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Ala do Conselho do Atlético defende chapa com Sérgio Coelho e Fred Couto; Sette Câmara ainda deseja reeleição

Principais lideranças do Galo querem paz política no clube após momento turbulento vivido nos últimos meses

postado em 30/10/2020 19:01 / atualizado em 30/10/2020 19:01

(Foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press)
 
 
Os bastidores do Atlético começam a ficar agitados diante da eleição presidencial marcada para a primeira quinzena de dezembro. As principais lideranças do clube buscam ‘paz política’ após turbulências na gestão de Sérgio Sette Câmara, que culminaram com o distanciamento de Alexandre Kalil, atual prefeito de Belo Horizonte. O nome do empresário Sérgio Batista Coelho surge como possível candidato para o pleito, uma vez que já tem apoio de uma ala do Conselho.

O Superesportes conversou com algumas lideranças do Conselho Deliberativo do Atlético. Rubens Menin, empresário que vem ajudando o clube financeiramente nos últimos meses, afirmou que o seu grupo político busca um nome para ‘pacificar’ os bastidores do alvinegro. 

“O candidato ainda não está definido. Estamos em busca da pacificação do Atlético”, disse à reportagem.

Menin é hoje a principal liderança política do Atlético. Ao lado dele estão o ex-presidente Ricardo Guimarães, Renato Salvador e Rafael Menin, vice-presidente do Conselho Deliberativo, que seguiu a linha de pensamento do pai.

“Posso te falar que o grupo está muito unido e que em breve será apresentado o nome de consenso”, disse ao Superesportes.

(Foto: Divulgação/Arena MRV)

Atual presidente, Sérgio Sette Câmara ainda evita falar sobre reeleição. A reportagem apurou que o mandatário perdeu força internamente em função dos conflitos com ex-presidente Kalil. Ele, no entanto, deseja a reeleição para ‘colher os frutos’ da primeira gestão.

Em entrevista à TV Galo, Sette Câmara afirmou que vem buscando a pacificação do Atlético, mas que a sua maneira de comandar causa desconforto em algumas pessoas.

“Quero crer que esse assunto é importante, mas não pode sobrepor o momento que o Atlético vive em campo. Estamos há 50 anos aguardando, temos um time para brigar pelo título (brasileiro). Politizar o clube neste momento pode, de alguma maneira, contaminar o nosso ambiente no futebol. Não quero que isso aconteça. Estou vendo com muita tranquilidade. Tenho feito um trabalho de pacificação no clube, estou buscando diálogo com várias pessoas que nos ajudam no dia a dia. Tenho minha maneira de comandar o clube e isso, muitas vezes, causa desconforto. Mas, de forma nenhuma, isso pode ser entendido como briga política. É importante para o momento que o clube vive, que a gente tenha paz”, declarou.

Grupo apoia Sérgio Coelho


Um dos nomes avaliados pelo grupo político de Menin é o de Sérgio Batista Coelho, ex-vice-presidente do clube. Algumas lideranças do Conselho Deliberativo entendem que essa é a melhor opção para o Atlético no momento.

Entre eles estão o ex-presidente, Afonso Paulino, e o ex-presidente do Conselho Deliberativo, João Baptista Ardizoni. A reportagem apurou que eles apoiam uma chapa formada por Sérgio Coelho e Fred Couto.

Já Fred Couto, que chegou a lançar chapa de candidatura à presidência em 2017 (foi convencido por Kalil a não disputar com Sette Câmara), também fez elogios a Sérgio Coelho. Sobre ser o vice-presidente na chapa, ele desconversou.

“Acredito que o Sérgio Coelho é o nome ideal para presidir o Atlético e acho que ele deve ser o escolhido para disputar a eleição. Sobre a vice-presidência, ainda não existe um nome de consenso”.

Sérgio Batista Coelho foi vice-presidente do Atlético nas gestões de Nélio Brant e Ricardo Guimarães. Em sua passagem pelo clube, o alvinegro foi vice-campeão brasileiro em 1999 e inaugurou a Cidade do Galo.

Em 2004, quando Sérgio Coelho também era o comandante do futebol do Atlético, o clube só escapou do rebaixamento à Série B na última rodada. Depois da vitória contra o São Caetano, no Mineirão, ele deixou o cargo para contribuir com a instituição em outra área.

A reportagem fez contato com Sérgio Batista Coelho, mas ele evitou fazer projeções sobre a possível candidatura. Em 22 de setembro, em entrevista ao Superesportes, ele disse que ficou muito feliz por ter o nome cogitado para a presidência do clube. "Não sabia sobre o movimento para ter outro candidato, um candidato único, de consenso. Fico feliz por terem citado meu nome, mas não estou sabendo de nada", disse à época.

Alexandre Kalil


A reportagem também buscou contato com Alexandre Kalil, um dos conselheiros mais influentes do clube. A assessoria do ex-presidente e atual prefeito de Belo Horizonte informou que, no momento, o foco total está na disputa pela reeleição na PBH.

A reportagem tentou contato com outros nomes importantes do Conselho Deliberativo, como Castellar Guimarães Filho (presidente do Conselho), Ricardo Guimarães, Renato Salvador e o ex-presidente Daniel Nepomuceno, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria.

Racha político


O racha político no Atlético foi exposto no fim do ano passado. Incomodado, Alexandre Kalil não compareceu à eleição para presidência do Conselho Deliberativo, que elegeu Castellar Guimarães Filho, seu aliado, como presidente. 

Kalil deu a entender que não ficou satisfeito com a aproximação de Sérgio Sette Câmara de Ricardo Guimarães, seu grande desafeto político no clube. Além disso, o atual presidente começou a afastar da diretoria pessoas próximas a Kalil. Isso gerou incômodo nos bastidores.

A situação piorou neste ano. Guimarães teria pedido a Sérgio Sette Câmara a demissão do médico Felipe Kalil, filho de Alexandre. O atual presidente se mostrou contra, assim como Lásaro Cândido da Cunha, vice-presidente, e Castellar Guimarães.

Incomodado com a situação, Felipe Kalil oficializou o pedido de demissão junto à diretoria do clube. Sette Câmara tentou reverter a situação, mas o médico se mostrou irredutível.

O clima esquentou de vez entre Alexandre Kalil e Sette Câmara após o pagamento da dívida pela contratação de Maicosuel, efetuada pelo ex-presidente, em 2014, e quitada por Sérgio, com ajuda de patrocinadores. O atual mandatário criticou constantemente os gastos e falta de responsabilidade do ex-aliado.

Atualmente, quem lidera a busca pela paz política no clube é Rubens Menin, que não quer ver os bastidores atrapalhar o Atlético nos anos que antecedem a inauguração da Arena MRV.

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