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Gomes relembra saída pela 'porta da frente' após títulos no Cruzeiro

Ex-goleiro defendeu o time celeste em 110 partidas no início do século XXI, quando foi titular na conquista da Tríplice Coroa de 2003

06/07/2022 07:15 / atualizado em 06/07/2022 16:59
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Gomes foi o goleiro titular do Cruzeiro entre 2002 e 2004
foto: Jorge Gontijo/Estado de Minas

Gomes foi o goleiro titular do Cruzeiro entre 2002 e 2004

 

Revelado na Toca da Raposa, Gomes teve uma passagem sólida pelo time titular do Cruzeiro no início do século XXI. Um dos destaques da conquista da Tríplice Coroa, em 2003, o goleiro foi vendido em julho do ano seguinte, aos 23 anos, para o PSV, da Holanda. 

 

 

 

Em entrevista ao quadro Por Onde Anda?, do Superesportes, o ex-camisa 1 relembrou sua saída "pela porta da frente" do clube do coração.   

 

"Minha ida para o PSV foi algo muito engraçado. Eu havia disputado no início de 2004 o Torneio Pré-Olímpico, no Chile, e o olheiro do PSV estava lá para assistir a um jogo meu. Eles precisavam de três goleiros, e ele mandou uma mensagem para o Guus Hiddink, técnico da época, dizendo que eu era suficiente para suprir a necessidade do time. Como já me acompanhava, ele viu só o aquecimento e foi embora para o hotel. Não quis ver mais. Só o aquecimento foi suficiente para confirmar o que ele já tinha visto", relembra.

 

A última aparição de Gomes pelo Cruzeiro foi na vitória por 2 a 1 sobre o Deportivo Cali, da Colômbia, no duelo de volta das oitavas de final da Copa Libertadores de 2004 - os colombianos haviam vencido o jogo de ida por 1 a 0. O time celeste errou todas as suas cobranças e foi eliminado dentro do Mineirão por 3 a 0 nos pênaltis. 

 

Gomes se recuperando após cirurgia no pulso direito, em maio de 2004. A operação foi feita no Hospital Mater Dei, em Belo Horizonte
foto: Marcos Vieira/EM/DA Press

Gomes se recuperando após cirurgia no pulso direito, em maio de 2004. A operação foi feita no Hospital Mater Dei, em Belo Horizonte

 

"Eu quebrei a mão na eliminação do Cruzeiro na Libertadores, aquele foi meu último jogo. Mas não tinha nada do PSV ainda, não estávamos próximos da janela de transferências. Durante a recuperação o meu empresário me ligou falando da proposta do PSV e disse que iam começar tratativas com o Cruzeiro. Já fiquei ansioso, né, mas continuei minha recuperação", conta o ex-goleiro. 

 

"Uma coisa que eu sempre respeitei foi essa coisa de contrato. Poxa, (sempre tentei) não tentar forçar uma saída, (quis) tentar sair da melhor maneira possível. E foi o que aconteceu. Eu tinha um salário de júnior no Cruzeiro. Aquilo que vinha do PSV era para dar, principalmente, um alento para os meus familiares. Eu tenho 12 irmãos, além da minha mãe e do meu pai na época. Eu ia ter a oportunidade de ajudá-los com mais do que podia no Cruzeiro", acrescenta. 

Gratidão de Gomes por Alvimar

 

 

O Cruzeiro foi presidido por Alvimar de Oliveira Costa entre 2003 e 2005. Durante esse período, o clube viveu uma grande fase dentro de campo e conquistou a Série A de 2003, a Copa do Brasil de 2003 e os Campeonatos Mineiros de 2003, 2004, 2006 e 2008. 

 

"O Alvimar, que era o presidente da época, não queria me liberar de jeito nenhum, mas a gente (ficava) tentando falar que era uma chance (boa). Até que um dia ele me perguntou se eu realmente queria ir e me disse 'a sua história me comoveu'.  Eu falei para ele que era para ajudar os meus familiares. 'Eu vou ser bombardeado por estar te liberando, mas vai ser feliz', ele falou. E ele não tinha obrigação nenhuma (de fazer isso), porque eu tinha contrato", disse Gomes. 

 

"Eu tenho muita gratidão à diretoria do Cruzeiro. Ao finado (Eduardo) Maluf e ao Alvimar, que, em uma decisão humana (me liberou). Claro que entrou uma grana para o Cruzeiro, US$ 1,5 milhão, se não me engano. Mas substituir um goleiro sempre é muito difícil, ainda mais eu que já estava acostumado", lembrou.

Saída pela porta da frente


A saída do Cruzeiro, na visão de Gomes, permitiu realizar algo que ele jamais havia vislumbrado como profissional do futebol.

"Mas eu vi a oportunidade de jogar na Europa, em um dos grandes clubes do continente. Eu que sempre sonhei em ter condições apenas de dar uma casa para a minha mãe, jogar no clube do meu coração já era sobrenatural, e jogar na Europa eu achava que não poderia perder a oportunidade. Eu saí pela porta da frente, isso é o mais importante. Nunca forcei nada. Fiz com que eles entendessem a minha situação. E realmente foi aquilo que aconteceu, foi tudo verdade", finalizou. 

 

 

Gomes disse que não houve proposta de renovação por parte do Cruzeiro, que não conseguiria chegar perto da quantia oferecida pelo PSV, considerada por ele algo fora da realidade do clube. 

 

Entre 2002 e 2004, o antigo camisa 1 participou de 110 jogos com a camisa celeste. Ele também defendeu PSV, Tottenham, Watford e Seleção Brasileira durante seus quase 20 anos de carreira.

 

 

 


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