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Após encerrar carreira, ex-zagueiro Bruno Rodrigo se dedica à pesca esportiva no MS e lembra com carinho de período no Cruzeiro

Aposentado desde o início de 2018, jogador curte a família na cidade de Três Lagoas-MS e cita amizades especiais com goleiro Rafael e zagueiro Dedé

postado em 03/04/2019 08:30 / atualizado em 03/04/2019 19:08

<i>(Foto: Arquivo pessoal)</i>
É na tranquilidade da cidade sul-mato-grossense de Três Lagoas, na divisa com o estado de São Paulo, que Bruno Rodrigo mora com a esposa, Natália, e os filhos Davi Gabriel, de 6 anos, e Maria Alice, de 3. O ex-zagueiro do Cruzeiro se aposentou dos gramados aos 32 anos, depois de ter o contrato encerrado com o Grêmio, no fim de 2017. Mas o que o levou a parar de jogar futebol tão novo? Em entrevista ao Superesportes, ele explicou que as sucessivas lesões no tornozelo esquerdo dificultaram uma carreira mais longeva.

“Durante a carreira nunca fui de sofrer lesões musculares. Sempre quando tive que parar, foi por questão cirúrgica mesmo. Tive casos de cirurgia no ligamento cruzado anterior do joelho, cirurgia de hérnia de disco, torção no tornozelo esquerdo. Chega um momento em que isso atrapalha muito. As lesões que sofri no tornozelo atrapalharam minha mobilidade, o local nunca melhorava, isso começou a me atrapalhar muito. Mesmo tomando remédio, a dor não passava. Era ruim, pois sempre fui um cara muito dedicado nos treinamentos, independentemente de estar ou não jogando”.

Em 2018, Bruno Rodrigo chegou a receber consultas, mas por perceber que não teria condições de jogar em alto nível, preferiu recusá-las. “Alguns clubes me procuraram. Tive uma sondagem do Paraná e também do Fortaleza. Mas não queria firmar nenhum compromisso sem estar nas minhas melhores condições. Não seria certo com o clube e nem comigo”.

Para ele, foi importante encontrar uma cidade onde as crianças pudessem ter uma rotina sem interferência de mudanças e viagens, tal como aconteceu no período pelo Cruzeiro, de janeiro de 2013 a dezembro de 2016. “Tive o pensamento de que quando começasse a ficar pouco tempo nos clubes, não ia querer isso para a minha família. Sou um cara mais na minha, mais calado. Não queria ficar seis meses em um clube para depois ter de me adaptar a outro. Assinei com o Grêmio até o fim de 2017. Se ficasse, até continuaria jogando. Como saí, acabei acelerando a decisão de parar”.

Pesca esportiva

Perto de completar 34 anos (fará aniversário em 12 de abril), Bruno Rodrigo vive confortavelmente graças ao patrimônio construído em 12 anos de carreira (2005 a 2017). Além de acompanhar o crescimento dos filhos, dedica-se ao passatempo da pescaria. Talvez por isso tenha decidido residir em Três Lagoas, cidade conhecida por promover torneios de pesca esportiva, em vez da terra natal Andradina-SP, distante 45 quilômetros. No passado, amigos de elenco do Cruzeiro se juntavam ao defensor na modalidade, como o goleiro Rafael e o zagueiro Dedé.

<i>(Foto: Arquivo pessoal)</i>

“Pescaria sempre foi um hobby. Fui incentivado por meu pai, que era caminhoneiro. Desde então venho pescando. Gosto de pescar peixe tucunaré. Dedé e Rafael também gostam. Levei-os para pescar tucunaré (espécie de peixe), eles gostaram bastante. Nos tempos de Cruzeiro, íamos para Três Marias (cidade mineira banhada pelo Rio São Francisco). Certa vez foi uma turma grande, com o Leandro Damião e o Alan (goleiro). Era pesca esportiva, apenas para diversão. Na hora do almoço iríamos para o ponto de apoio comer churrasco. Tinha picanha, arroz, vinagrete… uma comida muito boa”.

As competições em Três Lagoas são bastante concorridas, chegando a ter mais de 300 equipes disputando o título. Bruno Rodrigo explicou os critérios para definir o campeão. “O critério depende de cada torneio, mas, geralmente, a largada é dada às 7 horas e você tem que retornar às 17h. Tem a régua, você pega o peixe, mede e grava os vídeos. No fim do torneio, você mostra até seis vídeos e faz a soma. Quem tiver o comprimento mais alto no geral, ganha a competição. Nossa equipe já terminou em nono lugar entre mais de 300 embarcações. Os dez primeiros ganharam troféu. Os eventos são muito legais, há sorteios de barcos, motores, lanchas, etc.”.

<i>(Foto: Arquivo pessoal)</i>

Outro hobby do ex-zagueiro é praticar tênis. Ele tem feito aulas em um clube da cidade há nove meses. “Comecei a jogar tênis há nove meses. Ainda estou brincando. No começo era bem difícil, pois é um esporte bem técnico. Depois de algumas aulas, deu para brincar. Requer muita prática. Sempre assisto às partidas de tênis. Gosto muito do Djokovic, do Nadal, do Federer, do Isner e do Tsitsipas”.

