são os grandes responsáveis pelos problemas, mas os atletas é quem acabam levando grande parte da culpa.

“Agora, não adianta, se a gente não se unir, a situação já é contra o Cruzeiro. Não adianta quebrar portão, a Toca, são situações que estão aí. Quem não pagou a Fifa? Quem perdeu seis pontos? Agora a gente está se matando, fazendo um grupo, chega um, chega outro, não pode ser inscrito”, frisou.

“A realidade está aí para todo mundo ver, ninguém está de sacanagem. Todo mundo aqui abriu mão de alguma coisa para estar aqui, os mais antigos estão dando o máximo, mas as coisas às vezes não acontecem. Plantamos lá atrás, e estamos colhendo aqui, com extrema dificuldade. Os outros estão todo mundo em casa, quem fez as coisas erradas aqui dentro do Cruzeiro”, concluiu o goleiro.

Apesar das dificuldades ressaltadas por Fábio, o Cruzeiro é dono da maior folha salarial da Série B e contabilizou, apenas nos cinco primeiros meses de 2020, R$ 54 milhões em receitas - número superior ao de todos os outros participantes do campeonato. Logo, o entendimento dos torcedores é de que o time não poderia estar em uma colocação tão ruim no primeiro terço da competição.
 

Leia o desabafo de Fábio em entrevista ao SporTV


“Eu respeito muito o torcedor. Sou cobrado em todos os lugares onde vou e sei que o torcedor está sentindo, pois o Cruzeiro faz parte da minha vida há 16 anos. A gente está colhendo o que plantou. Estamos batendo na tecla desde o ano passado, os caras acham que a gente tem a caneta, que podemos resolver. Somos simples funcionários, independentemente de quantos jogos eu tenho. O que posso fazer eu faço, às vezes não dá certo. Mas me entrego em campo, me dedico. Todos entraram hoje querendo a vitória, mas, infelizmente, hoje não veio. São coisas que não podemos explicar”.

“Isso aí é uma coisa que a gente sabia que seria difícil a todo momento. Desde janeiro sabíamos que a situação não seria fácil, em todos os aspectos. Teve a pandemia, e a gente continuou sabendo que seria ainda mais difícil depois que perdeu os seis pontos. Então, o torcedor está sentindo, querendo resultado, eu entendo isso, mas são coisas que plantamos lá atrás.

“A má administração é de muito tempo, os títulos escondem muita coisa, está aí para todo mundo ver. Agora está estourando em quem está aqui no Cruzeiro, quem abriu mão de um monte de coisa, quem está querendo fazer com que o clube volte novamente à Série A. Os outros, que fizeram um monte de coisa errada, saíram fora, e a responsabilidade agora é nossa, dos meninos que subiram, de muitos que chegaram que não tiveram muitos jogos profissionais, está aí pra todo mundo ver, ninguém está escondendo, todo mundo coloca a cara, e eu estou aqui de peito aberto querendo o melhor para o Cruzeiro”.

“Agora, não adianta, se a gente não se unir, a situação já é contra o Cruzeiro. Não adianta quebrar portão, a Toca, são situações que estão aí. Quem não pagou a Fifa? Quem perdeu seis pontos? Agora a gente está se matando, fazendo um grupo, chega um, chega outro, não pode ser inscrito. A realidade está aí para todo mundo ver, ninguém está de sacanagem. Todo mundo aqui abriu mão de alguma coisa para estar aqui, os mais antigos estão dando o máximo, mas as coisas às vezes não acontecem. Plantamos lá atrás, e estamos colhendo aqui, com extrema dificuldade. Os outros estão todo mundo em casa, quem fez as coisas erradas aqui dentro do Cruzeiro”. 

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