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Embalado, Gilbert Durinho encara maior desafio no UFC e mira cinturão

Brasileiro falou com Superesportes sobre luta contra ex-campeão

postado em 29/05/2020 08:02

(Foto: UFC/Divulgação)
Em meio à pandemia do novo coronavírus, o UFC retorna a Las Vegas neste sábado, em sua nova casa, o Instituto de Performance (UFC Apex), mas sem a presença dos fãs. Um brasileiro espera aproveitar a primeira oportunidade de disputar a luta principal da noite para manter o embalo e se aproximar de futura luta pelo cinturão: Gilbert Durinho. Para isso, no entanto, ele terá, literalmente, um enorme desafio: passar pelo gigante Tyron Woodley, ex-campeão dos meio-médios (até 77kg).

Durinho, de 33 anos, vem de cinco vitórias seguidas no UFC. Depois de se aventurar no peso leve (70kg), ele retornou aos meio-médios e emplacou três triunfos consecutivos. A última foi em ‘clássico’ brasileiro entre exímios lutadores de jiu-jítsu, em março passado, em Brasília, no último evento antes da paralisação por causa da COVID-19. Com o Ginásio Nilson Nelson vazio, sem público, por causa da pandemia, o niteroiense bateu o paulista de forma até surpreendente: em vez de finalizar, nocauteou logo no primeiro round.

Motivado para ser protagonista pela primeira vez de um evento do UFC, ainda mais por ser em Las Vegas, Durinho minimizou o fato de lutar sem o calor dos fãs, mais uma vez. Segundo ele, o importante é aproveitar o bom momento e buscar um triunfo convincente sobre o ex-campeão. Em entrevista ao SUPERESPORTES, o ‘Burns’, como é conhecido nos EUA, disse que o objetivo é disputar o cinturão. 

(Foto: UFC/Divulgação)


Confira a entrevista com Gilbert Durinho


Com cinco vitórias seguidas, talvez você vai enfrentar o adversário mais renomado nesse período. Será a grande chance de mostrar serviço?

Sim, eu acho que essa é uma grande oportunidade, um ótimo teste e eu estou bem confiante. Acho que vai ser uma guerra, mas eu estou bem confiante e feliz.

Você teve boa passagem pelo peso leve, mas decidiu voltar para os meio-médios. A adaptação ao peso é melhor na categoria atual?

Foi uma decisão correta, que aconteceu em um bom momento. E agora está tudo sendo melhor: treino melhor, a minha performance nas lutas é melhor, posso lutar com mais frequência, me sinto mais saudável e mais preparado. Avalio como uma ótima decisão.

Seu último adversário, Demian Maia, considera que você tem grande chance de vencer o Tyron Woodley, até mais que ele teve quando enfrentou o norte-americano. Como você encara esse comentário? 

Ele disse isso, mas também disse que apostava numa vitória do Woodley. Eu respeito, cada um tem sua opinião. Eu estou estudando muito ele e estou confiante.

Você ocupa o sexto lugar no ranking da divisão 77kg. Em caso de vitória, acha que merece disputar o cinturão, ou prefere aguardar a entrada no top 5?

Eu acho que tudo vai depender da minha performance. Se eu for dominante como fui na última luta, acho que vou direto para o cinturão. Mas se for uma luta mais chata, uma decisão dividida, por exemplo, aí acho que terei de fazer outra antes do título.

Mesmo sendo oriundo do jiu-jítsu, você vem mostrando bom jogo na luta em pé, na trocação. Inclusive, venceu Demian Maia por nocaute técnico. É uma arma importante no sábado?

Sim, a trocação é uma arma importante, mas eu acho que o MMA é a arma que eu tenho de usar, misturar tudo. Todos os oponentes que ganharam do Woodley ganharam porque não fizeram uma coisa só. O Demian só tentou lutar jiu-jitsu, o Darren Till tentou ficar só na trocação. Ele dominou os dois. Mas o Kamaru (Usman, que tirou o cinturão de Woodley), quando lutou MMA, conseguiu ganhar dele. O caminho é misturar as técnicas. Usar tudo e ser imprevisível. 

Woodley é muito forte no jogo de quedas, derruba bem e trabalha bem no chão. Você acha que o seu jogo casa bem com o dele?

Eu acho que casa muito bem. Vou surpreender muita gente com a forma que essa luta vai casar. Eu vou insistir bastante, mas acredito que vou conseguir a queda. E se ele me derrubar, vou estar em casa. 

Como será protagonizar pela primeira vez um evento do UFC, mas sem a presença de público? Você se imaginava nessa situação em algum momento?

Vai ser irado fazer meu primeiro main event no UFC. Acreditava que minha próxima luta seria um main event. Estou muito feliz de estar podendo fazer uma luta principal com um cara muito duro e, ainda por cima, um ex-campeão. Mas sinto uma pressão de evento normal. Nada menos, nada mais. Acredito que vá aumentar aos poucos. Sobre a arena vazia, eu lutei no primeiro evento sem público da história, em Brasília. E fui corner do Vicente Luque no UFC 249. Eu diria que já estou climatizado com um evento sem público. 

Lutar em meio a uma pandemia mundial traz algum desconforto? Como você analisa a situação dos eventos esportivos em uma crise de saúde mundial?

Aqui nos Estados Unidos as coisas estão começando, aos poucos, a voltar ao normal. A Flórida já tem um fluxo maior, as coisas estão abrindo. Las Vegas iniciou esse processo. Acho ruim a coisa de viajar, pegar avião – foi a coisa mais estranha que vivi, tendo que tomar todo o cuidado. Fora isso, normal. Vegas não está cheia, mas tem bastante gente. O Brasil ainda está sofrendo muito, mas aqui as coisas começam a voltar ao normal.



UFC: Woodley x Burns


Sábado, 30 de maio
Horário: a partir das 19h (de Brasília)
UFC Apex, em Las Vegas

Card principal
Tyron Woodley x Gilbert ‘Burns’ Durinho
Augusto Sakai x Blagoy Ivanov
Billy Quarantillo x Spike Carlyle
Roosevelt Roberts x Brok Weaver
Mackenzie Dern x Hannah Cifers

Card preliminar
Katlyn Chookagian x Antonina Shevchenko
Daniel Rodriguez x Gabriel Green
Klidson Abreu x Jamahal Hill
Tim Elliott x Brandon Royval
Casey Kenney x Louis Smolka
Chris Gutiérrez x Vince Morales

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