Segundo Bruno Rodrigo, o goleiro Rafael é um especialista na modalidade. “Certa vez arrisquei a jogar contra o Rafael (goleiro do Cruzeiro) em um hotel, acabei perdendo. Agora estou mais preparado. Vou chamá-lo para um desafio. O Rafael é bom. Além de ser goleiro, é um grande pescador, um bom jogador de tênis e toca violão. Sabe muito. A noiva dele tem sorte, pois o bicho é bom. Meus filhos amam o Rafael, ficam ‘Tio Rafa pra cá, Tio Rafa pra lá’”.

Amizades no Cruzeiro

Do atual elenco do Cruzeiro, Bruno Rodrigo jogou com os goleiros Fábio e Rafael; os zagueiros Leo, Dedé e Fabrício Bruno;o lateral-esquerdo Egídio; os volantes Ariel Cabral, Henrique, Lucas Silva e Lucas Romero; e os meias Rafinha e Robinho. Depois de pendurar as chuteiras, o ex-zagueiro ainda mantém contato frequente com Rafael e Dedé e sempre que pode assiste às partidas da Raposa quando os dois estão em campo.

“Não tenho palavras para falar do Rafael. Como pessoa, é indiscutível o caráter e a amizade que tenho com ele. Como profissional, é muito bom. O Cruzeiro está bem servido de goleiros com ele e o Fábio. Sobre não ir para outro clube, a decisão é do Rafael. Tenho certeza que está feliz e contente em um clube estruturado, vitorioso e de muita tradição. Certeza que o coração dele está em paz, e que o Cruzeiro está bem servido. Quanto Rafael está jogando, vou assistir. Sou fã dele pela pessoa incrível e pelo profissional que é. Levarei sempre comigo. O Dedé é a mesma coisa. No futebol, você faz colegas, amigos e amigos que leva para sempre. Por todos os times que passei tem aqueles que levo para sempre comigo. Com o Dedé eu converso direto, me dei muito bem com ele. Sou fã do Dedé por tudo que ele passou na carreira, pelas lesões que enfrentou e superou. Conversávamos bastante, eu procurava escutá-lo e dar força, é um cara que merece tudo de melhor. Milhões de coisas devem ter passado pela cabeça dele no período no departamento médico, pois foram lesões muito chatas e complicadas. Vê-lo com destaque me alegra muito, pois o Dedé tem um coração enorme, ajuda todo mundo do time e é um grande guerreiro em campo”.

Entre os que já deixaram o clube, foram citados o goleiro Alan (Londrina) e os atacantes Leandro Damião (Kawasaki Frontale-JAP) e Willian (Palmeiras). “O Willian é de Três Fronteiras, cidade que fica perto de Andradina (120 km de distância). É um grande amigo também que fiz no futebol”, frisou Bruno.

<i>(Foto: Ramon Lisboa/EM D.A Press)</i>

Zagueiro-artilheiro

Pelo Cruzeiro, Bruno Rodrigo foi campeão mineiro, em 2014, e bicampeão brasileiro, em 2013 e 2014. No clube, ele recebeu de Dedé o apelido carinhoso de ‘Cabeça de Míssil’, já que se destacou como um exímio cabeceador tanto na parte defensiva quanto na ofensiva. Em 12 anos como profissional, o zagueiro de 1,86m disputou 448 jogos e marcou 45 gols, a maioria em jogadas aéreas.

“Sempre tive essa qualidade, desde os tempos de escolinha. Fui um jogador que marcou muitos gols de cabeça atacando a bola no primeiro pau. Meu pai pegava no pé para cabecear de olhos abertos. Como pratiquei esportes de impulsão, essa facilidade aumentou. Joguei vôlei, basquete e handebol. São coisas que me ajudaram muito nessa característica. Gostava muito de cabecear, achava bonito quando os jogadores saltavam bem alto para finalizar. Lembro-me um gol do Edmilson, se não me engano. Pela foto, parecia que ele tinha subido na altura do travessão. Foi um gol bonito, que admirei muito. O Cruzeiro de 2013 e 2014 tinha uma bola aérea muito forte. Não apenas eu, mas Dedé, Nilton, Júlio Baptista, Ricardo Goulart, Henrique, Borges, etc. Todos tinham muita qualidade para cabecear. A bola aérea era muito explorada naquela época”.

Pelo Cruzeiro, Bruno jogou 166 partidas e marcou 17 gols. Apenas um foi em finalização de pé, na vitória por 3 a 2 sobre o Villa Nova, no Mineirão, pelo Campeonato Mineiro de 2016. No lance, ele deu o chamado chute "na orelha da bola" após assistência de Henrique. “Aquilo ali foi estratégia. Todo mundo pensou que eu ia dar um chutaço, aí de repente dei um toque sutil, bem de leve, no cantinho”, relembrou, aos risos.

