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'Que não volte nunca mais', diz presidente da Federação Venezuelana sobre Dudamel; entenda os bastidores do acerto do técnico com o Atlético

Treinador rompeu com dirigentes e não quis nem fazer contraproposta para ficar

postado em 06/01/2020 18:18 / atualizado em 07/01/2020 08:22

(Foto: Paulo Filgueiras/EM)

Rafael Dudamel já chegou a Belo Horizonte para assumir o Atlético, clube com o qual assinou contrato por dois anos. Ele deixou a Seleção Venezuelana após um trabalho que teve início nas categorias de base e culminou na equipe principal. O treinador saiu da Federação Venezuelana de Futebol (FVF) brigado com o  atual presidente, Jesús Berardinelli, que assumiu o comando da entidade nesta segunda-feira após afastamento de Laureano González por questões médicas.

Descontente com a relação com dirigentes venezuelanos, Dudamel começou a colocar em prática no ano passado um plano para deixar a Seleção Venezuelana. Seu estafe conversou com empresários com influência em países como México, Argentina e Brasil em busca de um grande clube. 

Foi em 2019 o período de maior choque entre Dudamel e membros da FVF. O treinador queria mais poder e alterações em seu 'contrato', o que foi negado. As principais mudanças pretendidas pelo técnico eram as seguintes, de acordo com informações de Jesús Berardinelli ao Superesportes:

- Bônus pagos a cada jogo, além dos salários
- Fim no descontos de impostos
- Aumento do poder e gestão do futebol

"O que posso dizer é que ele (Dudamel) faltou com respeito aos diretores e se converteu de empregado a chefe, queria mandar mais que o presidente", disse Berardinelli, em sua primeira entrevista como presidente da Federação Venezuelana de Futebol.

Como a reportagem adiantou no ano passado, Dudamel não tinha contrato assinado com a Seleção Venezuelana. Tudo era decidido de forma consensual entre as partes. A ausência de multa em caso de interrompimento do trabalho facilitou a saída.

Na carta de despedida, Dudamel evidenciou o clima beligerante com dirigentes da FVF. "Minha relação com a direção foi se deteriorando aceleradamente nos últimos tempos e, nas condições atuais, era muito complicado continuar".

Depois que recebeu a proposta do Atlético em reunião realizada em São Paulo, ainda em dezembro do ano passado, Dudamel não fez nenhuma tentativa de permanecer na Seleção Venezuelana. Era seu desejo sair e, por isso, não houve busca por entendimento.

O racha entre Berardinelli e Dudamel era conhecido e foi noticiado pelo Superesportes (clique aqui e leia). O treinador não queria trabalhar sendo diretamente liderado pelo dirigente. A única saída era deixar o cargo.

Questionado se houve alguma conversa com Dudamel durante o processo de saída, Berardinelli disse: "Nada, nenhuma. Ele não regressou mais à Venezuela depois do jogo contra o Japão (partida foi realizada na Cidade de Suita-JAP, com voo de volta para Caracas)". 

O dirigente afirmou que foi comunicado da saída de Dudamel quando recebeu a carta do treinador.


'Nunca mais'

Berardinelli destacou que foi o responsável por colocar Dudamel na Seleção Venezuelana. Hoje, contudo, ele não quer mais relações com o treinador. Questionado se no futuro Dudamel poderia voltar à FVF, o presidente foi direto: "Nunca mais".

O mandatário da Seleção Venezuelana de futebol entende que Dudamel fracassou: "Desportivamente, abandonou a Sub-23 por temor de terminar mal o pré-olímpico. Na última Copa América, somente venceu a mais fraca Bolívia e empatou com Brasil e Peru. Nas Eliminatórias, vencemos ao todo dois jogos. Para mim, é um fracasso".

"O único positivo foi o vice-campeonato Sub-20", acrescentou Berardinelli, que será o candidato da situação na eleição do ano que vem da FVF. O ciclo atual começou em 2017 e termina em 2021. 

Berardinelli é considerado por jornalistas locais um líder chavista dentro do futebol. Ele teria o apoio do presidente/ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, como líder principal do futebol venezuelano.

Dudamel na Seleção Venezuelana


Dudamel começou sua trajetória na Federação Venezuelana de Futebol (FVF) como treinador da equipe sub-17. De forma surpreendente, ele levou a equipe ao segundo lugar do Sul-Americano de 2013, perdendo o título para a Argentina no critério de desempate.

Em 2016, Dudamel assumiu a Seleção Venezuelana Sub-20 depois de uma passagem pelo Deportivo Lara. No Sul-Americano de 2017, ele ajudou os venezuelanos a ficarem na terceira posição.

No Mundial da categoria, que ocorreu no mesmo ano, a 'Vinho Tinto' por pouco não conquistou o título, ficando na segunda posição. Na decisão, os venezuelanos perderam para a Inglaterra por 1 a 0.

O belo trabalho nas categorias de base abriu espaço para Dudamel assumir a equipe principal da Venezuela, substituindo Noel Sanvicente, em 2016. Dessa forma, ele ficou na base e na equipe principal.

Dudamel dirigiu a Seleção Venezuelana em duas Copas Américas. Na edição de 2016, nos Estados Unidos, a Venezuela caiu em grupo com México, Uruguai e Jamaica. Os venezuelanos ficaram em segundo da chave, com a mesma pontuação (7) do líder, o México. Nas quartas de final, a equipe de Dudamel foi goleada pela Argentina: 4 a 1.

Na Copa América do Brasil, neste ano, a Venezuela ficou em um grupo com os donos da casa, Peru e Bolívia. Mesmo atuando em 'território inimigo', a equipe de Dudamel arrancou empate com o Brasil (0 a 0), na Arena Fonte Nova. Os venezuelanos ficaram em segundo do grupo, com cinco pontos. Mais uma vez, a equipe de Dudamel foi eliminada nas quartas de final para a Argentina (2 a 0).

Nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018, Dudamel assumiu a Venezuela na sétima rodada. O objetivo de levar o país à primeira Copa do Mundo não foi cumprido. A Venezuela ficou na última posição, com 12 pontos.

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