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DNA atleticano: Rafael Moura realiza sonho da família e mira grande conquista no Galo

Atacante está de volta ao clube que o revelou e que é paixão dos familiares

postado em 06/01/2017 06:30 / atualizado em 06/01/2017 15:37

Edesio Ferreira/EM/D.A Press

Criado nas divisões de base do Atlético, Rafael Moura literalmente se sente em casa. De volta a Belo Horizonte, ele recarrega as energias para mais uma temporada, que promete ser diferente. O jogador terá a chance de defender outra vez o clube que deixou há 12 anos, com apenas duas partidas realizadas. Nesse período, se aventurou por 10 equipes, mas jamais deixou de torcer pelo alvinegro. No ano passado, defendeu o Figueirense, rebaixado à Série B. Teve bom desempenho, com 14 gols em 40 jogos.

O aconchego de seu sítio em Esmeraldas, na Grande BH, onde recebe amigos e familiares, é um dos lugares que transmitem tranquilidade ao atacante de 33 anos. Lá, se diverte jogando futebol e vôlei e, nos momentos de folga, costuma descansar ao lado da esposa, Ivy, e das filhas, Luma, de 9 anos, e Nina, de 6. Toda sua família é atleticana. A irmã Amanda, também atacante, jogou pelo Atlético de 2008 a 2012. Hoje atua no futebol dos Estados Unidos (University of Bridgeport).

A mãe, Júnia, aguarda com expectativa a reestreia com as cores do Galo: “É a realização de um sonho de família. Minha avó era a maior incentivadora, porque era fanática pelo Galo. Ela assistia aos jogos do Galo e do Cruzeiro também, para torcer contra. Rafael está realizando um desejo de muito tempo. Ele é muito profissional e veste fielmente a camisa dos times em que joga. Agora posso ver os jogos dele no estádio. Antes, era pela televisão. Que agora ele traga felicidade para o Atlético e a Massa”.

No Galo, Rafael Moura reencontrará o técnico Roger Machado, ex-companheiro no Fluminense em 2006. O atacante enfrentará concorrência de peso pela vaga de titular, mas assegura ter personalidade para a disputa. “Respeito muito o Fred e o Pratto, mas eu também tenho um nome e uma história”, afirma.

Chance no Atlético

Arquivo EM DA Press
“Sou um Rafael Moura muito mais completo, muito mais experiente. Na parte dos sonhos, não mudou nada de 2003, quando deixei o clube, para 2017. Quero ganhar um título de expressão com a camisa do clube que eu e minha família torcemos. É um Rafael preparado para vestir a camisa e o tamanho do peso que ela tem”

Volta a BH

“Era tudo que eu queria: voltar para casa para vivenciar isso. Meus sobrinhos estão crescendo e minhas irmãs também. São 12 anos longe. Para qualquer filho, é muito tempo para ficar fora de casa. Essas férias foram diferentes, porque, com a certeza da minha permanência, nos deu uma tranquilidade de saber que estarei perto de todos”

Esporte na família

Edesio Ferreira/EM/D.A Press
“Meus pais sempre priorizaram o esporte ao lado da educação como forma de crescimento, não só como homem, mas como uma pessoa que tem uma socialização. Nós crescemos praticando várias modalidades, competições. Está no sangue. A gente tenta passar isso agora para as filhas e agregados. O tempo livre é para praticar esporte, que é bom e saudável”

Começo no Galo

“Foram dois anos de profissional. Na minha posição tinha Guilherme, Marques, Fábio Júnior e Alex Alves. Era muito difícil jogar naquela época, ainda mais sem a experiência que tenho hoje. Foi até bom para mim o Atlético ter me liberado para eu seguir meu caminho e hoje poder retornar de uma maneira muito diferente. Mas naquela época, o futebol era diferente. Hoje se prioriza as categorias de base. No grupo, sempre tem quatro ou cinco da base. Naquela época, era diferente, tanto que o time de 1999, que disputou a final do Campeonato Brasileiro, se manteve até 2002. Era difícil jogar naquela época. Da minha época, 1983, acho que só Juninho jogou um pouco. Depois, a geração 1985, teve o Quirino e o Renato”

Família atleticana

“A torcida familiar é Rafael Moura Futebol Clube, mas nunca deixaram o Atlético de lado. É uma família muito atleticana, e não estou falando isso para fazer marketing. Muitos atleticanos sabem da minha família. A história mais marcante é que eu tive de comprar um camarote na final da Libertadores para minha mãe e minha esposa saírem de Porto Alegre para assistir ao jogo, porque era o mais importante da história do Atlético. Minha família não podia ficar de fora. Nesses 12 anos, eu perdi três atleticanos que teriam o grande orgulho de me ver agora, que foram minha avó, minha tia e meu sogro. Eles não vão me ver jogar pelo Atlético, mas tenho certeza que lá em cima eles estarão me abençoando”

Temporada no Figueirense

Edesio Ferreira/EM/D.A Press
“Eu queria voltar ao Atlético. Mas, conversando com o Diego Aguirre, o Maluf e o Daniel, o Aguirre achava que eu não tinha condições de disputar a Libertadores em alto nível tão imediato, porque estava três meses parado por causa de cirurgia. Apareceu o Figueirense e agradeço demais ao clube pela oportunidade. A pressão era menor, era um time onde eu poderia jogar mais tranquilo. Foi o que aconteceu. Foi um ano de gols, de bons jogos. Para o clube foi complicado, com o rebaixamento, mas para mim foi muito bom. Agora, volto em plena condição física a ponto de disputar uma vaga”

Concorrência com Fred e Pratto

“No Fluminense, jogamos o Fred e eu juntos. Foi uma época que fizemos muitos gols. Eu fiz 26 e ele 31. Quem ganha é o Atlético, com três opções para disputa dos campeonatos. Agora chego de uma maneira muito diferente. Quando eu comecei, Marques e Guilherme eram as referências e tinham um garoto pela frente. Hoje não. Respeito muito o Fred e o Pratto, mas eu também tenho um nome e uma história. Tenho condições de brigar, senão nem estaria no grupo”

Roger Machado

“O Roger sempre foi esse cara que está se mostrando hoje como treinador. É uma pessoa tranquila, muito estudiosa e se sempre preocupou com o pós-carreira. Ele conversava com a gente sobre o lado financeiro, dos cuidados e das pegadinhas no futebol. Ele tem uma virtude muito parecida com a minha, que é o convívio familiar. A esposa dele gerência tudo, os filhos se envolvem. É um cara muito bacana, íntegro, sempre procurou o melhor. Se hoje é treinador, ele já se preparava desde a época de jogador, e se preparou muito para chegar hoje e ter toda essa qualidade. Está colhendo os frutos agora”

Apelido de He-Man

Edesio Ferreira/EM/D.A Press
“O apelido surgiu no Corinthians pela aparência física. Um jornal fez as comparações do cabelo, da força física. Parecia com o He-Man. Encaro da melhor maneira possível. Só não gosto de fazer a comemoração fora de campo. Sou mais tímido. Dentro do campo, me transformo no He-Man. Fora é o Rafael. Mas o He-Man é muito bom porque leva crianças ao estádio, ao futebol. Falta isso no futebol, esses personagens, essa coisa saudável que leva mais torcida ao campo. Sou muito mais conhecido como He-Man do que propriamente de Rafael. Meu pai me deu a espada e eu a tenho guardada na parede. É um símbolo que faz parte da história da minha vida”



Veja o vídeo: Rafael Moura, família e amigos curtem as férias malhando muito


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