Libertadores

Depois que se tornou pai, Bruno Rodrigo passou a acompanhar os filhos até mesmo na programação de televisão. Os jogos de futebol deram lugar a canais infantis. “Como tenho filhos pequenos, assisto mais a canais infantis, como Discovery Kids, do que propriamente futebol. Lembro-me de quando ainda jogava pelo Cruzeiro. Morava em Lourdes e indo para o treino de manhã, ao passar perto do Shopping Del Rey, comecei a cantar a música: ‘Mariana conta dez, Mariana conta dez’. Foi automático, não havia ninguém comigo no carro e nem tinha som ligado (risos)”.

Apesar dessa mudança de perfil, ele tenta assistir às partidas do Cruzeiro na Copa Libertadores. Com duas vitórias em dois jogos no Grupo B, o time celeste enfrentará o Emelec, às 21h30 (de Brasília) desta quarta-feira, em Guayaquil, no Equador. Campeão por Santos, em 2011, e Grêmio, em 2017, Bruno Rodrigo avalia o ambiente do torneio sul-americano.

“Todo mundo fala que Libertadores é uma competição diferente. Tem esse clima diferente, é uma competição muito difícil, você pega time desconhecido que te surpreende, que tem aplicação tática incrível. É uma competição muito difícil, que requer atenção e sabedoria para jogar dentro e fora de casa. Os times argentinos são tarimbados. Na Copa Libertadores, quando enfrentam os brasileiros, se transformam ainda mais. Vira um jogo de guerra, de xadrez, de muita estratégia. Bola parada e contra-ataque resolvem muito”.

Além dos títulos, Bruno Rodrigo teve boas participações pelo Cruzeiro na competição continental, especialmente em 2014, quando marcou quatro gols em nove jogos. A Raposa acabou eliminada pelo San Lorenzo da Argentina nas quartas de final.

<i>(Foto: REUTERS/Eliseo Fernandez )</i>

Jogaria no rival?

Bruno Rodrigo saiu do Cruzeiro em dezembro de 2016. À época, surgiu a especulação de que ele poderia acertar com o Atlético. O zagueiro, entretanto, garante não ter recebido nenhuma oferta.

“A mim, particularmente, não chegou nada. Só soube por meio da imprensa, por jornalistas que me ligaram para perguntar. Pode ter chegado para o empresário, que, por não ter avançado, acabou não comentando comigo. Não consigo dizer se jogaria ou não no Atlético. Depende do momento, do tipo de proposta, não sei. Eu era profissional e não continuei no Cruzeiro, tinha que dar sequência à minha carreira, ao meu ganha-pão. Sou apaixonado pelo Cruzeiro, gosto muito do Cruzeiro, mas, naquela circunstância, precisaria trabalhar. Assim como troquei a Portuguesa pelo Santos, e depois o Santos pelo Cruzeiro, e por último o Grêmio. Tenho muito respeito por todos os times que joguei, procurei dar o meu melhor por todos”.

Com 11 títulos em 12 anos no futebol, Bruno se sente bastante realizado profissionalmente, porém lamenta por ter sido muito calado no mundo da bola. “Acho que eu poderia ter sido mais desinibido. Eu pensava muitas coisas, mas não falava. Sou um cara tranquilo, tímido. Falava bastante em campo, mas fora nunca fui de conversar”.

Seja pelas amizades construídas ou pelos títulos conquistados, hoje o ex-jogador se considera cruzeirense. Tanto que o filho dele, Davi Gabriel, gosta muito de futebol graças ao período em que morou em Belo Horizonte. “Ele é cruzeirense, pois cresceu em Belo Horizonte indo à Toca da Raposa e ao Mineirão comigo. Está treinando futebol na escolinha de um amigo meu. Apesar de a minha família e a da minha esposa serem palmeirenses, o Davi é cruzeirense”.

Números de Bruno Rodrigo na carreira

Portuguesa - 192 jogos e 22 gols

Santos - 80 jogos e 6 gols

Cruzeiro - 166 jogos e 17 gols

Grêmio - 10 jogos

Total - 448 jogos e 45 gols

Títulos

Série A2 do Paulista 2007 (Portuguesa)

Campeonato Paulista 2010, 2011 e 2012 (Santos)

Copa do Brasil 2010 (Santos)
 
Copa Libertadores 2011 (Santos)

Recopa Sul-Americana 2012 (Santos)

Campeonato Brasileiro 2013 e 2014 (Cruzeiro)

Campeonato Mineiro 2014 (Cruzeiro)

Copa Libertadores 2017 (Grêmio)

Ficha do jogador

Nome completo: Bruno Rodrigo Fenelon Palomo

Data de nascimento: 12 de abril de 1985

Clubes: Jalesense (base) - 2003 a 2004; Portuguesa - 2005 a 2009; Santos - 2010 a 2012; Cruzeiro - 2013 a 2016; Grêmio - 2017

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