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COLUNA DO JAECI

Cidade linda e segura: palco de Brasil x Japão

"Pelo menos é bom ver os mineiros na parte de cima da tabela. Só espero que nossos times não percam o gás na reta final"

postado em 14/10/2014 11:00 / atualizado em 13/10/2014 23:02

Jaeci Carvalho /Estado de Minas

HEULER ANDREY/Mowa Press

 

Cingapura - Como é bom andar à noite pelas ruas de Cingapura, sob forte calor, mas com grande segurança. Uma ilha com construções futuristas e a imagem do hotel "navio" que roda o mundo e nos desperta curiosidade. Estive lá em cima na noite de domingo. A vista, fantástica, jamais será esquecida. O que me trouxe aqui foi a Seleção Brasileira, mas não sei se os amistosos deste lado do mundo vão vingar. Dunga criticou veementemente a distância, alegando que alguns jogadores ainda não entraram no fuso horário.

É verdade. Segundo médicos e especialistas, para cada uma hora de diferença é necessário um dia para adaptação. Como aqui estamos 11 horas à frente de Brasília, seria preciso o prazo inconcebível de 11 dias. Depois de quase 30 horas de viagem, chegamos a Pequim na segunda-feira da semana passada. Após seis dias, estamos em Cingapura, de onde partimos hoje em seguida ao amistoso com o Japão, desembarcando no Brasil na tarde de quarta-feira.


Confesso ter ficado surpreso com a goleada do Flamengo sobre o Cruzeiro, que faz péssimo returno, mudou do vinho para a água e vê o título escapando por entre os dedos. Também com Dedé na zaga, é complicado. Ele está mais para um trapalhão do que para Mito, como o chamam. Falha em lances capitais e parece não ter equilíbrio emocional para os jogos decisivos. Seu histórico no clube comprova. Além disso, o principal jogador da equipe, Éverton Ribeiro, está aqui em Cingapura, e sem ele tudo fica mais difícil.


O Cruzeiro está desmentindo quem disse que tem belo time e grupo qualificado, pois, quando precisa dos reservas, eles não têm dado conta do recado. Recebi centenas de e-mails criticando Dedé, Marcelo Moreno e Marlone. Sobrou também para Marcelo Oliveira, que, para alguns leitores, escala mal e muda pior ainda. Acho que não é tanto assim, mas que algo aconteceu, não tenho dúvida. O time caiu muito e é um dos piores do returno. Faltando 10 rodadas, corre, sim, o risco de perder o título, apesar de ainda ter boa dianteira.


Conversando com Casagrande, ele me observa que a vantagem do Cruzeiro é que ele não perde pontos para times pequenos, um segredo para ser campeão. É verdade, mas é preciso ganhar também dos concorrentes, mesmo em clássicos, porque, sem isso, não se vai a lugar nenhum. O Brasileiro está nivelado por baixo, com derrotas imprevisíveis, como a do Internacional para a Chapecoense por 5 a 0. É uma irregularidade de ponta a ponta, evidenciando que o futebol do país está mesmo longe de ser o produto com que sonhamos.


Agrada-me a bela fase do Galo, mesmo sem material humano de primeira. Levir Culpi sofre com contusões, mas tem dado um padrão e se virado com o que pode, fazendo grande campanha. Talvez se tivesse acreditado um pouco mais, pudesse estar disputando a taça.


Pelo menos é bom ver os mineiros na parte de cima da tabela. Só espero que nossos times não percam o gás na reta final. O Cruzeiro está abrindo mão de uma taça que já era praticamente sua. Penso que passou da hora de comissão técnica e jogadores terem uma conversa frente a frente. Algo aconteceu e não sabemos o que é. Uma equipe não cai de produção de forma assustadora se não houver algo muito sério por trás. Ainda dá tempo de corrigir, pois ainda se trata do grupo mais qualificado do Brasileiro, mas é preciso provar nos jogos, e nesse returno temos visto justamente o contrário.


Depois do amistoso contra o Japão, em mais um belo estádio (foto), a Seleção fará mais dois jogos neste ano e passará a pensar na Copa América do Chile, competição dificílima, além de se concentrar nas Eliminatórias Sul-Americanas da Copa da Rússia'2018. Pelo jeito, teremos pedreiras pela frente.


Para fechar, gostaria que o presidente eleito conhecesse um pouco da cultura do povo de Cingapura e das leis desta cidade-estado. Adotar o que é bom é interessante dará mais qualidade à população brasileira. Não custa tentar.

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