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ATLÉTICO

Torcedor que viralizou ao festejar bi vive uma vida dedicada ao Atlético

Rodrigo Lucas ganhou as redes sociais ao comemorar gol do título brasileiro rasgando a camisa e chutando a própria loja em um shopping de BH

postado em 04/12/2021 16:06 / atualizado em 04/12/2021 16:52

(Foto: Reprodução)
Há paixões que, de tão grandes, parecem inexplicáveis. Desde o berço, são 41 anos dedicados ao Clube Atlético Mineiro. Da infância no Mineirão ao casamento temático, Rodrigo Lucas, o Diguinho, simboliza os sentimentos guardados em milhões de corações alvinegros ao longo de cinco décadas de espera. Desabafo, alegria, amor... O técnico em eletrônica explodiu em vibração e colocou para fora a angústia acumulada por tanto tempo sem o título do Campeonato Brasileiro. E o momento, registrado pelas câmeras de segurança do shopping onde trabalha, viralizou nas redes sociais.



Nas imagens (assista acima), o atleticano comemora o terceiro gol do Atlético na épica vitória de virada por 3 a 2 sobre o Bahia, nessa quinta-feira, na Fonte Nova. Rodrigo acompanhava o jogo do título nacional no comércio do qual é dono no Centro de Belo Horizonte e explodiu de alegria no chutaço de Keno que garantiu o triunfo. O vídeo o mostra em êxtase, correndo, pulando, rasgando a camisa que vestia e até chutando a própria loja.

"O Galo tomou dois gols em menos de cinco minutos. Passou aquele filme na cabeça de que perdemos e vamos ter que aguentar todo mundo zoando. Do lado de fora da loja, tinha cruzeirenses gritando 'Bahia', chamando o Galo de pipoqueiro", conta, em entrevista ao Superesportes . "Eu não discuto, não falo de futebol. Sou paz e amor, apesar do vídeo parecer que não", brinca o torcedor, nascido em 25 de março - data de aniversário do clube.

"Logo em seguida, o Galo empatou. Comemorei só para extravasar, gritando Galo, a máscara caiu, fiquei sem ar. Logo em seguida, fez o terceiro gol. Aí já era. Na hora, fiquei tão desesperado que queria sair chutando tudo, mas sabia que não podia", sorri. "Tirei a máscara, joguei o controle da TV no chão, lembrei que estava de blusa e raguei, gritei como um louco", relembra.

Paixão de família


A reação espontânea ganhou as redes sociais e o fez ser conhecido por muita gente. Mas engana-se quem pensa que aquele foi o ápice de Rodrigo como torcedor. O comerciante "nasceu" atleticano. A paixão vem do avô Arlindo Lucas, que morreu em decorrência de um infarto durante uma partida do Galo contra o Remo, pela Copa do Brasil, nos anos 1990.

O pai, Cláudio Maurício, de 75 anos, é a grande inspiração de Rodrigo. "A referência maior de ser o que sou é ele. É bonito demais vê-lo torcer para o Atlético. Para ele, o Atlético está acima de tudo. Meu pai costuma dizer que gosta mais do Galo do que da família. Graças a Deus, eu vi o Atlético ser campeão brasileiro com o meu pai vivo. Muita gente, infelizmente, não teve essa oportunidade", emociona-se.

As histórias familiares com o Galo são muitas. Rodrigo e o pai foram ao Mineirão na final da Copa Libertadores de 2013, mas não conseguiram assistir ao jogo todo. Afinal, Cláudio Márcio, de tão tenso que estava, começou a passar mal. A festa pelo título foi, no mínimo, inusitada. "Ele me fez ir junto ao Cemitério da Paz para zoar um amigo cruzeirense que o Atlético tinha sido campeão", conta.

A paixão é tanta que o símbolo do Atlético desperta sentimentos que parecem incompreensíveis. Rodrigo lembra que o pai chorou copiosamente ao ver o escudo alvinegro estampado no sítio da família. "É um sentimento muito puro", conta.

Anos antes, o comerciante viveu outra situação curiosa. De férias, foi a Foz do Iguaçu ver as cataratas. Depois de quase duas horas na fila debaixo de um forte sol, chegou a vez da família de Rodrigo pegar o ônibus para iniciar o passeio. Mas ele não quis. "O veículo era azul. Azul eu não entro. Deixei todo mundo passar de mim na fila e peguei o próximo", conta.

A paixão de pai e avô chegou até o filho de Rodrigo, Luiz Felipe. É o garoto de 17 anos que está com a camisa preta e aparece no vídeo que viralizou. "É atleticano fanático como nós", diz. "Nós", a quem o comerciante se referiu, é ele e a esposa Karine Capetinga, 42. Uma união que também nasceu e se fortaleceu no Galo.

Casamento atleticano


A história de amor com o Atlético se mistura com a relação de Rodrigo com Karine. O casal alvinegro celebrou o matrimônio com um casamento temático do Galo: véu, decoração, bolo... Tudo era inspirado na paixão em comum.

"Entramos ao som do hino do Galo, na Igreja da Pampulha. Agora, não se pode mais. As músicas têm que ser aprovadas pela Igreja. É coisa que não tem explicação", conta. E quis o destino que o casal tenha se casado em um 2 de dezembro - mesmíssima data do histórico bicampeonato alvinegro.

"Por coincidência, eu estava comemorando cinco anos de casado. Na correria do dia a dia, não me atentei para as coisas. Fui comemorar cinco anos de casado na Praça Sete com minha esposa e meu menino, cheguei em casa cinco horas da manhã. Graças a Deus, foi o melhor presente que poderíamos ter", festeja o atleticano que, para além do vídeo viral, vive uma vida dedicada ao Galo.

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