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Títulos, recordes, declínio e autoavaliação: Mano encerra ciclo duradouro no Cruzeiro

Treinador se desligou do clube depois da derrota para o Internacional

postado em 08/08/2019 07:00 / atualizado em 08/08/2019 16:23

<i>(Foto: Vinnicius Silva/Cruzeiro)</i>
Durou 1.108 dias a segunda passagem de Mano Menezes pelo Cruzeiro. O perfil por vezes retraído e cauteloso de suas escalações dividiu opiniões. Há quem preferisse proposta de jogo ousada, com domínio de posse de bola e muitas finalizações. Outros aprovaram o “futebol de resultados”, independentemente da quantidade de chances criadas para conseguir as vitórias. Certo é que ao ser contratado, em 26 de julho de 2016, o treinador foi além da missão inicial de evitar o rebaixamento à Série B. Ele conquistou títulos, estabeleceu recordes e escreveu seu nome na história do clube. O ciclo duradouro terminou essa quarta, com derrota por 1 a 0 para o Internacional, no Mineirão, pelo duelo de ida da semifinal da Copa do Brasil.

Luta contra o Z4

<i>(Foto: Paulo Filgueiras/EM D.A Press)</i>


Em 2016, Mano Menezes foi contratado pelo Cruzeiro para o lugar de Paulo Bento, demitido em função da má campanha no Campeonato Brasileiro - 19º lugar, com 15 pontos em 16 rodadas. O substituto entendeu que aquele momento seria de fechar a casinha, diferentemente do português, que preferia apostar em esquema ofensivo. A estratégia de se resguardar atrás funcionou, e o Cruzeiro não só escapou do rebaixamento, como subiu para o 12º lugar, com 51 pontos. Com Mano na Série A, o time jogou 22 vezes: venceu dez, empatou seis e perdeu seis. Os 22 gols tomados representaram evolução defensiva em relação aos 25 sofridos em 16 rodadas com Bento.

Reforços

<i>(Foto: Alexandre Guzanshe/EM D.A Press)</i>


Na ‘era Mano Menezes’, o Cruzeiro apostou em reforços experientes. Contratado em janeiro de 2017, o meia Thiago Nevesfoi o que deu os melhores resultados, fazendo gols em partidas importantes e sendo decisivo principalmente em duelos eliminatórios. O lateral-direito Edilson (2018), o lateral-esquerdo Diogo Barbosa (2017) e o volante Hudson (2017) também conseguiram se firmar. Por outro lado, houve quem não apresentou bom futebol, casos do zagueiro Caicedo, do volante Bruno Silva e do meia Mancuello. Mano Menezes também foi responsável por moldar as característica de Arrascaeta, tornando-o um atleta importante também na recomposição e na marcação.

Títulos

<i>(Foto: Gladyston Rodrigues/EM D.A Press)</i>


Com a possibilidade de indicar reforços e conduzir trabalhos desde o início da temporada, Mano Menezes conquistou quatro títulos pelo Cruzeiro e se tornou um grande especialista em mata-matas. Sob seu comando, o time ganhou as Copas do Brasil de 2017 e 2018 e os Campeonatos Mineiros de 2018 e 2019. Apesar da prioridade pelos torneios eliminatórios, a Raposa conseguiu campanhas respeitosas na Série A: foi quinto em 2017, com 57 pontos, e oitavo em 2018, com 53. Na Copa Libertadores, perdeu para os argentinos Boca Juniors, nas quartas de final de 2018, e River Plate, nas oitavas de final de 2019. Já na Copa Sul-Americana, foi eliminado pelo Nacional do Paraguai na primeira fase de 2017.

Recordes

<i>(Foto: Vinnicius Silva/Cruzeiro)</i>

Mano emplacou recordes no Cruzeiro, a começar pelo trabalho mais longevo da carreira, superando os 951 dias no Grêmio, de 21 de abril de 2005 a 28 de novembro de 2007. Ele também ingressou na lista de técnicos que iniciaram três ou mais temporadas no clube, juntando-se a Matturio Fabbi (1928, 1929, 1930 e 1931 / 1933, 1934 e 1935), Bengala (1940, 1941, 1942 e 1943), Airton Moreira (1965, 1966 e 1967), Ílton Chaves (1973, 1974 e 1975), Adilson Batista (2008, 2009 e 2010) e Marcelo Oliveira (2013, 2014 e 2015). O comandante ainda subiu à quarta posição entre os que mais dirigiram a equipe, com 235 jogos (112 vitórias, 69 empates e 53 derrotas). Acima dele aparecem somente Ilton Chaves, 362; Levir Culpi, 257; e Niginho, 256.

