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Desrespeito, fiscalização, filas: 7 erros na volta do público ao Mineirão

Torcedores do Atlético descumpriram protocolo anti-COVID-19 antes e durante o jogo com o River, nessa quarta, e colocaram em xeque a segurança do evento

postado em 19/08/2021 18:51 / atualizado em 19/08/2021 19:00

(Foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
Ruas lotadas, máscaras no queixo e profundo desrespeito ao protocolo foram a tônica da aguardada volta da torcida ao Mineirão em meio à pandemia de COVID-19. A experiência mal-sucedida no jogo entre Atlético e River Plate, nessa quarta-feira, chocou Belo Horizonte, que tem visto a taxa de contágio aumentar nos últimos dias. Mais do que isso: colocou em xeque a segurança desse tipo de evento em um momento em que a vacinação ainda não alcançou patamares ideais e o medo pela circulação de novas variantes aumenta.

Vários foram os erros do poder público, dos organizadores do evento e dos torcedores que foram à Pampulha para o duelo que garantiu a classificação alvinegra às semifinais da Copa Libertadores. O Superesportes acompanhou a vitória atleticana por 3 a 0 in loco e lista sete das falhas cometidas no evento.

1) Torcedores sem ingresso na aglomeração


Cenas aterrorizantes tomaram conta dos arredores do estádio quando o sol ainda brilhava em BH. Por volta de 17h30 - quatro horas antes de a bola rolar -, atleticanos sem máscara tomavam cerveja e comiam nas vias do entorno do Mineirão. Na Avenida das Palmeiras, onde fica o bar mais famoso da região, não existia distanciamento social. Com a chegada da noite e daqueles que saíram do trabalho diretamente para o local, a situação ficou ainda pior.

Pelas regras da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), 30% dos assentos disponíveis no estádio (17.971) puderam estar à disposição dos torcedores. Destes, 17.030 foram ocupados. O número total de pessoas nos arredores do Mineirão, porém, foi bem maior. Muita gente sem ingresso foi para o local para curtir a "festa".

Isso aumentou consideravelmente a aglomeração e os riscos. Afinal, apenas quem entraria no estádio teve de testar negativo para COVID-19. Uma possível solução é aumentar o cerco nas imediações do Mineirão e permitir que somente aqueles com ingresso entrem em um determinado perímetro - algo praticado em Belo Horizonte durante grandes eventos, como a Copa do Mundo de 2014 e a Copa América de 2019. É uma medida criticável pensando na ocupação dos espaços públicos, mas é a saída possível no cenário atual.


2) Venda de bebidas alcoólicas


Foi proibida a venda de bebidas alcoólicas no estádio. Por isso, quem quis consumir cerveja - um contingente significativo das milhares de pessoas que estiveram no Mineirão - ficou o máximo que podia do lado de fora. O espaço de concentração da comercialização em bares e ambulantes foi justamente a Avenida das Palmeiras, onde se viu a maior aglomeração.

3) Atraso para abrir a esplanada


Houve aqueles que não quiseram ficar nas aglomerações e tentaram cumprir o protocolo estabelecido pelos organizadores do evento. Para isso, esses atleticanos formaram filas para entrar mais cedo no estádio e fugir da grande concentração de pessoas. A abertura da esplanada estava prevista para 18h30, mas o atraso de quase 20 minutos fez com que a quantidade de torcedores se acumulasse - o que provocou certa aglomeração.

"Abriram poucos portões para acesso à esplanada, com o agravante que esse foi o momento em que foi feito o recebimento do comprovante de teste de COVID-19. Com opções restritas, houve aglomeração para entrada, mesmo uma hora antes da partida. 
Como o acesso dependia da entrega de teste, a entrada, além de afunilada, ficou lenta, piorando a aglomeração. Por outro lado, a pressão da torcida para entrar aparentemente tornou vulnerável a checagem dos testes, feita a toque de caixa, em área de pouca iluminação", relatou um atleticano ouvido pela reportagem.


4) Entrada nos últimos minutos


A demora para entrar no estádio por quem ficou lá fora na aglomeração fez com que a concentração de pessoas aumentasse nas catracas minutos antes de a bola rolar. Havia uma orientação expressa dos organizadores para que o ingresso no Mineirão fosse antecipado - justamente pela demora no processo, que envolveu a conferência do teste negativo para COVID-19. Porém, muita gente deixou para acessar o local minutos antes do jogo.

Eram três "barreiras" para entrar no estádio. Na primeira, antes da esplanada, os fiscais conferiam ingresso e teste de coronavírus - foi onde mais se notou aglomerações. Em seguida, os torcedores passavam pela tradicional revista. E, por último, os bilhetes eram entregues antes da passagem pelas catracas.

5) Fiscalização ruim


Havia fiscais tanto fora, quanto dentro do Mineirão, para assegurar o cumprimento do protocolo contra a COVID-19. Eles, porém, foram ineficientes no processo de evitar as aglomerações e o não uso de máscaras. O desrespeito às normas foi naturalizado nos arredores do estádio e também nas arquibancadas.

De acordo com a PBH, os fiscais de Controle Urbanístico e Ambiental realizaram 152 vistorias em bares e veículos de lanche na cidade - boa parte na região do Mineirão - para evitar descumprimento do protocolo contra a COVID-19. Apenas três multas foram aplicadas.

6) Desrespeito na arquibancada


O plano anunciado era abrir todos os setores do Mineirão e exigir que houvesse distanciamento de uma cadeira na vertical e uma na horizontal entre os espectadores. Mas, obviamente, não deu certo. O que se viu nas arquibancadas foi uma grande concentração de atleticanos em algumas áreas - em especial atrás de um dos gols, onde ficou a torcida organizada Galoucura.

Vários setores das arquibancadas ficaram vazios, principalmente nas "quinas", regiões com visão frontal para as bandeirinhas de escanteio. Além disso, o uso de máscara foi praticamente abolido.


7) Aglomeração na saída do estádio


Também houve concentração de pessoas e desrespeito ao distanciamento social na saída do Mineirão. Não houve cumprimento de nenhum protocolo ao fim da partida e, como era de se esperar, as 17 mil pessoas saíram quase simultaneamente - o que provocou, mais uma vez, aglomeração de torcedores sem máscara.

Os erros neste primeiro teste colocaram dúvidas em relação à liberação do público nos estádios em BH. Ex-presidente do Atlético e prefeito da cidade, Alexandre Kalil (PSD) avisou que a fórmula usada no jogo contra o River não se repetirá e não negou a possibilidade de fechar novamente o Mineirão aos torcedores.

"Se foi evento teste como disseram, não passou no teste, não vai acontecer de novo se for nesse molde. O que me entristeceu diante da minha alegria toda foram aquelas cenas horrorosas, irresponsáveis", disse Kalil, em entrevista à TV Globo. "Eu não tenho o menor receio de voltar tudo para trás. Estão enganados quem acha que 'é o Atlético, ele não vai fazer'. Não vai fazer, uma ova. Fizeram um desaforo e um desrespeito ao prefeito de Belo Horizonte", avisou.