Saídas e lesões

<i>(Foto: Alexandre Guzanshe/EM D.A Press)</i>

Nos últimos meses, Cruzeiro perdeu jogadores importantes de seu elenco, fato que contribuiu para a derrocada de Mano Menezes. Espécie de ‘12º jogador’, Rafinha caiu de rendimento e ficou sem espaço no time. Por causa disso, solicitou à diretoria a rescisão de seu contrato e assinou com o Coritiba. Lucas Silva, outrora titular ao lado de Henrique, não teve o vínculo de empréstimo prorrogado junto ao Real Madrid. Já o zagueiro Murilo, o atacante Raniel e o volante Lucas Romero foram vendidos, respectivamente, a Lokomotiv Moscou-RUS (R$ 11 milhões), São Paulo (R$ 13 milhões) e Independiente-ARG (R$ 19 milhões). Em função de lesão, a Raposa ainda perdeu o lateral-direito Edilson (panturrilha direita) e o armador Rodriguinho (cirurgia na região lombar). Em dificuldade financeira para buscar reforços, a diretoria repôs as saídas com pratas da casa. Subiram ao grupo principal o lateral-direito Weverton, o zagueiro Edu, o volante Adriano, o meia Maurício e o atacante Vinícius Popó.

Declínio

<i>(Foto: Ramon Lisboa/EM D.A Press)</i>


Quando bateu o Deportivo Lara por 2 a 0, na Venezuela, em 23 de abril, pela fase de grupos da Copa Libertadores, o Cruzeiro tinha retrospecto de 16 vitórias e cinco empates. O declínio começou no Campeonato Brasileiro, no qual o time estreou perdendo para o Flamengo, por 3 a 1, no Maracanã. As vitórias seguintes sobre Ceará (1 a 0) e Goiás (2 a 1), no Mineirão deram alguma esperança ao torcedor, só que a boa fase não teve continuidade. Nos últimos 18 jogos, o time só conseguiu ganhar do Atlético, por 3 a 0, pela partida de ida das quartas de final da Copa do Brasil, em 11 de julho. Em compensação, foram oito empates e nove derrotas.

Pior sequência

<i>(Foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press)</i>

Na derrota para o Internacional, Cruzeiro ampliou para oito jogos o maior jejum de gols de sua história. Antes, a equipe havia ficado sem balançar a rede em cinco partidas nos anos de 1921, 1939 e 1992. A bronca dos torcedores não é só apenas com a falta de pontaria. Nos últimos compromissos, a Raposa encontrou dificuldades para chutar a gol. Nas oitavas de final da Copa Libertadores, por exemplo, o goleiro Armani, do River Plate, fez uma defesa difícil nos confrontos de ida e volta (empates por 0 a 0). Já Marcelo Lomba, do Inter, viu os atletas celestes errarem o alvo em dez de 11 finalizações pela Copa do Brasil.

Autoavaliação

<i>(Foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press)</i>

Os torcedores do Cruzeiro se revoltaram com a má exibição do time contra o Internacional e xingaram Mano Menezes. Ele garantiu não ter se importado com os protestos e fez uma autoavaliação de sua jornada no clube. “Não me incomodou. Achei justo o xingamento. Não ganha, não ganha, não ganha, o sujeito que escala, escolhe jogadores e toma decisões não está sendo competente. Longe de mim achar que o torcedor tem que ser passivo nesta hora. Ele está vendo o clube dele do coração sofrer como está sofrendo em campo, a reação dele é passional. Eu só entendo que na medida em que você estende isso, a tendência é aumentar. E isso não tem sentido nenhum. Eu gosto do Cruzeiro, gosto do torcedor. Passamos momentos muitos bons, tivemos conquistas significativas e eu quero que isso perdure pela vida. E então a decisão tem a ver com isso também. Mas o balanço é bom, três anos com quatro títulos, é um bom desempenho”.

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